Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional) para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059 com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444 objetos no ledger. Os 75 itens sem preservação estão em errors.md: a página do item responde 200, mas a origem serve o bitstream com HTTP 500. Nenhum fica fora do mural, porque todos têm thumbnail. Não versionado, por viver no bucket ou ser reconstruível: catálogo, posts .jsonl, atlas .webp, sqlite de estado e logs. Credenciais ficam de fora pelo .gitignore.
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titulo: "A Ilha Fiscal na Baía de Guanabara"
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autor: "Andrea Wanderley"
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data: "2020-04-27T01:30:35+00:00"
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categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"]
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# A Ilha Fiscal na Baía de Guanabara
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A Brasiliana Fotográfica destaca seis imagens da Ilha Fiscal, uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro, localizada na Baía de Guanabara. Foram produzidas pelos fotógrafos Jorge Kfuri (1893 – 1965), Juan Gutierrez ( c. 1860 – 1897) e Marc Ferrez (1843 – 1923). O registro de Kfuri é de 1916 e os de Ferrez e de Gutierrez das últimas duas décadas do século XIX. O edifício da ilha, projeto do engenheiro Adolpho José Del Vecchio (1848 – 1927), foi inaugurado em 27 de abril de 1889.
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Acessando o link para as fotografias da Ilha Fiscal disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
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Espécie de elo entre o passado e o presente, a Ilha Fiscal, que ocupa uma área de 7000 m2 e se distancia do continente por pouco mais de um quilômetro, notabilizou-se por ter sido o cenário do último baile do império, realizado em 9 de novembro de 1889, dias antes da Proclamação da República no Brasil, ocorrida em 15 de novembro de 1889. Na década de 1910, o domínio da Ilha Fiscal foi transferido do Ministério da Fazenda para a Marinha. Integra o Complexo Cultural da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica. A Ilha Fiscal foi tombada, em 1990, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, e aberta à visitação pública em 1999.
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Jorge Kfuri. Ilha Fiscal, 1916. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM
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A construção de um posto alfandegário para o controle de mercadorias comercializadas no porto do Rio de Janeiro foi solicitada pelo conselheiro João Antônio Saraiva (1823 – 1895), do Ministério da Fazenda, no século XIX, e a localização da, na época conhecida como Ilha dos Ratos, era ideal devido à proximidade aos pontos de fundeio dos navios mercantes estrangeiros que aportavam à Baía de Guanabara, na altura da atual Praça XV. Foi o imperador Pedro II que decidiu construir o prédio e que optou pelo estilo arquitetônico gótico-provençal, típico dos castelos franceses do século XIV e inspirado pelo trabalho do arquiteto francês Viollet-le-Duc (1814 – 1879). Durante a construção, fez frequentes visitas à ilha p.ara verificar o progresso dos trabalhos.
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Juan Gutierrez. Ilha Fiscal, 189?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional
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O projeto da edificação foi de Adolpho José Del Vecchio ( 1848 – 1927), então Engenheiro-Diretor de Obras do Ministério da Fazenda, e ganhou a Medalha de Ouro na Exposição da Academia Imperial de Belas Artes de 1890, tendo sido apresentado com a seguinte argumentação:
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“A construção planejada, tendo de ser levantada isoladamente em uma ilha, projetando-se sobre um fundo formado pela caprichosa Serra dos Órgãos, encimada por vasto horizonte, e de frente para a entrada da baía, devia causar impressão agradável aos que penetrassem no porto, suficientemente elevada para que pudesse facilmente ser vista de qualquer ponto entre a mastreação dos navios, e prestar-se ao mesmo tempo à fiscalização do ancoradouro.”
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Del Vecchio foi diretor de diversas outras obras de vulto como a das Docas Pedro II e da Praça do Comércio. Exerceu cargos importantes e recebeu diversas condecorações e prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua carreira (O Paiz, 6 e 7 de junho de 1927, terceira coluna; Revista Brasileira de Engenharia, junho de 1927).
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Adolpho del Vecchio
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Catálogo da Exposição de Belas Artes de 1890
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Juan Gutierrez. Ilha Fiscal, 189?. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Histórico Nacional
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Em 6 de novembro de 1881, foi assentada a primeira pedra do edifício (Gazeta de Notícias, 7 de novembro de 1881, última coluna). No ano seguinte, del Vecchio foi condecorado como Oficial da Ordem da Rosa (Gazeta de Notícias, 26 de março de 1882, terceira coluna). O prédio da Ilha Fiscal foi inaugurado em 27 de abril de 1889 com a presença de Pedro II, do Conde d´Eu e de uma grande comitiva de ministros e autoridades. A elegante construção ocupa cerca de um terço da ilha medindo 68 metros de frente e 28 de fundos. Seu torreão tem 53 metros de altura ( Jornal do Commercio, 28 de abril de 1889, sexta coluna).
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“A ilha é um delicado estojo, digno de uma brilhante joia”
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Dom Pedro II
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A Ilha Fiscal era abastecida de água e em sua torre havia um holofote cuja movimentação e potência permitiam uma melhor fiscalização de qualquer ponto do porto. Todas as salas eram iluminadas com lâmpadas elétricas e a ilha estava ligada à alfândega por uma linha telefônica, para a qual havia sido instalado um cabo submarino. Os trabalhos de cantaria foram realizados pelo comendador Antonio Rodrigues Teixeira, a construção e a montagem da agulha de ferro do corpo central por Manoel Joaquim Moreira & C., o mosaico da sala de honra por Moreira & Carvalho, a montagem do relógio pela firma Krussman & C, a colocação dos aparelhos elétricos pelo sr. Léon Rodde e os trabalhos de pintura pelo alemão Frederico Steckel (1834 – 1921). Os vitrais coloridos a fogo foram confeccionados com cristal inglês e mostravam o imperador Pedro II entre os brasões da Casa Imperial Brasileira e da Casa de Saxônia; e a princesa Isabel entre os brasões da Casa Imperial Brasileira e a Casa de Orléans.
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Marc Ferrez. Ilha Fiscal, c. 1885. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS
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“Essa importante construção esteve sob a direção do engenheiro Adolpho José del Vecchio, diretor das obras do ministério da Faqzenda, que deu provas da maior atividade e zelo, muito concorrendo para dotar esta cidade com tão bem acabado e importante edifício”
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(Revista de Engenharia, 14 de maio de 1889).
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Revista de Engenharia, 14 de maio de 1889
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Capa do cardápio do Baile da Ilha Fiscal / Acervo Arquivo Nacional
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Poucos meses depois, em 9 de novembro de 1889, foi realizado o evento pelo qual a Ilha Fiscal ficou mais conhecida: o último baile do Império do Brasil. Inicialmente marcado para o dia 19 de outubro, foi adiado devido à morte do rei Luís I de Portugal (1861 – 1889), sobrinho do imperador Pedro II (Gazeta de Notícias, 20 de outubro de 1889). A festa foi uma homenagem aos oficiais do cruzador chileno Almirante Cochrane, ancorado na Baía de Guanabara desde 11 de outubro de 1889, sob o comando de Constantino Bannen (1847 – 1899) (Gazeta de Notícias, 12 de outubro de 1889). Com o baile, que contou com as presenças de dom Pedro II, de dona Teresa Cristina, da princesa Isabel e do Conde d´Eu , e para o qual foram distribuídos cerca de três mil convites, pretendia-se realizar uma celebração inesquecível para fortalecer a monarquia diante da ameaça republicana. Não funcionou: seis dias depois foi proclamada a República no Brasil (Gazeta de Notícias, 9 de novembro de 1889; O Paiz, 10 de novembro de 1889; Gazeta de Notícias, 11 de novembro de 1889; Novidades, 11 de novembro de 1889, primeira coluna; Revista Illustrada, 16 de novembro de 1889; e O Paiz, 16 de novembro de 1889, primeira coluna).
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Em 1893, a Ilha Fiscal sofreu avarias durante a Revolta da Armada, quando parte da esquadra brasileira rebelou-se contra o governo do Marechal Floriano Peixoto. Durante mais de seis meses, a ilha ficou no meio da artilharia travada entre as fortalezas da costa e os navios que se encontravam na Baía de Guanabara. Seus vitrais foram quebrados e suas paredes ficaram crivadas de balas de canhão.
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Em 1913, foi autorizada pelo ministro da Fazenda, Rivadávia da Cunha Correia (1866 – 1920), a transferência do domínio da Ilha Fiscal do referido ministério para a Marinha em troca do vapor Andrada, proposta feita pelo almirante Alexandrino Faria de Alencar (1848 – 1926), então ministro da Marinha, (O Paiz, 9 de setembro de 1913, quinta coluna; 7 de de outubro de 1913, quinta coluna; Correio da Manhã, 24 de janeiro de 1914, última coluna).
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O Paiz, 9 de setembro de 1913
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Finalmente, em janeiro de 1914, foi assinado o termo que oficializou a troca entre a Ilha Fiscal e o vapor Andrada, que passaria a servir de alojamento aos guardas da Alfândega (Correio da Manhã, 27 de janeiro de 1914, terceira coluna).
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Revista Marítima, abril de 1914
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A partir de 1914 (até 1983), a Ilha Fiscal abrigou a Repartição Hidrográfica da Marinha do Brasil, então denominada Superintendência de Navegação (O Século, 9 de janeiro de 1914, primeira coluna; Correio da Manhã, 30 de janeiro de 1914, última coluna; e O Paiz, 30 de janeiro de 1914, terceira coluna). Nos primeiros anos de ocupação, a Marinha refez a decoração interna e externa do prédio da Ilha Fiscal, restaurando sua beleza arquitetônica. Os vitrais com motivos monárquicos foram restaurados pela mesma firma inglesa que os tinha instalado originariamente.
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Logo no início dos anos 1930, a Ilha Fiscal foi ligada à Ilha das Cobras através de um estreito molhe de pedra.
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Andrea C. T. Wanderley
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Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica
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Fontes:
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CALDEIRA, Jorge. Viagem pela História do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 222.
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CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo : Blucher, 2008.
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CARVALHO, José Murilo. Pedro II: ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
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Dicionátio de Verbetes do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro
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DUNLOP, Charles. Rio Antigo, vol 3. Rio de Janeiro : Editora Rio Antigo, 1960.
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GOMES, Laurentino. 1889. São Paulo : Globo Livros.
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Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
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SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
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SILVA, Hélio. Nasce a República. São Paulo: Três, 1975.
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Site Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha
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Site Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha
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Site Inepac
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Site O Rio de Janeiro
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Site Receita Federal
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Site Riotur
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**Itens do acervo referenciados neste post:**
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