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5.3 KiB

CPICRIME 00124/2025

SENADO FEDERAL

Gabinete do Senador Eduardo Girão
REQUERIMENTO Nº DE - CPICRIME
Senhor Presidente,
Requeiro, nos termos do art. 58, § 3°, da Constituição Federal, da
Lei nº 1579 de 1952 e do art. 148 do Regimento Interno do Senado Federal, a
convocação do Senhor Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, para
prestar depoimento perante esta Comissão Parlamentar de Inquérito.
JUSTIFICAÇÃO
A presente Comissão Parlamentar de Inquérito tem como objetivo
investigar a estrutura e a influência das organizações criminosas em território
nacional, suas ramificações institucionais e seus mecanismos de interferência em
processos políticos e democráticos.
A partir da deflagração da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal
revelou um sofisticado esquema de emissão de títulos sem lastro, manipulação
contábil, criação de carteiras de crédito fictícias e circulação de ativos simulados.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso quando tentava
deixar o país em jato particular e seus sócios, entre eles Henrique Souza e Silva
Peretto, Augusto Ferreira Lima, Luiz Antônio Bull, Alberto Félix de Oliveira Neto,
André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, todos são
apontados como núcleo operacional de uma engrenagem que teria movimentado
bilhões de reais por meio de empresas de fachada, veículos financeiros artificiais
e documentos fraudulentos[1][2] .


Além das prisões, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília,
determinou o afastamento dos cargos, por 60 dias, de: Paulo Henrique Costa,
presidente do Banco de Brasília (BRB) e Dario Oswaldo Garcia, diretor financeiro
do BRB.
A PF afirma que as fraudes podem alcançar R$ 12 bilhões, tendo
apreendido inclusive valores em espécie e comunicações internas que indicam
tentativa de destruição de provas e reorganização do esquema.
Paralelamente, o BRB teria transferido R$ 16,7 bilhões ao grupo Master
entre 2024 e 2025, sendo R$ 12,2 bilhões referentes à aquisição de carteiras de
crédito supostamente performadas, parte das quais se revelou fictícia ou sem
lastro. Há indícios formalizados pelo Ministério Público de gestão fraudulenta
no BRB, envolvendo possível exposição deliberada de um banco público a ativos
tóxicos.
Mesmo após a crise, há contradições relevantes sobre a substituição de
mais de R$ 10 bilhões dessas carteiras, cuja efetiva recuperação permanece incerta.
Soma-se a isso a tentativa, posteriormente vetada judicialmente, de aquisição de
58% do capital do Banco Master pelo BRB operação articulada politicamente e que
poderia comprometer severamente o patrimônio público do Distrito Federal.
A gravidade se intensifica com evidências apontadas pela Operação
Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, segundo as quais
estruturas financeiras operadas por Vorcaro foram utilizadas para ocultar e
reinserir no sistema valores oriundos do PCC, por meio de contratos simulados,
notas infladas e complexas triangulações com operadores da Faria Lima.
Informações da investigação indicam ainda o uso do Clube Atlético-
MG como vetor de lavagem, mediante transações incompatíveis com a realidade
econômica e que mascaravam a origem ilícita dos recursos. Tais elementos
conectam diretamente o esquema do Banco Master ao crime organizado de maior
abrangência no país, demonstrando que o caso transcende mera fraude bancária


e alcança dimensões de segurança pública e infiltração criminal no sistema
financeiro nacional.
Diante desse conjunto de informações, emissão de títulos sem lastro,
manipulação de ativos, fraude em carteiras de crédito, conluio entre executivos
privados e gestores públicos, risco sistêmico, possível uso de banco público para
mascarar perdas e indícios robustos de lavagem de dinheiro em benefício do PCC,
resta evidente a necessidade urgente de aprofundamento investigativo por esta CPI
do Crime Organizado.
Os fatos revelados pelo Banco Central, Ministério Público, Polícia
Federal e decisões judiciais apontam para uma das maiores operações financeiras
fraudulentas da história recente, com potencial dano bilionário ao patrimônio
público e ameaça direta à integridade do sistema financeiro nacional.
A elucidação plena desses acontecimentos é condição indispensável
para a transparência institucional, a responsabilização dos envolvidos, a proteção
do patrimônio público e o enfrentamento do crime organizado em suas
ramificações financeiras.
Assim, requeiro a convocação de Daniel Vorcaro, antigo controlador
do Banco Master para comparecer à essa CPI, a fim de prestar esclarecimentos sobre
fatos narrados, assegurando a transparência, a responsabilização dos envolvidos, a
defesa do patrimônio público e a proteção do sistema financeiro nacional.
[1] https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/11/19/compliance-
zero-veja-o-que-disseram-os-alvos-da-operacao-que-investiga-fraudes-
financeiras.ghtml


[2] https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/saiba-
quem-sao-os-presos-na-operacao-contra-o-banco-master
Sala da Comissão, 24 de novembro de 2025.
Senador Eduardo Girão
(NOVO - CE)