Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional) para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059 com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444 objetos no ledger. Os 75 itens sem preservação estão em errors.md: a página do item responde 200, mas a origem serve o bitstream com HTTP 500. Nenhum fica fora do mural, porque todos têm thumbnail. Não versionado, por viver no bucket ou ser reconstruível: catálogo, posts .jsonl, atlas .webp, sqlite de estado e logs. Credenciais ficam de fora pelo .gitignore.
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titulo: "O Monumento do Ipiranga por Guilherme Gaensly"
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autor: "Andrea Wanderley"
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# O Monumento do Ipiranga por Guilherme Gaensly
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Com uma imagem realizada pelo fotógrafo suíço Guilherme Gaensly (1843 – 1928), por volta de 1902, a Brasiliana Fotográfica destaca o Monumento do Ipiranga, em São Paulo, que desde final do século XIX abriga o Museu do Ipiranga, sede do Museu Paulista na cidade de São Paulo, que completa 130 anos. O registro pertence ao acervo fotográfico da Fundação Biblioteca Nacional, uma das instituições fundadoras do portal.
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Guilherme Gaensly. Monumento de Ipyranga, 1902?. São Paulo, SP / Acervo FBN
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Gaensly foi o autor de importantes registros de São Paulo, vendidos como fotografias em papel albuminado e colotipias impressas na Suíça e comercializadas em álbuns. Em 1899, a empresa The São Paulo Railway, Light and Power Company, o contratou como fotógrafo oficial, função que exerceu até 1925, três anos antes de sua morte. Na ocasião, a presença da Light representava a modernização da área urbana e dos serviços da cidade. Apesar de nunca ter sido o fotógrafo oficial de São Paulo, como foi Augusto Malta (1864 – 1957) no Rio de Janeiro, Gaensly foi o autor de uma abrangente obra sobre a capital paulista nas primeiras décadas do século XX, o que o coloca nessa posição.
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Ele e Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) são considerados os fotógrafos que mais cultuaram São Paulo. Gaensly fotografou a cidade em plena transição para a modernidade, tendo registrado todos os aspectos urbanos da nova metrópole que surgia. Registrou a inauguração dos bondes elétricos que substituíram as carroças, o Jardim da Luz, a agitação do comércio na região do entorno da Praça da Sé, o crescimento da avenida Paulista, além do Museu do Ipiranga, palacetes, chácaras, edifícios públicos, igrejas, escolas, teatros e hospitais. Essas vistas de São Paulo foram comercializadas em álbuns impressos na Suíça a partir de fotografias em papel albuminado e de colotipias. Fotografou também a chegada de imigrantes italianos em Santos e em São Paulo. Dentre os prêmios que recebeu, está uma medalha de prata conquistada na Exposição Universal de Saint Louis, em 1904.
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Breve histórico do Museu do Ipiranga ou Museu Paulista da Universidade de São Paulo
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O arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844 – 1915), segundo o próprio indicado por Ignacio da Gama Cochrane (1836 – 1912), superintendente de obras públicas da Província de São Paulo, foi contratado, em 1882, pela Comissão Provincial do Monumento do Ipiranga para realizar o projeto de um monumento-edifício no local onde aconteceu o Grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822. Sua escolha foi criticada pelo fato dele ser estrangeiro. Em 10 de dezembro de 1882, com a presença do governador de São Paulo, Francisco de Carvalho Soares Brandão(1839 – 1899), e de outras autoridades foi colocada a primeira pedra do monumento (Correio Paulistano, 11 de dezembro 1882, segunda coluna). Foi executado pelo mestre de obras Luigi Pucci (18? -?), também italiano. O edifício, localizado dentro do complexo do Parque Independência, foi construído entre 1885 e 1890. Em estilo eclético, tem 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade com muitos elementos decorativos e ornamentais. A técnica empregada, uma novidade na época, foi a da alvenaria de tijolos cerâmicos. Em São Paulo ainda predominavam as técnicas vernaculares, de construção em taipa. O edifício é tombado pelo patrimônio histórico municipal, estadual e federal.
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Tommaso Gaudencio Bezzi /Acervo Museu Paulista da USP
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As obras encerraram-se em 1890 (Correio Paulistano, 24 de junho de 1890, segunda coluna). Houve a possibilidade de abrigar uma escola pública, mas, em 1892 foi decidido que o Museu do Estado, criado em 1890, seria transferido para o Edifício-Monumento.
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Em 1893, instituiu-se o Museu Paulista, que foi inaugurado em 7 de setembro de 1895, no Monumento do Ipiranga (Correio Paulistano, 8 de setembro de 1895, quinta coluna). Possui um acervo de mais de 125 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação textual, do século XVII até meados do século XX.
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Correio Paulistano, 8 de setembro de 1895
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Assim as trajetórias do museu público mais antigo de São Paulo e do Monumento do Ipiranga se encontraram e, desde então, ele ficou conhecido como Museu do Ipiranga. O primeiro diretor do museu foi o zoólogo teuto-brasileiro Hermann von Ihering (1850 – 1930) e seu acervo originou-se na coleção particular do coronel Joaquim Sertório (18? – 1905). Em 1963, o Museu Paulista foi incorporado à Universidade de São Paulo.
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O Museu do Ipiranga foi fechado para o público, em 2013, devido a suas péssimas condições físicas e estruturais. Em 2019, foi iniciada as obras de sua reforma, cujo custo foi estimado em 235 milhões de reais. Sua área construída foi dobrada e, a área expositiva, triplicada. O Jardim Francês e suas fontes foram recuperados. Foi reinaugurado em 7 de setembro de 2022, quando foi comemorado o bicentenário da Independência do Brasil. No dia seguinte, foi aberto ao público.
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Uma das obras mais conhecidas de seu acervo é o quadro Independência ou Morte, pintado pelo artista Pedro Américo, em 1888.
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Independência ou morte, Pedro Américo (1888) / Acervo Museu Paulista
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Breve perfil de Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844 – 1915)
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O tenente-coronel, engenheiro e arquiteto Tommaso Gaudenzio Bezzi / Fon-Fon!, 29 de maio de 1915
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Bezzi formou-se engenheiro, em Turim, onde nasceu em 18 de janeiro de 1844. Foi voluntário, nas campanhas de Giuseppe Garibaldi (1807 – 1882) para a unificação italiana. Também serviu como oficial do regimento de cavalaria do exército regular, comandado pelo Duque D’Aosta (1845 – 1890), tendo se destacado na Batalha de Custosa contra os austríacos. Foi ferido em combate diversas vezes e foi condecorado com medalhas pelas campanhas da Itália de 1860-1861-1866. Foi condecorado por bravura com uma medalha de prata. Em 1868, viajou para o Uruguai e Argentina.
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Seu primeiro projeto no Brasil, para onde veio, na década de 1870, foi o edifício da alfândega de Fortaleza, realizado a pedido do governo imperial, em 1874 (Diário do Rio de Janeiro, 14 de abril de 1874, primeira coluna; Jornal do Commercio, 19 de julho de 1877, quarta coluna; A Constituição (CE), 20 de novembro de 1874, penúltima coluna). Começou a trabalhar como engenheiro-arquiteto no Rio de Janeiro, onde, inicialmente, ficou hospedado na casa do Visconde do Rio Branco (1819 – 1880). Casou-se, em 26 de janeiro de 1876, com Dona Francisca Nogueira da Gama Carneiro de Bellens, de uma nobre família brasileira (Diário do Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1876, quinta coluna). A partir dessas relações entrou para o círculo íntimo do imperador Pedro II (1825 – 1891). O casal residia na Rua Bambina, em Botafogo.
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Em 1876, foi designado para fiscalizar as obras da ponte da alfândega de Belém do Pará (A Constituição (PA), 19 de agosto de 1876, última coluna).
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Na Exposição Antropológica Brasileira, inaugurada em 29 de julho de 1882, no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na Sala Gabriel Soares, foram expostos produtos da arte plumária brasileira, adornos, tecidos e vestes de muitas tribos do Brasil, além das coleções arqueolíticas do Museu Nacional, de Amália Machado Cavalcanti de Albuquerque e dos senhores Joaquim Monteiro Caminhoá (1836 – 1896), João Barbosa Rodrigues (1842 – 1909) e Tommaso G. Bezzi (1844 – 1915) (A Constituição (PA), 16 de agosto de 1882, terceira coluna). A mostra durou três meses e teve muito sucesso, com um público de mais de mil visitantes.
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Ainda em 1882, a Comissão para o Monumento à Independência Brasileira, futuro Museu do Ipiranga, sede do Museu Paulista, cujo projeto vencedor foi o de Bezzi, o qualificou como arquiteto residente na Corte de reconhecido merecimento artístico (Correio Paulistano, 11 de dezembro de 1882, terceira coluna). Em 1883, Bezzi passou a residir em São Paulo, na Rua do Senador Florencio de Abreu, 43 (Correio Paulistano, 6 de julho de 1883, última coluna). Também em São Paulo projetou o ajardinamento da Praça da República, realizado entre 1902 e 1904 (Arquivo Histórico de São Paulo); e o Velódromo de São Paulo, inaugurado na década de 1890.
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No Rio de Janeiro, além do Clube Naval, Bezzi projetou diversos prédios e residências, dentre eles o antigo Banco do Comércio, na Rua 1º de Março, e reformou o Edifício Itamarati, antiga sede do Ministério das Relações Exteriores, tendo construído sua ala esquerda.
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Bezzi fundou algumas associações de fundo patriótico ligadas à Itália, dentre elas a Sociedade dos Combatentes Italianos pela unidade e pela independência da Itália, a Societa Veterani e Reduci e a Sociedade União Beneficente. Foi eleito membro honorário do Instituto de Engenheiros Civis de Londres, agraciado como Oficial da Legião de Honra da França e com o Hábito da Ordem Militar de São Maurício e São Lázaro, pelo governo da Itália. Era Comendador da Coroa Italiana e o representante no Brasil da Cruz Vermelha italiana (Jornal do Brasil, 30 de maio de 1915, sexta coluna).
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Faleceu em 23 de maio de 1915, no Rio de Janeiro. Residia na Rua Cosme Velho, 57 (O Paiz, 24 de maio de 1915, terceira coluna; Correio da Manhã, de maio de 1915, penúltima coluna).
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O Paiz, 28 de maio de 1915
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Andrea C. T. Wanderley
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Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
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Fontes
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BREFE, Ana Claudia Fonseca. O Museu Paulista – Affonso de Taunay e a memória nacional. São Paulo : Editora UNESP, 2025.
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EMERICH, Denise (autora); DIAS, Fabiano (tradutor). Museu Paulista: 120 anos de história | 120 years of history (PT/ING). São Paulo : Editora Brasileira, 2016.
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Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
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NERY, Pedro. Arte, pátria e civilização: A formação dos acervos artísticos do Museu Paulista e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1893-1912. Revista Fórum Permanente, dezembro de 2016.
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ONO, Rosaria; LIMA, Solange Ferraz. O novo Museu do Ipiranga no Bicentenário da Independência do Brasil. São Paulo, 2022.
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Site Arquitetura Italiana no Estado de São Paulo
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Site Fflch – Enciclopédia de Antropologia
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Site Museu do Ipiranga
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**Itens do acervo referenciados neste post:**
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