Files
brasiliano/wordpress/11558-100-anos-do-castelo-da-fiocruz-os-pedreiros-do-castelo-da-avenida-brasil.md
T
rodado 290c4cc21d feat: acervo Brasiliana Fotográfica coletado e mural 3D no ar
Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional)
para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059
com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444
objetos no ledger.

Os 75 itens sem preservação estão em errors.md: a página do item responde
200, mas a origem serve o bitstream com HTTP 500. Nenhum fica fora do mural,
porque todos têm thumbnail.

Não versionado, por viver no bucket ou ser reconstruível: catálogo,
posts .jsonl, atlas .webp, sqlite de estado e logs. Credenciais ficam de
fora pelo .gitignore.
2026-09-13 20:17:02 +02:00

53 lines
6.2 KiB
Markdown
Raw Blame History

This file contains invisible Unicode characters
This file contains invisible Unicode characters that are indistinguishable to humans but may be processed differently by a computer. If you think that this is intentional, you can safely ignore this warning. Use the Escape button to reveal them.
This file contains Unicode characters that might be confused with other characters. If you think that this is intentional, you can safely ignore this warning. Use the Escape button to reveal them.
---
id: 11558
url: "https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=11558"
titulo: "100 anos do Castelo da Fiocruz: os pedreiros do Castelo da Avenida Brasil"
autor: "Andrea Wanderley"
data: "2018-04-12T13:55:29+00:00"
categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"]
handles_referenciados: ["20.500.12156.1/5505", "20.500.12156.1/5501", "20.500.12156.1/5506", "20.500.12156.1/5504"]
fetched_at: "2026-09-10T09:55:17.527Z"
---
# 100 anos do Castelo da Fiocruz: os pedreiros do Castelo da Avenida Brasil
No segundo texto publicado na Brasiliana Fotográfica sobre o centenário do Castelo da Fiocruz, o pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fiocruz, uma das instituições parceiras do portal, aborda a construção do castelo mas, dessa vez, o foco são os pedreiros que trabalharam na obra. Inaugurado em 28 de fevereiro de 1918, o Castelo da Fiocruz é o local de trabalho de pesquisadores e técnicos que pesquisam, ensinam ciência e saúde pública; e que também fabricam medicamentos essenciais para a população. Projetado pelo arquiteto Luiz Moraes Junior (1872 – 1955), o edifício começou a ser erguido em 1905 e foi concluído em 1918. O próximo e último texto sobre o centenário do edifício será escrito pelo também pesquisador da Fiocruz, Renato da Gama-Rosa Costa, com detalhes sobre sua construção e sobre seu projeto arquitetônico. O primeiro texto, 100 anos do Castelo da Fiocruz: a ocupação de Manguinhos, é de autoria de Cristiane d´Avila, jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz.
 
Os pedreiros do castelo da avenida Brasil
Ricardo Augusto dos Santos*
 
Quem construiu as pirâmides? Quem carregou as pedras? Quais os nomes dos desconhecidos trabalhadores? Em memorável poema, o dramaturgo Bertold Brecht (1898-1956) indagava: no dia em que ficou pronta a Muralha da China, para onde foram os seus pedreiros? Perto do bairro de Bonsucesso, existe um castelo. Centenas de milhares de pessoas passam na Avenida Brasil, entrando ou saindo do Rio de Janeiro, ou vindo dos subúrbios para o centro da cidade e perguntam: que castelo é esse? O prédio é parte do monumental conjunto que compõe a Fundação Oswaldo Cruz.
 
J. Pinto. Operários na cavalariça, 1910. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
Mas não foi moradia de nobres portugueses? Não. É local de trabalho de pesquisadores e técnicos que pesquisam, ensinam ciência e saúde pública. Também fabricam medicamentos essenciais para a população. No final do século XIX, a fazenda, situada na zona norte do Rio de Janeiro, destinava-se à queima do lixo. Devido às epidemias – febre amarela, varíola e peste – que atacavam a cidade, iniciou-se uma série de ações que visavam a combater estas doenças.
Acessando o link para as imagens de operários da construção do Castelo da Fiocruz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
O Castelo da Fiocruz, como é mais conhecido o Pavilhão Mourisco, começou a ser construído em 1905, mas sua completa edificação terminaria somente em 1918. O desenho inicial foi feito pelo próprio Oswaldo Cruz (1872-1917) e, a partir da idéia, o arquiteto português Luís de Moraes (1868-1955) chegou ao projeto final. A construção está localizada no alto da colina principal da antiga fazenda, e sua fachada está voltada para o mar, que na primeira década do século XX, chegava próximo do terreno.
Desde 1981, o belo conjunto está tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico. O estilo mourisco foi inspirado no Palácio de Alhambra, em Granada, na Espanha. Os equipamentos elétricos funcionavam a partir de um gerador e o elevador, instalado em 1909, é o mais antigo em operação na cidade. Possuía sistemas de telefonia, refrigeração, relógios e termômetros sofisticados para a época. Ele apresenta tom vermelho nos tijolos das paredes externas. As varandas são revestidas de azulejos portugueses, o piso é coberto de mosaicos que lembram tapetes orientais. Os materiais utilizados na obra – tijolos, azulejos, cimento e mármores – foram importados da Europa. Muitos dos seus operários eram portugueses, espanhóis e italianos. Mas, também havia brasileiros.
 
J. Pinto. Pavilhão Mourisco em obras, . Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
Nas raras fotografias destes homens aparecem os rostos destes trabalhadores. Não eram nem reis nem rainhas. Ajudaram a formar uma história centenária. Neste castelo, a ciência e a saúde pública formaram uma sólida tradição. Na imagem, estes operários estão em frente ao prédio em obras. Seus nomes? Alguns tiveram seus registros nos cantos da história. Após a conclusão dos trabalhos, foram aproveitados em várias funções na própria instituição. Basilio Aor, austríaco, mestre de obras, homem de confiança de Luís de Moraes, continuou trabalhando como arquiteto em outros trabalhos. Faleceu em 1919. Um dos seus sete filhos, Hamlet William Aor (1910-1986), viria a trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz.
 
J. Pinto. Operários no castelo, 1910. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
Para onde foram os pedreiros do Castelo da Fiocruz? Teriam ido morar nas redondezas. Na área conhecida hoje como Parque Amorim, rua Sizenando Nabuco, situada entre o Campus da Fiocruz e a Linha Amarela.
 
Anônimo. Aspecto da Rua Sizenando Nabuco, 1952. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz
Acessando o link para as fotografias de aspectos da construção do Castelo da Fiocruz que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
 
Outras publicações sobre o tema na Brasiliana Fotográfica:
100 anos do Castelo da Fiocruz: a ocupação da Fazenda de Manguinhos
---
**Itens do acervo referenciados neste post:**
- `20.500.12156.1/5505` — `itens/20.500.12156.1_5505/`
- `20.500.12156.1/5501` — `itens/20.500.12156.1_5501/`
- `20.500.12156.1/5506` — `itens/20.500.12156.1_5506/`
- `20.500.12156.1/5504` — `itens/20.500.12156.1_5504/`