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Série “Carnavais de antigamente” II – O carnaval do Cordão da Bola Preta
Andrea Wanderley
2018-02-09T10:24:22+00:00
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Série “Carnavais de antigamente” II – O carnaval do Cordão da Bola Preta
Anônimo. Salve! “Cordão da Bola Preta”, Penha de 1936, 1936. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN
A Brasiliana Fotográfica destaca uma fotografia do Cordão da Bola Preta no ano do centenário do mais antigo bloco carnavalesco do Rio de Janeiro. A imagem, que pertence à Biblioteca Nacional, uma das parceiras do portal, revela a irreverência e a alegria dos componentes da agremiação, cuja criação tem origem em 1917, quando um grupo de ex-integrantes do tradicional Clube dos Democráticos se uniu sob a liderança de Álvaro Gomes de Oliveira, o Caveirinha, para formar o cordão Só Bebe Água, cujo logotipo trazia um barril de chope com 18 torneiras ligadas à boca de seus componentes.
O Bola Preta foi fundado em 31 de dezembro de 1918, por Caveirinha, Francisco Brício Filho, o Chico Brício, Eugênio Ferreira, João Torres, e pelos três irmãos Oliveira Roxo. Um dos ícones do carnaval carioca, o Bola Preta tornou-se, pelo Decreto n° 27594 de 14 de fevereiro de 2007, da Prefeitura do Rio de Janeiro, patrimônio cultural imaterial da cidade. Em 2014, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), entregou ao bloco mais antigo da cidade a placa que o identifica como um lugar importante para a história e memória do patrimônio cultural carioca (O Globo, 28 de fevereiro de 2014).
A versão popular da origem do nome do bloco carnavalesco conta que foi um de seus fundadores, o Caveirinha, que, no dia 31 de dezembro de 1918, confraternizando com outros amigos na Galeria Cruzeiro do Hotel Avenida, localizado na avenida Central, avistou uma linda mulher trajada com um vestido branco com bolas pretas. Porém, o pesquisador André Diniz, organizador do livro Vem pro Bola, meu bem: crônicas e histórias do Cordão da Bola Preta revelou que, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, Caveirinha declarou que a origem do nome havia sido outra: os fundadores do bloco decidiam quem poderia ou não entrar no clube exibindo bolas pretas ou brancas.
Último representante dos cordões carnavalescos cariocas do início do século XX e um dos mais antigos do Brasil, possui uma marchinha muito conhecida, composta por Nelson Barbosa e Vicente Paiva (1908 – 1964): a Marcha do Cordão da Bola Preta (1935), famosa pelo verso Quem não chora, não mama! Segura, meu bem, a chupeta. É com essa música, considerada o hino da agremiação, que os desfiles do Bola Preta, nos sábados de carnaval, são abertos.
Marcha do Cordão da Bola Preta
(gravação de Carmen Costa para o carnaval de 1962)
Compositores: Nelson Barbosa e Vicente Paiva
Quem não chora não mama!
Segura, meu bem, a chupeta.
Lugar quente é na cama
Ou então no Bola Preta.
Vem pro Bola, meu bem,
Com alegria infernal!
Todos são de coração!
Todos são de coração.
(Foliões do carnaval).
(Sensacional!)
Acesse aqui todos os artigos da Série Carnavais de antigamente.
Andrea C. T. Wanderley
Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica
Fontes:
Diário do Rio.com
Guia Cultural do Centro Histórico do Rio de Janeiro
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
O Globo, 19 de janeiro de 2018
Site do Cordão da Bola Preta
Site do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
Acessando o link para as fotografias de Carnaval disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.