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| 27390 | https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27390 | Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XVIII – A Praça Onze | Andrea Wanderley | 2022-04-20T14:09:19+00:00 |
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Série “O Rio de Janeiro desaparecido” XVIII – A Praça Onze
Devido à pandemia da Covid-19, o Carnaval carioca de 2022 foi adiado para abril e começa hoje. E a Praça Onze, um dos berços do samba, é o tema do 18º artigo da Série O Rio de Janeiro desaparecido com imagens tanto do Instituto Moreira Salles como da Fundação Biblioteca Nacional, fundadoras da Brasiliana Fotográfica, além de uma foto aérea do local pertencente ao Museu Aeroespacial, instituição parceira do portal. Praça Onze de Junho; monumento em homenagem a Getúlio Vargas, c. 1940. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS Três delas foram produzidas por fotógrafos ainda não identificados, duas pelo fotógrafo amador Guilherme Santos (1871 – 1966) – do chafariz e do monumento em homenagem a Getúlio Vargas -, e duas por Augusto Malta (1864 – 1957) – um panorama da praça e outra do cortejo fúnebre do prefeito Pereira Passos (1846 – 1913). Malta foi, de 1903 a 1936, o fotógrafo oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro. Augusto Malta. Praça 11 de junho, 19?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN Acessando o link para as fotografias da Praça Onze disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens. Carnaval na Praça XI, c. 1937. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN Conhecida como Praça Onze, seu nome oficial é Praça 11 de junho, uma homenagem à data em que foi travada a decisiva Batalha do Riachuelo, em 1865, na Argentina, durante a Guerra do Paraguai. Inicialmente, nas primeiras décadas do século XIX, em torno da época em que dom João VI chegou ao Brasil, era chamada de Largo do Rocio Pequeno.
Em fins do século XIX, era o local da casa da lendária Tia Ciata (1854 – 1924), Hilária Batista de Almeida; na região da Pequena África do Brasil, expressão baseada numa afirmação do cantor e pintor Heitor dos Prazeres (1898 – 1966) se referindo à área que começava no Porto do Rio de Janeiro e abrangia os atuais bairros da Saúde, Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova, até a Praça Onze de Junho. Foi lá que, a partir da década de 1870, a comunidade baiana se estabeleceu no Rio de Janeiro, fazendo da área um local de concentração de diversas manifestações da cultura afro-brasileira. Foi também na Pequena África que a Deixa Falar, considerada a primeira escola de samba, foi fundada, em 12 de agosto de 1928, pelos sambistas Bide, Mano Edgar, Brancura, Baiaco, dentre outros, além de Ismael Silva, que reivindicava a autoria da expressão escola de samba. O músico João da Baiana (1887 – 1974) era filho de Prisciliana Maria Constança, e o também músico Donga (1871 – 1974), era filho de Amélia Silvana de Araújo, tias baianas da Pequena África. Eras irmãs-de-santo de Tia Ciata, no terreiro de João Alabá, um dos principais babalorixás do candomblé no Rio de Janeiro. Havia também as tias Bebiana, Carmen e Mônica, dentre outras, que fizeram de suas casas pontos de referência e de convívio, que garantiram a manutenção das tradições africanas na cidade. Nessas casas eram cultuadas a música e a religiosidade afro-brasileira. Essas casas, principalmente a de Tia Ciata, foram espaços fundamentais para o florescimento da música popular carioca. Segundo depoimento de João da Baiana: “os velhos ficavam na parte da frente cantando partido-alto…os jovens ficavam no quarto cantando samba corrido. E no terreiro ficava o pessoal que gostava de batucada”. Também no entorno da Praça Onze se instalaram imigrantes judeus – entre 1925 e 1935, principalmente – além de portugueses, espanhóis e italianos, tornando a região bastante cosmopolita. Guilherme Santos. Praça Onze de Junho – chafariz, 1929. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS Obras de modernização realizadas na região pela Prefeitura do Rio de Janeiro, nos anos 30, reduziram muito a Praça Onze de Junho. Logo no início da década de 40, durante o Estado Novo, o então presidente Getúlio Vargas (1882 – 1954) decidiu construir a avenida Presidente Vargas e, pelo projeto, os quarteirões entre as ruas Visconde de Itaúna e Senador Eusébio desapareceriam para sua abertura (O Malho, dezembro de 1941). Começaram as demolições. Inúmeras famílias foram desalojadas, prédios foram derrubados, dentre eles algumas construções históricas, como a Igreja de São Pedro dos Clérigos, que já foi tema de um dos artigos da série O Rio de Janeiro desaparecido. O segundo trecho da nova avenida foi concluído em 10 de novembro de 1942; e, em 10 de novembro de 1943, foi batizada de Presidente Vargas. Finalmente, em 7 de setembro de 1944, foi inaugurada (O Malho, dezembro de 1942, abril de 1943, dezembro de 1943; O País, 10 de novembro de 1943; Jornal do Brasil, 8 de setembro de 1944). Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro Na época da demolição, a Praça Onze não era apenas um logradouro carioca, mas uma espécie de bairro, pois englobava todas as ruas das imediações. Hoje, esta importante referência na história da formação do Rio de Janeiro, da cultura brasileira e da criação do samba, não existe mais, porém sua região continua sendo importante para o samba: o Sambódromo e o Terreirão do Samba, inaugurados em 1984 e 1991, respectivamente, estão localizados na área. Da Praça Onze resta um pequeno jardim, onde foi instalado um monumento em homenagem a Zumbi, em 1986. Escola de Aeronáutica. Vista Aérea da Zona Central do Rio de Janeiro, 21 de novembro de 1941. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Aeroespacial
Ouça aqui a música Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo Praça Onze Herivelto Martins e Grande Otelo Vão acabar com a Praça Onze Não vai haver mais Escola de Samba, não vai Chora o tamborim Chora o morro inteiro Favela, Salgueiro Mangueira, Estação Primeira Guardai os vossos pandeiros, guardai Porque a Escola de Samba não sai Adeus, minha Praça Onze, adeus Já sabemos que vais desaparecer Leva contigo a nossa recordação Mas ficarás eternamente em nosso coração E algum dia nova praça nós teremos E o teu passado cantaremos Augusto Malta. Cortejo fúnebre do prefeito Pereira Passos, 31 de maio de 1913. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS Acesse aqui o artigo Próxima parada: os primórdios do samba, de autoria do jornalista e pesquisador Pedro Paulo Malta, publicado em fevereiro de 2026, no blog da Editora Todavia. Andrea C. T. Wanderley Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica Fontes: BUENO, Eduardo. TIA CIATA E A PRAÇA ONZE: COMO SURGIRAM AS ESCOLAS DE SAMBA Diário do Rio – Avenida Presidente Vargas
Diário do Ri0 – Praça Onze GERSON, Brasil. História das Ruas do Rio. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2013. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional www.letras.mus.br/ MALAMUD, Samuel. Recordando a Praça Onze. 1ª edição, Rio de Janeiro, Editora Kosmos, 1988 MOURA, Roberto. Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Funarte, 1983. SILVA, Beatriz Coelho. Negros e Judeus na Praça Onze. A História que não ficou na memória. Rio de Janeiro : Bookstart, 2015. Site Biblioteca Nacional Site MultiRio Links para os outros artigos da Série O Rio de Janeiro desaparecido Série O Rio de Janeiro desaparecido I - Salas de cinema do Rio de Janeiro do início do século XX, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de fevereiro de 2016. Série O Rio de Janeiro desaparecido II – A Exposição Nacional de 1908 na Coleção Família Passos, de autoria de Carla Costa, historiadora do Museu da República, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 5 de abril de 2018. Série O Rio de Janeiro desaparecido III – O Palácio Monroe, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica, em 9 de novembro de 2016. Série O Rio de Janeiro desaparecido IV - A via elevada da Perimetral, de autoria da historiadora Beatriz Kushnir, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2017. Série O Rio de Janeiro desaparecido V – O quiosque Chopp Berrante no Passeio Público, Ferrez, Malta e Charles Dunlop, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 20 de julho de 2018. Série O Rio de Janeiro desaparecido VI – O primeiro Palácio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de setembro de 2018. Série O Rio de Janeiro desaparecido VII – O Morro de Santo Antônio na Casa de Oswaldo Cruz, de autoria de historiador Ricardo Augusto dos Santos da Casa de Oswaldo Cruz, publicado na Brasiliana Fotográfica em 5 de fevereiro de 2019. Série O Rio de Janeiro desaparecido VIII – A demolição do Morro do Castelo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 30 de abril de 2019. Série O Rio de Janeiro desaparecido IX – Estrada de Ferro Central do Brasil: estação e trilhos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de novembro de 2019. Série O Rio de Janeiro desaparecido X – No Dia dos Namorados, um pouco da história do Pavilhão Mourisco em Botafogo, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de junho de 2020. Série O Rio de Janeiro desaparecido XI – A Estrada de Ferro do Corcovado e o mirante Chapéu de Sol, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 22 de julho de 2021. Série O Rio de Janeiro desaparecido XII – o Teatro Lírico (Theatro Lyrico), de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 15 de setembro de 2021. Série O Rio de Janeiro desaparecido XIII – O Convento da Ajuda, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 12 de outubro de 2021. Série O Rio de Janeiro desaparecido XIV – O Conselho Municipal, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de novembro de 2021. Série O Rio de Janeiro desaparecido XV – A Praia de Santa Luzia no primeiro dia do verão, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 21 de dezembro de 2021. Série O Rio de Janeiro desaparecido XVI – O prédio da Academia Imperial de Belas Artes, de autoria de Andrea C.T. Wanderley, publicado na Brasiliana Fotográfica em 13 de janeiro de 2022. Série O Rio de Janeiro desaparecido XVII – Igreja São Pedro dos Clérigos, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 18 de março de 2022. Série O Rio de Janeiro desaparecido XIX – A Igrejinha de Copacabana, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 23 de junho de 2022. Série O Rio de Janeiro desaparecido XX – O Pavilhão dos Estados, futuro prédio do Ministério da Agricultura, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 26 de julho de 2022. Série O Rio de Janeiro desaparecido XXI – O Chafariz do Largo da Carioca, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 19 de setembro de 2022. Série O Rio de Janeiro desaparecido XXII – A Cadeia Velha que deu lugar ao Palácio Tiradentes, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicado na Brasiliana Fotográfica em 11 de abril de 2023 Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIII e Avenidas e ruas do Brasil XVII - A Praia e a Rua do Russel, na Glória, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 15 de maio de 2023 Série O Rio de Janeiro desaparecido XXIV – O luxuoso Palace Hotel, na Avenida Rio Branco, uma referência da vanguarda artística no Rio de Janeiro, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 4 de julho de 2023 Série O Rio de Janeiro desaparecido XXV – O Theatro Phenix, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 5 de setembro de 2023 Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVI – Conclusão do arrasamento do Morro do Castelo por Augusto Malta, de autoria de Andrea C. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, publicada em 14 de dezembro de 2023 Série O Rio de Janeiro desaparecido XXVII e Série Os arquitetos do Rio de Janeiro V – O Jockey Club e o Derby Club, na Avenida Rio Branco e o arquiteto Heitor de Mello (1875 – 1920), de autoria de Andrea c. T. Wanderley, editora e pesquisadora do portal, em 15 de janeiro de 2024 Links para artigos sobre carnaval já publicados na Brasiliana Fotográfica
O carnaval nas primeiras décadas do século XX, publicado em 5 de fevereiro de 2016 Augusto Malta. Grupo de homens fantasiados para o carnaval, As Marrequinhas, 1913. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS O carnaval do Cordão da Bola Preta, publicado em 9 de fevereiro de 2018 Anônimo. Salve! “Cordão da Bola Preta”, Penha de 1936, 1936. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN As Camélias Japonesas no carnaval de Alagoas pelas lentes do fotógrafo amador Luiz Lavenère Wanderley (1868 – 1966, publicado em 21 de fevereiro de 2020 L. Lavenère. Lembrança de Maceió /[Um clube carnavalesco], 1906. Maceió, Alagoas /Acervo Arquivo Nacional Cenas da folia em Manaus em 1913, publicado em 28 de fevereiro de 2020 Carnaval, 1913. Manaus, Amazonas / Acervo Casa de Oswaldo Cruz Baile de Carnaval em Santa Teresa – Di Cavalcanti, Klixto e Helios Seelinger, na casa de Raul Pederneiras Baile de Carnaval, c. 1921. Santa Teresa, Rio de Janeiro / Acervo FBN Acessando o link para as fotografias de Carnaval disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas
Itens do acervo referenciados neste post:
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