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rodado 290c4cc21d feat: acervo Brasiliana Fotográfica coletado e mural 3D no ar
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27521 https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=27521 O Edifício Martinelli, antigo referencial e símbolo de São Paulo Andrea Wanderley 2022-05-16T06:19:44+00:00
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O Edifício Martinelli, antigo referencial e símbolo de São Paulo

A Brasiliana Fotográfica destaca quatro imagens do icônico Edifício Martinelli, símbolo do apogeu e do declínio do Centro velho de São Paulo. Uma delas foi produzida pelo francês Claude Lévi-Strauss (1908 – 2009), que esteve no Brasil entre 1935 e 1938, tendo sido professor de Sociologia na Universidade de São Paulo e que, nas horas vagas, fotografava a cidade. Sobre o edifício escreveu em Saudades de São Paulo: “Se coloquei o prédio Martinelli na abertura desta coletânea, é que em 1935 ele era ao mesmo tempo um referencial e um símbolo. Único arranha-céu de toda a cidade, aos olhos dos paulistanos simbolizava a ambição de que esta se tornasse a Chicago do hemisfério sul. Ambição que se realizou desde então, e foi além… O prédio Martinelli era também um referencial cuja silhueta dominava todos os outros prédios. Era visto de quase toda a parte, mesmo do fundo dos barrancos escarpados que desciam das elevações onde corria a avenida Paulista. Ainda entregues à natureza, esses barrancos abrigavam as habitações mais pobres, com os riachos, à guisa de esgotos, transformados em torrentes quando chovia. Mas o arranha-céu impunha sua presença majestosa sobretudo no início da avenida São João, artéria nova cuja abertura não estava ainda terminada. Descendo a pé a avenida em direção ao oeste, ficava-se obsedado por sua massa rosada que se percebia toda vez que se olhava para trás. Mesmo à distância, ela obstruia o horizonte, tanto de dia como ao anoitecer, quando as ornamentações feitas para o Carnaval se iluminavam“.   Claude Lévi-Strauss. Edifício Martinelli, c. 1937. São Paulo, SP / Acervo IMS   Há também uma fotografia aérea de autoria de Alfredo Krausz (? – 19?), uma de autoria de um fotógrafo ainda não identificado e, finalmente, um registro realizado por Edgard Egydio de Souza (1867 – 1956). Inicialmente, o Martinelli era dividido em três partes: na rua Líbero Badaró, a parte residencial do edifício; na rua São Bento, a área comercial; e, pela entrada da São João, estava o Hotel São Bento e os salões Verde e Mourisco, alguns dos destinos preferidos da alta sociedade paulistana. A pintura rosa dos detalhes esculpidos em suas paredes é uma de suas marcas registradas.   Edifício Martinelli, c. 1928. São Paulo, SP / Acervo IMS  

Marco na verticalização de São Paulo, um de seus símbolos de progresso, da riqueza gerada pelo café, o Edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu de São Paulo e, como cenário urbano, traduzia o cosmopolitismo, que caracterizou o modernismo no Brasil. Abaixo, versos da revolucionária escritora Patrícia Galvão (1910 – 1962), a Pagu, participante do movimento modernista, onde o Edifício Martinelli é citado:  

  O Edificio Martinelli foi idealizado pelo imigrante italiano Giuseppe Martinelli (1870-1946), que chegou ao Brasil em fins do século XIX e tornou-se um dos mais ricos empresários do país. O projeto do prédio foi de autoria do arquiteto húngaro William Fillinger (1888-1968), formado na Academia de Belas Artes de Viena, na Áustria. A fachada foi desenhada pelos Irmãos Lacombe, suas portas eram de madeira de lei, as escadas tinham mármore italiano e o cimento veio da Noruega e da Suécia. Foi inaugurado, em 1929, em um terreno entre as ruas São Bento, Libero Badaró e a Avenida São João. Era, na época, o maior prédio da América do Sul, com 105,65 metros de altura, e a maior obra de cimento armado do mundo (O Cruzeiro, 11 de maio de 1929).   Comendador Giuseppe Martinelli (1870 – 1946)/ Frou-Frou, agosto de 1929  

Sua construção foi iniciada, em 1924, e, a princípio, o prédio teria 14 andares. Mais seis pavimentos foram adicionados à obra e, posteriormente, com a ajuda de seu sobrinho, o engenheiro calculista Ítalo Martinelli, o edifício passou para 24 andares. A obra foi embargada, sob denúncias de risco de desabamento da construção. Giuseppe revogou a decisão e ainda ergueu mais pavimentos (A Gazeta (SP), 23 de setembro de 1925, sexta coluna; A Gazeta (SP), 23 de janeiro de 1928, quinta coluna; Gazeta de Notícias, 25 de maio de 1928, última coluna; Gazeta de Notícias, 1º de junho, sexta coluna ; Correio da Manhã, 1º de junho de 1928, sétima coluna; Gazeta de Notícias, 17 de outubro de 1928, quinta coluna).   Gazeta de Notícias, 17 de outubro de 1928   Em 29 de março de 1928, o embaixador italiano, Bernardo Attolico, durante sua estadia em São Paulo, foi visitar as obras do edifício (Correio Paulistano, 30 de março de 1928).   Correio Paulistano, 30 de março de 1928   Em abril de 1929, 25 andares já estavam construídos (O Paiz, 21 de abril de 1929, quarta coluna). Foi visitado pelo governador de São Paulo, Julio Prestes (1882 – 1946).   O Cruzeiro, 11 de maio de 1929   O comendador Martinelli com o governador de São Paulo, Júlio Prestes /  Cruzeiro, 11 de maio de 1929   Em novembro, o prédio já tinha 26 pavimentos (Jornal do Brasil, 26 de novembro de 1926, primeira coluna). No topo, foi construído um palacete, de cinco andares, onde Martinelli moraria. Mudou-se com a família para o prédio, em 1929. Porém, foi o italiano Arturo Patrizi, professor de dança, o primeiro morador do prédio. Mudou-se para lá em 1928, com o edifício ainda em obras, e abriu uma concorrida escola em uma das salas de sua casa, no quarto andar.  

Em 2 de setembro de 1929, foi inaugurado, no prédio, o luxuoso Cinema Rosário, com a exibição do filme O Pagão. O evento foi considerado o maior acontecimento social do ano (A Gazeta (SP), 4 de setembro de 1929).   A Gazeta (SP), 4 de setembro de 1929   Salão dos Espelhos no Edifício Martinelli / Vida Doméstica, junho de 1930   Acessando o link para as imagens do Edifício Martinelli disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.   Alfredo Krausz. Voo do dirigível Graf Zeppelin sobre o centro da cidade, destaque para o edifício Martinelli, c. 1935. São Paulo, SP / Acervo IMS   “E o Zeppelin veio provar para São Tomé o sofisma gracioso de que uma casa dum andar pode ser mais alta que o Martinelli.”  Mário de Andrade, 1976   Devido à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, o comendador Martinelli vendeu o prédio para o Instituto Nazionale di Credito per il Lavoro Italiano all´Estero. Os bens italianos foram confiscados pelo governo brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial e o Edifício Martinelli passou para a administração federal, tendo sido, em seguida, leiloado. Foi comprado por Milton Pereira de Carvalho e Herbert Levy e pouco tempo depois passou a ter 103 proprietários, tornando-se o primeiro edifício do Brasil a se transformar em condomínio. Entrou em decadência até a reforma realizada durante a gestão do prefeito Olavo Setúbal (1923 – 2008), na década de 70, tendo sido reinaugurado, em 4 de maio de 1979 (Diário da Noite (SP), 1º de fevereiro de 1979).  

O Estado de São Paulo, 5 de maio de 1979   O Martinelli foi o endereço da sucursal paulista da revista O Cruzeiro (O Cruzeiro, 20 de fevereiro de 1932), assim como dos partidos políticos Comunista, Integralista e também da União Democrática Nacional (UDN); do Palmeiras e da Portuguesa, do Club Republicano, da Ordem dos Músicos, da Federação Paulista de Medicina e do Instituto Médico Dante Alignieri. Em 2019, quando completou 90 anos, cerca de 70% do Edifício Martinelli estava ocupado por secretarias municipais e o restante estava distribuído entre a Caixa Econômica Federal, o Sindicato dos Bancários de São Paulo e 11 lojas. Uma curiosidade: Giuseppe Martinelli é avô da artista plástica Maria Bonomi (1935-).   Edgard Egydio de Souza. Edifício Martinelli, à esquerda as torres do mosteiro de São Bento, década de 30. São Paulo, SP / Acervo IMS     Andrea C. T. Wanderley Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica   Fontes: Esquinas – Revista Digital Laboratório da Faculdade Casper Líbero, 11 de fevereiro de 2020 Folha de São Paulo, 25 de janeiro de 1998 Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional HOMEM, Maria Cecília Naclério. O Prédio Martinelli – A ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo : Editora Projeto, 1984. LEVI-STRAUSS, Claude. Saudades de São Paulo. São Paulo : Companhia das Letras, 1996. REBECHI JUNIOR, Arlindo. Pagu: poesia, militância e condição feminina. Revista da USP. Comunicação & Educação • Ano XXIII • número 1 • jan/jun 2018. São Paulo Antiga Site Prefeitura de São Paulo Site YOU, INC UOL


Itens do acervo referenciados neste post:

  • 20.500.12156.1/7002 — itens/20.500.12156.1_7002/
  • 20.500.12156.1/7055 — itens/20.500.12156.1_7055/
  • 20.500.12156.1/5598 — itens/20.500.12156.1_5598/
  • 20.500.12156.1/7056 — itens/20.500.12156.1_7056/