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28653 https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=28653 Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 – 2004) Andrea Wanderley 2022-08-19T09:03:13+00:00
Análise de documento
Biografia
Cronologia
Curadoria
Efemérides
Convidados
Preservação digital
Sem categoria
2026-09-10T10:11:31.382Z

Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 – 2004)

Cronologia de Gioconda Rizzo (1897 – 2004)   Autorretrato de Gioconda Rizzo, 1913 / Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 35   1897 – Nascimento da paulistana Gioconda Rizzo (1897 – 2004), neta do italiano Vincenzo Rizzo, que já se encontrava em São Paulo, em 1887, como fabricante de cerveja (L´Italia, 21 de maio de 1887, quarta coluna) e filha do fotógrafo italiano Michelle (Miguel) Rizzo (1869 – 1939), que abriu um ateliê fotográfico, em 10 de março de 1892, a Photographia Central, na Rua Direita nº 55, em São Paulo (O Estado de São Paulo, de 10 de março de 1892, página 1, antepenúltima coluna).   O Estado de São Paulo, 10 de março de 1892   O Estado de São Paulo, 15 de maio de 2012   Em um anúncio veiculado pelo Fanfulla, de 8 de agosto de 1896, página 4, Michelle anunciava-se como proprietário da primeira photografia italiana no Brazil. Em 1906, estava na relação de fotógrafos italianos que atuavam em São Paulo (Il Brasile e gli Italiani, 1906, página 1165).   Michelle Rizzo, do Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 36   Foi com seu pai, seu grande incentivador, que Gioconda iniciou seus experimentos em fotografia.   Cartão de Boas Festas do ateliê de Michelle Rizzo, 1906. São Paulo, SP / Entre o estúdio e a rua: a trajetória de Vincenzo Pastore, fotógrafo do cotidiano, por Fabiana Beltramin, página 86 / Coleção de Rubens Fernandes Junior   1912 –  Aos 12 anos tirou um autorretrato e também fotografou uma amiga:   Autorretrato de Gioconda Rizzo, 1912, do Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 39   “Eu comecei a tirar foto de mim mesma… então meu pai quando viu aquela chapa… a primeira coisa que fiz… viu a chapa… disse: “Quem foi que fez isso?” “Fui eu papai”; ele disse: “Ihhhh! Esta vai me passar a perna!”  Depoimento de Gioconda Rizzo a Carla Ibrahim. São Paulo, setembro de 2002. c. 1914 - Michelle muitas vezes viajava para o interior, de onde enviava fotografias para processamento, retoque e finalização em São Paulo. Quando estava ausente, seu filho Armando (1894 – 19?) cuidava dos negócios. Gioconda trabalhava com o irmão e participava  na recepção e ambientação dos clientes no ateliê; e na revelação e acabamentos, como retoques e acondicionamento das fotos em álbuns, molduras ou estojos. Conhecia e dominava todas as etapas do processo fotográfico. Em 1914, Michelle abriu para Gioconda o ateliê Femina, também na Rua Direita, número 8A, perto do seu, que ficava, então, na mesma rua, no número 10 C. O Femina atendia somente crianças e mulheres, pois, na época, não era adequado que uma mulher ficasse sozinha na presença de homens. Mesmo com essa restrição, a mãe de Gioconda, Giuseppina, sempre a acompanhava em  suas sessões fotográficas. “Fui a primeira fotógrafa a se especializar em fotos assim. Fotografei, então, muitas mulheres de barões do café e muitas atrizes. Todas gostavam de minha maneira de fazer as fotos porque eu enfocava só meio corpo, realçando o rosto e usando tapetes nas paredes para servirem de fundo”. Gioconda Rizzo, Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982   Foto de autoria de Gioconda Rizzo, 19?. São Paulo, SP / Acervo IMS   Ainda em 1914, na revista A Cigarra, edição de 31 de dezembro, na seção “A Formiga”, foi publicada uma fotografia de autoria de Gioconda Rizzo com a assinatura do ateliê Femina.   Fotografia de Wanda Massucci (a maior), de autoria de Gioconda Rizzo / A Cigarra, 31 de dezembro de 1914   Para criar diferentes figurinos e cenários, Gioconda possuia em seu estúdio almofadas, banquinhos, diversas cadeiras, colunas de mármore, estátuas de cães, laços, sombrinhas, véus, e outros objetos e adereços. 1915 a 1918 - Gioconda criava poses que descontraissem suas clientes, que tinham uma tendência a ficar muito sérias na hora da foto. Buscava em seus retratos a beleza, a sensualidade. Criava uma atmosfera de sonho, romântica. Suas retratadas sorriam, deixavam ombros e colos muitas vezes desnudos e os cabelos soltos, sem chapéus, enfeitados com flores. Gioconda participou, trabalhando no pavilhão Gradisca, da quermesse realizada no parque da Avenida Paulista, promovido pela sub-comissão italiana do bairro da Consololação para socorrer as famílias dos reservistas que haviam partido para a Itália (Correio Paulistano, 19 de julho de 1915, segunda coluna). Em torno de 1916, Michelle trouxe da Itália o flash de magnésio que possibilitava a captação de poses mais rapidamente, o que facilitava enormemente fotografar crianças. Uma vez, Gioconda sofreu uma queimadura na mão direita quando utilizava a nova ferramenta. Seu irmão, Vicente, descobriu que o ateliê Femina recebia cortesãs francesas e polonesas e contou para Michelle, que decidiu fechá-lo. Gioconda voltou a trabalhar com seu pai e seu irmão, Armando Rizzo. Passaram a produzir fotografias coloridas a óleo e a fazer fundos de paisagens aplicadas nas chapas. Também produziam muitas fotos de formaturas de escolas e faculdades. 1926 – Gioconda casou-se com o comerciante Onofre Pasqualucci (c. 1898 – 1935) e, no mesmo ano, nasceu sua única filha, Wanda Pasqualucci (1926-), que fotografou ainda bebê.   Foto de Wanda Pasqualucci, 1926, do Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 46   Em torno deste ano, ela aprendeu as técnicas de fotografias fundidas em esmalte para jóias com o fotógrafo espanhol Medina, estabelecido no Rio de Janeiro. Adaptou as técnicas à porcelana e passou a produzir fotojoias e decorações tumulares para o ateliê Photo do Carmo, do italiano Sestilio Fiorelli. Instalou em sua casa, no bairro do Cambuci, um ateliê e um forno para a produção das peças, que eram vitrificadas a uma temperatura de 1.000º C.   “Essas fotos em porcelana dão muito trabalho e se desenvolvem em várias fases até que se consegue uma película aplicada sobre a louça. Queima-se então a uma temperatura de 1000 graus e está pronta”. Gioconda Rizzo, Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982   Foto de autoria de Gioconda Rizzo, 19?. São Paulo, SP / Acervo IMS   1931 -  Devido à crise financeira deflagrada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a família Rizzo fechou, após cerca de 40 anos de funcionamento, o ateliê da Rua Direita, e abriu outro na Rua Líbero Badaró, 63, chefiado por Armando. Nesse mesmo ano, Gioconda fotografou a Miss Universo, Yolanda Pereira (1910 – 2001).   A Miss Universo Yolanda Pereira fotografada por Gioconda, em 1931, do Acervo da Família Rizzo / As retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século, por Carla Ibrahim, página 69   1935 – Em 14 de junho de 1935, Gioconda ficou viúva e foi com a fotografia em porcelana que sobreviveu com sua filha.   O Estado de São Paulo, 15 de junho de 1935   1939 - Falecimento de seu pai, Michelle (Miguel) Rizzo (Atestado de óbito – Family Search)*.   Atestado de óbito de Michelle (Miguel) Rizzo   Década de 1960 – Gioconda aposentou-se.   Foto de autoria de Gioconda Rizzo, 19?. São Paulo, SP / Acervo IMS   1979 –  A capa do livro Anarquistas, Graça a Deus, da escritora Zélia Gattai (1916 – 2008), foi ilustrada com uma foto da família Da Col – Gattai, de autoria de Gioconda. 1982 – Entre 12 e 30 de abril de 1982, houve uma exposição de parte de sua obra na Galeria Fotoptica, em São Paulo: 20 fotos em papel, 15 em porcelana e algumas coloridas a óleo (Folha de São Paulo, 12 de abril de 1982). Publicação do texto O real e a representação nos retratos de Gioconda, de autoria da fotógrafa e crítica de arte Stefania Bril (1922 – 1992), publicado em O Estado de São Paulo, de 30 de abril de 1982:  

  2004 – Faleceu em 22 de março de 2004, pouco antes de completar 107 anos, e foi sepultada no Cemitério da Consolação.   Gioconda Rizzo fotografada por Maira Soares, em 2003 / Wikipedia   Andrea C. T. Wanderley Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica *A data de morte de Michelle (Miguel) Rizzo foi corrigida.