Files
brasiliano/wordpress/13880-as-expedicoes-do-instituto-oswaldo-cruz-entre-1911-e-1913.md
T
rodado 290c4cc21d feat: acervo Brasiliana Fotográfica coletado e mural 3D no ar
Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional)
para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059
com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444
objetos no ledger.

Os 75 itens sem preservação estão em errors.md: a página do item responde
200, mas a origem serve o bitstream com HTTP 500. Nenhum fica fora do mural,
porque todos têm thumbnail.

Não versionado, por viver no bucket ou ser reconstruível: catálogo,
posts .jsonl, atlas .webp, sqlite de estado e logs. Credenciais ficam de
fora pelo .gitignore.
2026-09-13 20:17:02 +02:00

67 lines
9.8 KiB
Markdown
Raw Blame History

This file contains invisible Unicode characters
This file contains invisible Unicode characters that are indistinguishable to humans but may be processed differently by a computer. If you think that this is intentional, you can safely ignore this warning. Use the Escape button to reveal them.
This file contains Unicode characters that might be confused with other characters. If you think that this is intentional, you can safely ignore this warning. Use the Escape button to reveal them.
---
id: 13880
url: "https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=13880"
titulo: "As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913"
autor: "Andrea Wanderley"
data: "2019-03-14T11:58:05+00:00"
categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"]
handles_referenciados: ["20.500.12156.1/6251", "20.500.12156.1/6247", "20.500.12156.1/6252"]
fetched_at: "2026-09-10T09:57:43.175Z"
---
# As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913
Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, médicos do Instituto Oswaldo Cruz realizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva (1880 – 1943) e Belisário Penna (1868 – 1939) percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. João Pedro de Albuquerque  (1874 – 1934) e José Gomes de Faria (1887 – 1962) dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí. Por sua vez, Adolpho Lutz (1855 – 1940) e Astrogildo Machado (1885-1945) desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, Carlos Chagas (1878 – 1934), Pacheco Leão (1872 – 1931) e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913. A partir dessas expedições científicas, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro”. A jornalista Cristiane d´Avila, do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, uma das parceiras do portal, conta um pouco dessa história.
 
As expedições do Instituto Oswaldo Cruz entre 1911 e 1913
Cristiane d’Avila*
 
 
Angelus Novus, por Paul Klee, 1920 / Museu de Israel, Jerusalém
Em O mapa fantasma, o norte-americano Steven Johnson (1968 -) sabiamente elege como abre-alas de seu thriller científico sobre a epopeia inglesa para debelar o cólera, na Londres vitoriana do século 19, o pintor e poeta alemão nascido na Suíça, Paul Klee (1879 – 1940), e o filósofo alemão Walter Benjamin (1892 – 1940). Destaca Johnson que Benjamin, ao interpretar o quadro de Klee, Angelus Novus, deduz, em insight genial, que o anjo novo (redenominado O Anjo da História), sabedor da força do progresso que irremediavelmente o tragaria, mira o passado, voltando as costas ao futuro.
A resistência do anjo de Klee à força do sopro da “tempestade” do progresso, sugere o futuro como ruptura inexorável com o passado. Não muito longe do universo de Klee e Benjamin, que vivenciaram os horrores da Primeira Guerra Mundial e anteviam as ameaças que acarretariam o conflito bélico subsequente, no Brasil travava-se um outro tipo de guerra, dessa feita contra micróbios e bactérias que aniquilavam as chances de o país superar seu malfadado “atraso”.
 
Acessando o link para as fotografias das expedições do Instituto Oswaldo Cruz  selecionadas para esse artigo e disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas. 
 
Naquele início de século, a construção nacional nos moldes europeus mirava ideais civilizadores em todas as esferas da vida social. Em processo de urbanização e industrialização, principalmente no Sudeste, o país voltava-se inquieto e intrigado para seu imenso interior, buscando na pesquisa científica a chave para compreender os obstáculos colocados ao progresso por um território até então invisível.
 
A comissão no vapor Rio Jamary, Amazonas, 1913. Amazônia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
Embora conceitualmente divergentes, as perspectivas sobre a realidade nacional cruzavam-se em um ponto de interseção: era preciso superar o “atraso”, considerado fruto de determinações socioeconômicas, históricas, políticas, climáticas, raciais e geográficas, por meio de estratégias que permitissem integrar o Brasil ao mundo moderno. Todas, ainda que se apoiassem em discursos antagônicos, não deixavam de buscar soluções para o desconforto, o sentimento de inadequação que a nossa realidade provocava nas elites nacionais. Como afirma Roberto Schwarz, essa experiência “pode ser e foi interpretada de muitas maneiras, por românticos, naturalistas, modernistas, esquerda, direita, cosmopolitas, nacionalistas etc., o que faz supor que corresponda a um problema durável e de fundo” (2005, p.109).
Campanhas de saúde foram realizadas por sanitaristas no interior do país a fim de erradicar doenças que mortificavam milhares de brasileiros, como a malária e a febre amarela. A partir das expedições científicas empreendidas por médicos do Instituto Oswaldo Cruz, “a saúde pública como base para a construção da nacionalidade permitiu que fosse abandonada a tese da inferioridade racial do brasileiro” (OLIVEIRA, 1990, P.145).
Com o objetivo de acompanhar obras de construção de ferrovias e a inspeção sanitária de portos, esses médicos protagonizaram, entre 1911 e 1913, três expedições ao Nordeste e Centro-Oeste do Brasil: Arthur Neiva e Belisário Penna percorreram o norte da Bahia, o sudeste de Pernambuco, o sul do Piauí e Goiás de norte a sul. João Pedro de Albuquerque e José Gomes de Faria dirigiram-se para o Ceará e o norte do Piauí.
Vista do acampamento em Caldeirão, 1912. Pernambuco / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
Por sua vez, Adolpho Lutz e Astrogildo Machado desceram o rio São Francisco, de Pirapora a Juazeiro, cruzando também alguns de seus afluentes, entre março e outubro de 1912. O objetivo era realizar amplo levantamento das condições epidemiológicas e socioeconômicas das regiões percorridas pelo rio São Francisco e de outras áreas do Nordeste e Centro-Oeste brasileiros. A serviço da Superintendência da Defesa da Borracha, Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque inspecionaram boa parte da bacia do rio Amazonas, entre outubro de 1912 e março de 1913.
“As expedições desse triênio foram demoradas e percorreram extensas áreas onde as investigações científicas predominaram sobre as preocupações médico-sanitárias de curto prazo. Estas expedições produziram, através dos relatórios de viagem e de intenso uso da fotografia, um minucioso registro das condições de vida da população interiorana, seus hábitos, suas técnicas, sua mentalidade, associando às questões sanitárias os aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais das regiões percorridas”, escreveram os organizadores do livro A ciência a caminho da roça (1992, p.7). Algumas fotografias dessas expedições podem ser aqui observadas.
Linha do tempo das expedições realizadas entre 1910 e 1913 (Fonte: www.fiocruz.br/ioc), com o objetivo de conhecer e mapear o quadro nosológico de regiões brasileiras para aumentar seu potencial produtivo, visando a sua modernização:
1910: Oswaldo Cruz e Belisário Penna seguem para a Amazônia, em ação de controle da malária para a Madeira-Mamoré Railway Company.
1912 (abril a outubro): Arthur Neiva e Belisário Penna percorrem Piauí, Pernambuco, Bahia e Goiás, para o reconhecimento topográfico e o levantamento sanitário das regiões secas, por requisição da Inspetoria de Obras Contra as Secas, órgão do Ministério dos Negócios da Indústria, Viação e Obras Públicas. Estão incluídos estudos da fauna, flora, geografia, condições de vida e história das localidades.
1912-1913: Carlos Chagas, Pacheco Leão e João Pedro de Albuquerque partem em expedição para avaliar as condições sanitárias e de vida dos principais centros de produção da borracha através dos rios Solimões, Juruá, Purus, Acre, Iaco, Negro e o baixo rio Branco, em expedição requisitada pela Superintendência da Defesa da Borracha.
 
Grupo da comissão a bordo do Rio de Janeiro: Carlos Chagas, Pacheco Leão, João Pedroso, posando ao lado da tripulação do navio, 1912. Amazônia / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
 
*Cristiane d’Avila  é jornalista do Departamento de Arquivo e Documentação Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz
 
Fontes:
 
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. CASA DE OSWALDO CRUZ. A ciência a caminho da roça: imagens das expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 d 1913. Rio de Janeiro: Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz, 1992.
JOHNSON, Steven. O mapa fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
LIMA, Nísia Trindade. “Missões civilizatórias da República e interpretação do Brasil” Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 5, supl. p. 163-193, Julho 1998. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59701998000400010&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 08 Jan. 2019.
OLIVEIRA, Lúcia Lippi. A questão nacional na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1990.
SCHWARZ, Roberto. “Nacional por subtração”. In: Cultura e política. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
 
Para saber mais sobre as expedições do Instituto Oswaldo Cruz, acesse o artigos publicados na Brasiliana Fotográfica:
 
Manguinhos e os sertões, publicado em 9 de outubro de 2017
Nos passos de Oswaldo: imagens das expedições do IOC aos portos do Brasil entre 1911 e 1913, publicado em 25 de maio de 2020
---
**Itens do acervo referenciados neste post:**
- `20.500.12156.1/6251` — `itens/20.500.12156.1_6251/`
- `20.500.12156.1/6247` — `itens/20.500.12156.1_6247/`
- `20.500.12156.1/6252` — `itens/20.500.12156.1_6252/`