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rodado 290c4cc21d feat: acervo Brasiliana Fotográfica coletado e mural 3D no ar
Captura integral do acervo da Brasiliana Fotográfica (Biblioteca Nacional)
para s3://brasiliana: 13.060 itens, 12.985 com imagem de preservação, 13.059
com miniatura derivada, 2.137 cópias legadas e 636 posts do blog. 41.444
objetos no ledger.

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titulo: "O funeral de Teixeira Mendes pela lente de Augusto Malta"
autor: "Andrea Wanderley"
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# O funeral de Teixeira Mendes pela lente de Augusto Malta
O pesquisador Ricardo Augusto dos Santos, da Fiocruz, uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, e Marcus Vinícius Rubim Gomes, estagiário na Casa de Oswaldo Cruz, são os autores do artigo sobre os registros produzidos pelo alagoano Augusto Malta (1864 – 1957) do funeral do maranhense Raimundo Teixeira Mendes (1855 – 1927). Malta, em 1903,  foi contratado como fotógrafo oficial, cargo criado para ele, da prefeitura Rio de Janeiro. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida pelo então prefeito da cidade, Francisco Pereira Passos (1836-1913), período que ficou conhecido como o “bota-abaixo”.  Trabalhou na Prefeitura até 1936, quando se aposentou. Teixeira Mendes, o apóstolo do positivismo no Brasil, foi, além de filósofo, matemático e autor da bandeira nacional republicana. Seu cortejo fúnebre, que saiu da residência de sua família, na rua Benjamin Constant, 120, para o Templo da Humanidade, na Glória, e de lá para o Cemitério São João Batista, parou a cidade do Rio de Janeiro (O Paiz, 30 de junho de 1927, primeira coluna).
Acessando o link para as fotografias do funeral de Teixeira Mendes disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.
 
O funeral de Teixeira Mendes pela lente de Augusto Malta
Ricardo Augusto dos Santos & Marcus Vinícius Rubim Gomes*
Augusto Malta. Sepultamento de Raimundo Teixeira Mendes, 29 de junho de 1927. Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
Augusto Malta, cuja obra está estimada em mais de 30 mil fotografias, registrou as transformações físicas, sociais e políticas do Rio de Janeiro e seu papel para a construção da memória visual do Brasil é incontestável. Seu legado de imagens foi, é e certamente ainda será fartamente utilizado em livros, teses e artigos. Localizadas em meio às mais de 2.500 fotografias do arquivo pessoal Paulo Carneiro (1901-1982), um importante intelectual positivista, encontramos três imagens do enterro de Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), assinadas por Augusto Malta, o que nos leva a refletir sobre a relação do fotógrafo com a cidade e, principalmente, a possibilidade de um vínculo entre ele e Teixeira Mendes. Segundo informações disponíveis em jornais e livros, a cerimônia fúnebre de Mendes “parou o Rio”. Será? Olhando as fotos, parece que sim. Duas destas imagens foram publicadas, sob o título A morte de um apóstolo, na revista O Malho – era  comum a presença de fotos de autoria de Malta na imprensa (O Malho, 16 de julho de 1927).
 
O Malho, 16 de julho de 1927
 
O fato das fotografias terem sido produzidas por Malta corrobora a informação de que o sepultamento do positivista tenha sido um acontecimento relevante. Será que Malta fez os registros apenas pela obrigação de sua profissão? Ou será que as fez também por compartilhar ideais com Teixeira Mendes, já que foi um entusiasta das ideias abolicionistas e republicanas no final do século XIX?
 
Augusto Malta. Enterro de Raimundo Teixeira Mendes, 29 de junho de 1927. Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
Teixeira Mendes nasceu em 5 de janeiro de 1855, em Caxias, cidade do interior do Maranhão. Quando órfão de pai, mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a demonstrar interesse em duas áreas: matemática e filosofia. Aluno do Colégio Pedro II, aprofundou seus estudos sobre o positivismo quando ingressou na Escola Politécnica, porém interrompeu o curso por divergências com o diretor, o visconde de Rio Branco, sendo expulso. Foi durante este período, no velho prédio do Largo de São Francisco, centro da cidade, que Teixeira Mendes se aproximou de  Miguel Lemos (1854-1917), companheiro na divulgação do positivismo no Brasil. Juntos viajaram para Paris, em 1877, em busca de conhecimentos sobre a doutrina fundada por Auguste Comte (1798-1857). A religião positivista foi trazida para o Brasil por eles, que trabalharam ativamente na divulgação da “Religião da Humanidade”. Em 1881, Miguel Lemos fundou oficialmente a Igreja Positivista do Brasil, no Rio de Janeiro. Mendes assumiu a liderança da referida igreja em 1905 e a ocupou até sua morte, em 28 de junho de 1927. Na ocasião, recebeu diversas homenagens (O Jornal, 29 de junho de 1927 e O Paiz, 29 de junho de 1927). Uma foto de Miguel Lemos com Teixeira Mendes foi publicada na revista O Malho 13 de agosto de 1927.
 
Augusto Malta. Funeral de Raimundo Teixeira Mendes, 29 de junho de 1927. Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz
 
 
Esboço da Bandeira Nacional feito em papel quadriculado, datado novembro de 1889, autoria do engenheiro Raimundo Teixeira Mendes. Material descoberto na Igreja Positivista do Brasil, no Rio de Janeiro.
 
*Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz e Marcus Vinícius Rubim Gomes é estagiário na Casa de Oswaldo Cruz
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**Itens do acervo referenciados neste post:**
- `20.500.12156.1/6602` — `itens/20.500.12156.1_6602/`
- `20.500.12156.1/6603` — `itens/20.500.12156.1_6603/`
- `20.500.12156.1/6601` — `itens/20.500.12156.1_6601/`