Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional) para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059 com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444 objetos no ledger. Os 75 itens sem preservação estão em errors.md: a página do item responde 200, mas a origem serve o bitstream com HTTP 500. Nenhum fica fora do mural, porque todos têm thumbnail. Não versionado, por viver no bucket ou ser reconstruível: catálogo, posts .jsonl, atlas .webp, sqlite de estado e logs. Credenciais ficam de fora pelo .gitignore.
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titulo: "Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta"
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autor: "Andrea Wanderley"
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# Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta
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As bibliotecárias Luciana F. Lau e Danielle Barreiros e o arquivista Fabio Carvalho, todos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, desde 2024 uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, são os autores da publicação Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta sobre a história do atendimento de emergência no Rio de Janeiro e a criação, em 1907, do Posto Central de Assistência Pública, origem do atual Hospital Municipal Souza Aguiar. Segundo o artigo, Augusto Malta (1864 – 1957) com suas técnicas fotográficas, que combinavam precisão documental e sensibilidade artística, deixou um legado que nos permite refletir sobre a fotografia urbana como instrumento indispensável para a preservação da memória das cidades, incluindo a memória da saúde pública. Ele foi o fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo criado para ele, entre 1904 e 1936, quando se aposentou.
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Memórias da saúde pública pelas lentes de Augusto Malta
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Luciana Lau, Danielle Barreiros e Fábio Carvalho*
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Augusto Malta. Hospital Souza Aguiar, 19 de outubro de 1925. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IBGE
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No início do século XX, o Rio de Janeiro, então capital da República, transformava-se em um grande canteiro de obras. Com o propósito de civilizar e modernizar a cidade, o prefeito Pereira Passos (1902-1906) promoveu reformas radicais que alteraram para sempre sua paisagem urbana e social. Essas transformações, marcadas tanto pelo progresso quanto por profundas desigualdades, foram meticulosamente registradas pelas lentes de Augusto Malta (1864-1957), fotógrafo oficial da prefeitura e principal cronista visual dessa era de mudanças e de paisagens efêmeras de uma cidade em transição. Com suas técnicas fotográficas, que combinavam precisão documental e sensibilidade artística, deixou um legado que nos permite refletir sobre a fotografia urbana como instrumento indispensável para a preservação da memória das cidades, incluindo a memória da saúde pública.
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O ambicioso projeto de modernização de Pereira Passos, popularmente conhecido como “bota-abaixo”, tinha como objetivo sanear e embelezar a capital federal, seguindo os moldes das grandes metrópoles europeias.
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Visando modernizar a saúde pública, em sua gestão, Pereira Passos determinou a criação de postos médicos nas Agências Municipais, sendo possível entrever a possibilidade de atendimento emergencial na cidade do Rio de Janeiro. O então prefeito solicitou verba para a criação do primeiro grande posto de assistência médica que foi instalado na rua Camerino. O Posto Central de Assistência Pública na Rua Camerino foi a primeira unidade de socorro médico de emergência do município. Tendo suas obras iniciadas em 1906, foi inaugurado em 1º de novembro de 1907 pelo prefeito à época, Francisco Marcelino de Souza Aguiar (1855 – 1935), sendo futuramente homenageado por esta instituição, que foi denominada Hospital Municipal Souza Aguiar, como a conhecemos atualmente.
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Como pioneiro na prestação do serviço de urgência, o Posto teve o desafio de implementar um novo modelo de serviço de emergência, que até aquele momento era realizado por farmácias e médicos particulares.
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A implementação do novo processo de atendimento de urgência teve como desafio inicial modificar o comportamento dos cidadãos, que após sofrerem algum incidente na rua ou em casa, queriam ser atendidos somente pelos farmacêuticos e médicos particulares, pois esse era o hábito da população. E também porque estranhavam e até “desconfiavam” das ambulâncias brancas, pedindo passagem pela cidade, e do fato de serem levados para um hospital, um lugar desconhecido. Assim, a fim de familiarizar a população com o novo modelo de atendimento de emergência, foi realizada uma estratégia de marketing recomendada por Dr. Paulino Werneck (18? – 19?), superintendente do Posto Central de Assistência, chamada de “ensaios de socorro” na qual pessoas caiam pelas ruas e recebiam atendimento emergencial por meio das ambulâncias. A estratégia mostrou-se efetiva e as ambulâncias passaram a ser chamadas de “mãe carinhosa”.
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Ensaio de socorro / DISTRITO FEDERAL (BRASIL), 1922, p. 248
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Em pouco tempo a quantidade de chamados de urgência aumentaram e o Posto Central de Assistência já não conseguia atender as solicitações recebidas, tornando-se necessário ampliar sua capacidade de atendimento.
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Desta forma, o prefeito Souza Aguiar decidiu transferir o Posto Central para um novo endereço na Praça da República. Coube ao prefeito general Inocêncio Serzedelo Corrêa (1858 – 1932), depois de determinar que fossem feitas ampliações no edifício, inaugurar o Posto em 17 de outubro de 1910. “O prédio tinha três pavimentos e estava equipado com o que havia de mais moderno” (RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 23).
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Após a inauguração houve diversas ampliações e reconfigurações dos espaços. Em 1921, após reformulações nos serviços de assistência pública da capital, a Lei n.º 2.401 de 22 de janeiro determinava em seu artigo 28, a construção urgente de um Hospital de Pronto Socorro em anexo ao Posto Central, para a qual já havia verba consignada de mil contos de réis. O Hospital do Pronto Socorro foi finalmente inaugurado no dia 20 de setembro de 1925.
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A União (RJ), 24/09/1925
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Sobre o novo Hospital de Pronto Socorro inaugurado em 1925 comentou-se:
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“[…] atendia, de modo satisfatório, aos reclamos da população, visto que se achava bem aparelhado e instalado para aquela época, como também situado em local de grande concentração populacional. Porém, dentro de pouco tempo, verificou-se a insuficiência de recursos do Hospital, tanto no que se relacionava com as suas possibilidades técnicas, como materiais, para o atendimento da população que crescia rapidamente”(RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 39).
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Augusto Malta registra mais uma imagem do Posto Central na Praça da República revelando o poder da fotografia como guardiã da memória urbana:
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Augusto Malta. Assistência Pública Municipal. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IBGE
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Na gestão do interventor Pedro Ernesto (1884 – 1942), foi inaugurada uma maternidade no Hospital de Pronto Socorro, com o objetivo de ampliar sua área de atuação junto à população. E houve a unificação dos serviços do antigo Posto Central de Assistência e do Hospital de Pronto Socorro, permanecendo o último nome.
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Prefeito Pedro Ernesto em visita ao Hospital de Pronto Socorro / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 53
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Novos planos para reforma do Hospital de Pronto Socorro surgiram com o professor Clementino Fraga (1880 – 1971) à frente da Secretaria-Geral de Saúde e Assistência. Previa-se a instalação de 300 leitos e a aquisição de novas ambulâncias no projeto do novo hospital.
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Projeto do novo hospital / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 57
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Em 2 de junho de 1955, enquanto o novo hospital ainda estava em construção, o prefeito Alim Pedro (1907 – 1975), no centenário do nascimento de Souza Aguiar, deu ao Hospital do Pronto Socorro, o nome de Hospital Geral Souza Aguiar em reconhecimento. Em 1962, por meio da Lei n.º 279, o hospital passa a ser chamado Hospital Estadual Souza Aguiar e, posteriormente, torna-se Hospital Municipal Souza Aguiar.
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Um busto em homenagem a Francisco Marcelino de Souza Aguiar está no segundo andar da Biblioteca Nacional em exposição permanente
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Na edificação do novo hospital, por se tratar de uma construção de grandes proporções, as novas instalações entraram em funcionamento em etapas, à medida em que eram finalizadas e tinham condições de serem utilizadas. Até que em 04 de novembro de 1968, o novo prédio do Hospital Souza Aguiar foi inaugurado.
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Hospital Souza Aguiar / RIO DE JANEIRO (ESTADO). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS, 1972, p. 113
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Porém as obras de melhorias no Hospital Souza Aguiar não pararam, conforme discursa o governador Negrão de Lima, mais obras seriam realizadas até que ele ficasse à altura dos melhores hospitais (LIMA, Negrão de., 1965/1970), sendo considerado hoje o hospital com a maior emergência pública do Rio de Janeiro e da da América do Sul. Além disso, seu edifício atual, projetado pelo arquiteto Ary Garcia Roza (1911 – 1999), é considerado patrimônio da cidade e foi tombado em 2009. Possui belíssimas obras do artista e paisagista Roberto Burle Marx (1909 – 1994), como o painel interno de pedras e o muro escultório.
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Hospital Souza Aguiar. Mural de pedras.
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** Luciana F. Lau e Danielle Barreiros são bibliotecárias e Fabio Carvalho é arquivista do IBGE.
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Referências:
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ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Ivo Pitanguy: bibliografia. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2017.
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A UNIÃO. Rio das Ostras, RJ: [s.n.]. Semanal. Acesso em: 2 abr. 2025.
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DISTRITO FEDERAL (BRASIL). PREFEITURA. Assistência pública e privada no Rio de Janeiro (Brasil): história e estatística: commemoração do centenário da independência nacional. Rio de Janeiro: Typ. do Annuario do Brasil, 1922. 912 p.
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LIMA, Negrão de (Governador). Discursos: Visita às Novas Instalações do Hospital Souza Aguiar de [1965/1970]. Rio de Janeiro, RJ: [s. n.], [1965/1970]. Acesso em: 06 de março de 2025.
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RIO DE JANEIRO (Estado). SUPERINTENDÊNCIA DE SERVIÇOS MÉDICOS. Assistência pública: Guanabara : 80 anos de história. Rio de Janeiro: Secretaria de Saúde do Estado da Guanabara, Superintendência de Serviços Médicos, 1972. 408 p.
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SERVIÇO DE UROLOGIA. Hospital Souza Aguiar: experiência em atendimentos de urgência e emergência. [S. l.]: Serviço de Urologia, 2023. Acesso em: 06 de março de 2025.
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**Itens do acervo referenciados neste post:**
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