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5104 https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=5104 Real Gabinete Português de Leitura Andrea Wanderley 2016-05-14T09:32:08+00:00
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Real Gabinete Português de Leitura

Marc Ferrez. Real Gabinete Português de Leitura, c. 1887. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS Hoje o Real Gabinete Português de Leitura completa 179 anos. O portal Brasiliana Fotográfica homenageia a instituição com a publicação de uma fotografia produzida por Marc Ferrez (1843 – 1923), o brilhante cronista visual das paisagens e dos costumes cariocas da segunda metade do século XIX e do início do século XX. Fundado em 14 de maio de 1837, o Real Gabinete Português de Leitura é a mais antiga associação criada pelos portugueses do Brasil após a independência do país, em 1822. Teve sua origem numa reunião realizada por 43 emigrantes portugueses no Rio de Janeiro, dentre eles o advogado e jornalista José Marcelino Rocha Cabral (1806 – 1849), que iria ser eleito primeiro presidente da instituição. O encontro aconteceu na casa do Dr. Antonio José Coelho Lousada (? – 18?), na antiga Rua Direita, nº 20 – hoje Rua Primeiro de Março. A seção foi presidida pelo conselheiro João Baptista Moreira (? – 18?), na época cônsul geral de Portugal e, na ocasião, o grupo decidiu criar uma biblioteca para uso de seus sócios e dos portugueses residentes no Rio de Janeiro. No dia 28 de maio, duas semanas depois, reuniram-se para discutir os estatutos da recém fundada instituição cultural. Seu secretário interino e redator dos primeiros estatutos foi Francisco Eduardo Alves Vianna (? – 18?) (Diário do Rio de Janeiro, de 26 de maio de 1837, na primeira coluna). A primeira sede do Real Gabinete localizava-se em um sobrado, na Rua de São Pedro, número 83, e a primeira reunião com os acionistas ocorreu, em 10 de setembro de 1837.   “[…] não posso resistir ao entusiasmo que me inspira a presença da primeira reunião de portugueses, que tem havido no Império em um estabelecimento próprio, por eles criado, no intuito da sua ilustração, da ilustração geral e de concorrer para restaurar a glória literária da sua pátria”. Trecho do discurso de José Marcelino da Rocha Cabral, em 10 de setembro e 1837, na primeira sede do Real Gabinete Português de Leitura   Em 1842, transferiu-se para a Rua da Quitanda, nº 55, e oito anos depois, para a Rua dos Beneditinos, nº 12. A sede atual, construída em estilo neomanuelino e fotografada por Ferrez, foi projetada pelo arquiteto português Rafael da Silva Castro (? -?), inspirado no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa. Em sua fachada, construída por Germano Salles (? -18?), em pedra de lioz, em Lisboa, e trazida de navio para o Rio, ficam as estátuas de quatro ilustres portugueses, esculpidas por Simões de Almeida (1844 – 1926): Pedro Álvares Cabral (1467 – 1520), Luis de Camões (1524 – 1580), Infante Dom Henrique (1394 – 1460) e Vasco da Gama (c. 1468 – 1524). Teve sua pedra fundamental lançada pelo imperador Dom Pedro II (1825 – 1891) em 10 de junho de 1880, data do tricentenário de morte do grande escritor português Luis de Camões. Por iniciativa do Real Gabinete, foi cunhada em Paris pelo gravador francês Victor Janvier (1851–1911) com desenho feito por Angelo Agostini (1843 – 1910) uma medalha para marcar o assentamento da pedra fundamental do novo edifício da associação e para celebrar o tricentenário de Camões. Foi também promovido pelo Gabinete um sarau artístico, no Imperial Theatro D. Pedro II, com a presença do casal imperial, de diversas autoridades, de cerca de três mil pessoas. O orador oficial do evento foi Joaquim Nabuco (1849 – 1910), que era brasileiro, fato que gerou a indignação do médico português Figueiredo Magalhães (1838–1895)(Revista Illustrada, 27 de março de 1880, segunda coluna). Foram lidas poesias e foi encenada a peça Tu só, puro amor, escrita por Machado de Assis (1839 – 1908), especialmente para a ocasião. Nos papéis principais de Catarina de Atayde e Camões, atuaram Lucinda Simões (1850 – 1928) e Furtado Coelho (1831 – 1900). O maestros Arthur Napoleão (1843 – 1925) e Leopoldo Miguez (1850 – 1902) dirigiram o espetáculo. Foi também realizada a Exposição Camoniana, na Biblioteca Nacional, primeira mostra oficial da história da instituição, então sob a direção de Ramiz Galvão (1846 – 1938); e diversas outras celebrações em torno da data (Gazeta de Notícias, 10 de junho de 1880, primeira coluna, 11 de junho de 1880, na quinta coluna sob o título “Terceiro Centenário de Camões”; Revista Illustrada, 22 de maio de 1880, primeira coluna; 19 de junho de 1880).   Revista Illustrada, 19 de junho de 1880   O prédio foi inaugurado em 10 de setembro de 1887 pela Princesa Isabel (1846 – 1921) e por seu marido, o Conde d´Eu (1842 – 1922) (Gazeta de Notícias, de 11 de setembro de 1887, na última coluna). Os monarcas foram recebidos ao som do Hino Nacional, executado por uma orquestra regida por Arthur Napoleão. Depois, foi executada a sinfonia “O Guarani“, e Ramalho Ortigão (1836 – 1915), presidente da diretoria do Real Gabinete, fez um discurso.   Gazeta de Notícias, 21 de maio de 1900   Estão sob a guarda do Real Gabinete Português de Leitura cerca de 350.000 volumes, incluindo milhares de obras raras, dentre elas um exemplar da edição princeps de Os Lusíadas, de Luis de Camões, de 1572, e de Amor de Perdição, obra do escritor português Camilo Castelo Branco (1825 – 1890). O acervo pode ser consultado por qualquer pessoa pois o Real Gabinete tornou-se biblioteca pública, em 1900. Funciona também como centro de estudos e polo de pesquisas literárias. A biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Na biblioteca foram realizadas as cinco primeiras sessões solenes da Academia Brasileira de Letras, sob a presidência de Machado de Assis (1839 – 1908). Na edição de 28 de julho de 2014 da Revista Time o Real Gabinete Português de Leitura foi destacado como uma das 20 bibliotecas mais bonitas do mundo. Localiza-se na rua Luís de Camões, 30, no Centro do Rio de Janeiro. Em 2023, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro*. Em 15 de janeiro de 2026, no Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro, realização da cerimônia de imposição da Ordem de Camões, no grau de Membro Honorário, em reconhecimento do Estado português aos relevantes serviços prestados pelo Real Gabinete na salvaguarda e projeção da Língua Portuguesa no mundo**.  

  *Esta informação foi acrescentada em setembro de 2023. **Esta informação foi acrescentada em janeiro de 2026.   Andrea C. T. Wanderley Editora-assistente e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica   Fontes: ANACLETO, Regina. Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro: ponte de artistas entre dois mundos. AZEVEDO, Fabiano Cataldo de. Contributo para o perfil do público leitor do Real Gabinete Português de Leitura (1837-1847). Cultura Revista de História e Teoria das Ideias Vol. 28, 2011. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional Revista Time


Itens do acervo referenciados neste post:

  • 20.500.12156.1/2139 — itens/20.500.12156.1_2139/