Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional) para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059 com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444 objetos no ledger. Os 75 itens sem preservação estão em errors.md: a página do item responde 200, mas a origem serve o bitstream com HTTP 500. Nenhum fica fora do mural, porque todos têm thumbnail. Não versionado, por viver no bucket ou ser reconstruível: catálogo, posts .jsonl, atlas .webp, sqlite de estado e logs. Credenciais ficam de fora pelo .gitignore.
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titulo: "Os 200 anos do Ginásio Pernambucano, no Recife, a mais antiga escola em funcionamento no Brasil"
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autor: "Andrea Wanderley"
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data: "2025-12-30T11:18:05+00:00"
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categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"]
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# Os 200 anos do Ginásio Pernambucano, no Recife, a mais antiga escola em funcionamento no Brasil
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A Brasiliana Fotográfica despede-se de 2025 publicando um artigo que homenageia a educação, fator poderoso para a formação de pessoas com pensamento crítico e aptas a contribuir para a construção de um país mais justo e próspero. Com fotografias provenientes do acervo fotográfico da Fundação Joaquim Nabuco, uma das instituições parceiras do portal, e produzidas pelos fotógrafos Manoel Tondella (1861 – 1921) e João José de Oliveira (18? – 19?), sócios na Photographia Popular, destacamos os 200 anos do Ginásio Pernambucano, no Recife, a mais antiga escola em funcionamento no Brasil e patrimônio simbólico de Pernambuco. Brasileiros ilustres estudaram lá, dentre eles os escritores Ariano Suassuna (1927 – 2014) e Clarice Lispector (1920 – 1977), o professor e cientista social Josué de Castro (1908 – 1973), o grande líder abolicionista Joaquim Nabuco (1849 – 1910), o jornalista Assis Chateaubriand (1892 – 1968), o economista Celso Furtado (1920 – 2004) e o presidente da República, Epitácio Pessoa (1865 – 1942). Pioneira, a escola foi a primeira a implementar, no Brasil, o ensino integral, em 2004.
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Manoel Tondella, de ascendência portuguesa, foi um dos mais importantes fotógrafos de Pernambuco da segunda metade do século XIX, período a partir do qual Recife tornou-se referência histórica para a fotografia no Brasil. Documentou em imagens as transformações da cidade, entre os anos 1890 e as duas primeiras décadas do século XX.
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Almanach de Pernambuco, 1901
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O Ginásio Pernambucano localiza-se na rua da Aurora, às margens do rio Capibaribe, onde ficam outros prédios importantes como o da Assembleia Legislativa de Pernambuco, que aparece nas três fotos publicadas neste artigo; o Cinema São Luiz e o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, dentre outros.
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Photographia Popular Oliveira & Tondella. Assembleia Legislativa de Pernambuco, à direita, o Ginásio Pernambucano, 1900. Recife, Pernambuco / Acervo Fundaj
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Acessando aqui o link para as fotografias do Ginásio Pernambucano, na rua da Aurora, disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá visualizar e magnificar as imagens.
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Foi fundado como Liceu Provincial de Pernambuco, em 1º de setembro de 1825, logo após a Confederação do Equador, a partir de um decreto do então presidente da província, José Carlos Mayrink da Silva Ferrão (1771 – 1846), responsável pela transferência da capital de Pernambuco de Olinda para Recife. Funcionava no Convento do Carmo. Seu primeiro diretor foi o religioso, jornalista e deputado Miguel do Sacramento Lopes Gama (1793 – 1852), conhecido como Padre Carapuceiro. Foi a primeira instituição criada em Pernambuco especificamente para o ensino secundário.
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Miguel do Sacramento Lopes Gama (1793 – 1852), conhecido como Padre Carapuceiro
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O Liceu Pernambucano era estruturado em um curso literário, composto pelas cadeiras de geometria, retórica, filosofia, racional e moral, latim e desenho. Além de ser uma escola, era fiscalizador do ensino público e privado da província. Exerceu essa última atribuição até 1851.
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O estabelecimento mudou algumas vezes de local nas décadas de 1840 e 1850 – rua dos Pires, prédio da Alfândega e prédio onde funcionava a Companhia dos Operários Engajados, casa de sessões do júri, rua da Praia e rua do Hospício. Em 1842, passou a chamar-se Ginásio Provincial de Pernambuco.
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Em 1855, uma lei transformou o Liceu em internato de educação pública e de instrução secundária com o nome de Ginásio Pernambucano. Realizou-se uma profunda reforma pedagógica inspirada no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.
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Diário Pernambuco, 22 de março de 1855
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O Ginásio Pernambucano foi inaugurado, na rua do Hospício, em 7 de setembro de 1855, por José Bento da Cunha e Figueiredo (1808 – 1891), governador de Pernambuco, e demais autoridades civis e eclesiásticas, onde funcionou até 1866 (Correio Mercantil, 21 de setembro de 1855, primeira coluna).
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Francisco du Bocage. Boa Vista e rua do Hospício, c. 1910 . Recife, Pernambuco / Acervo Fundaj
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Detalhe da foto destacando a sede do Ginásio Pernambucano, na rua do Hospício
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Uma nova sede, na histórica rua da Aurora, começou a ser construída, também em 1855. O projeto do edifício neoclássico, um dos marcos arquitetônicos da cidade, foi do engenheiro recifense José Mamede Alves Ferreira (1820 – 1865), então chefe da Repartição de Obras Públicas do Estado, e autor de outros projetos importantes como o da Casa de Detenção do Recife, do Cemitério de Santo Amaro e do casario da rua da Aurora.
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José Mamede Alves Ferreira (1820 – 1865) / José Mamede Alves Ferreira Sua Vida – Sua Obra 1820 – 1865
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A pedra fundamental da nova sede foi lançada em 15 de agosto de 1855 (Diário de Pernambuco, 22 de março de 1855, primeira coluna; 17 de agosto de 1855, última coluna). Várias loterias foram realizadas em prol do Ginásio Pernambucano ao longo deste ano (Diário de Pernambuco, 23 de agosto de 1855).
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Diário de Pernambuco, 17 de agosto de 1855, última coluna
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O Ginásio Pernambucano recebeu a visita de dom Pedro II (1825 – 1891), em 9 e em 14 de dezembro de 1859. O museu do ginásio e seu criador, o naturalista Louis Jacques Brunet (1811 – c. 1877), taxidermista e professor de Ciências Naturais, foram os principais interesses do imperador, que escreveu em seu diário:
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“A tarde fui ao gabinete de história natural arranjado pelo Brunet no Ginásio e depois de o examinar com atenção, tendo observado peixes fósseis em incrustações calcáreas muito curiosas apanhadas nos sertões do Norte do Brasil, creio que na Serra do Araripe e um quadrúpede entre o macaco e os carneiros chamado no rótulo Kincajú paraná, que só se encontra no sertão desta Província, informei-me do resultado das explorações do Brunet dizendo-me ele que da primeira vez fora só encarregado de explorar pontos próprios para açudes no interior da Paraíba e da segunda da coleta das diversas terras, que chegando no Recife o Presidente (ilegível) mandou deitar no aterro do cais por de traz do Palácio, não lhe abonando as despesas da condução; ficou de levar-me e eu verei a exatidão do que ele me referiu”.
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Lembramos aqui que o Ginásio Pernambucano possui o único museu escolar de Pernambuco, o Museu Luiz Jacques Brunet, criado pelo naturalista Louis Jacques Brunet (1811 – c.1877)*, que conta com um acervo de mais de quatro mil objetos.
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Louis Jacques Brunet (1811 – c. 1877)
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Finalmente, em 1866, o Ginásio Pernambucano foi instalado em sua nova sede.
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J. J Oliveira, Manoel Tondella. Assembleia Legislativa e Ginásio Pernambucano, 1900. Recife, Pernambuco / Acervo Fundaj
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Na década de 1890, recebeu o nome de Instituto Benjamim Constant e, nos anos 1940, passou a chamar-se Colégio Pernambucano e Colégio Estadual de Pernambuco. Por um decreto de 31 de dezembro de 1974, do governador Eraldo Gueiros Leite (1912 – 1983), voltou à denominação de Ginásio Pernambucano. Foi também em 1974, que o colégio tornou-se o embrião do ensino médio integral no Brasil.
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Em 1984, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan (Sphan Pro Memória Boletim, março e abril de 1984).
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Photographia Popular Oliveira & Tondella. Ponte Santa Isabel: no centro, a Assembleia Legislativa e , à direita, o Ginásio Pernambucano, 1900. Recife, Pernambuco / Acervo Fundaj
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Em 2012, a comunidade escolar ganhou uma nova sede, situada na avenida Cruz Cabugá, no Bairro de Santo Amaro. Em 2020, o Ginásio Pernambucano foi transformado em Escola Técnica Estadual Ginásio Pernambucano.
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Escola Técnica Estadual Ginásio Pernambucano, na avenida Cruz Cabugá
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Em 2025, quando comemora seus 200 anos, após anos sem reformas estruturais, o Ginásio Pernambucano passa por uma restauração orçada em 7 milhões de reais, já autorizada pelo governo estadual. Conta com 720 alunos do ensino médio distribuídos em 17 turmas.
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* Foi durante uma de suas expedições científicas pelo Nordeste do Brasil, em 1852, quando passou pela cidade de Areia, na Paraíba, que Brunet se impressionou com o talento precoce de um menino de 9 anos, Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843 – 1905), que se tornou um dos maiores pintores brasileiros do século XIX, autor do famoso quadro Independência ou Morte, então com 9 anos, que contratou como desenhista assistente da expedição. Em 1854, por intermédio de um pedido de Brunet ao presidente da Paraíba do Norte, Antônio Coelho de Sá e Albuquerque (1821 – 1868) e ao seu sucessor, Flávio Clementino da Silva Freire (1816 – 1900) que ajudassem o jovem que não tinha recursos financeiros para estudar . A presidência encaminhou o caso ao Ministério do Império que levou ao Imperador Pedro II, que permitiu o seu ingresso na Imperial Academia de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Pedro Américo e Brunet se corresponderam até a morte do pintor.
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Independência ou Morte, de Pedro Américo
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Andrea C.T. Wanderley
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Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica
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Fontes:
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ALBUQUERQUE, Cleonir Xavier de; ACIOLI, Vera Lúcia Costa. José Mamede Alves Ferreira Sua Vida – Sua Obra 1820 – 1865. Pernambuco : Secretaria de Turismo Cultura e Esportes do Governo do Estado de Pernambuco, 1985.
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Biblioteca IBGE
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CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Ginásio Pernambucano, por Carlos Bezerra Cavalcanti in Jornal O Poder, 7 de junho de 2025.
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GONZALES, Rômulo José Benitez de Freitas. A musealização de coleções de ensino no século XIX: o caso do Ginásio Pernambucano. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001 Orientadora: Professora Doutora Priscila Faulhaber Barbosa. UNIRIO/MAST – RJ, 03 de junho de 2022.
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Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional
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MONTENEGRO, Olívio. Memórias do Ginásio Pernambucano. Recife: Assembleia Legislativa de Pernambuco, 1979.
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Portal Agência Brasil
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Portal G1
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Portal NE 9
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Portal Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco
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Revista Exame, 1º de dezembro de 2025
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WANDERLEY, Andrea C.T. Cronologia de Manoel Tondella in Brasiliana Fotográfica, 6 de janeiro de 2021.
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**Itens do acervo referenciados neste post:**
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- `20.500.12156.1/6910` — `itens/20.500.12156.1_6910/`
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- `20.500.12156.1/2055` — `itens/20.500.12156.1_2055/`
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- `20.500.12156.1/7004` — `itens/20.500.12156.1_7004/`
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- `20.500.12156.1/6911` — `itens/20.500.12156.1_6911/`
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