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Notícia O Estadão / Economia

Dois diretores do BC estão no centro do impasse do Banco Master; leia bastidores

Autorização do negócio depende do diretor de Organização do Sistema Financeiro, enquanto possível liquidação dependeria da assinatura do diretor de Fiscalização; procurado, BC não se manifestou

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Por Alvaro Gribel e Célia Froufe (Broadcast)

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ify 29/08/2025 09h40 Atualização: 29/08/2025 11h07

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BRASÍLIA - O "risco CPF" está por trás da divisão interna no Banco Central sobre o desfecho da venda de um pedaço do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Enquanto a autorização da operação depende do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Dias Gomes, uma possível liquidação do Master - em caso


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Em qualquer um dos casos, os diretores encaminham um voto à diretoria colegiada, que decide por concordar ou não com o que foi proposto. Desde o início da proposta do BRB, Gomes tem se mostrado resistente à operação, segundo apurou o Estadão/Broadcast, enquanto Aquino tem dado sinais positivos. Essa batalha sobre quem decide é um dos panos de fundo da operação, já que envolve a responsabilidade de colocar o próprio CPF na aprovação de compra ou na intervenção.

Procurado, o Banco Central preferiu não se manifestar.

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Se Gomes levar à cúpula do BC um desfecho no âmbito de negócios para os problemas envolvendo o Master, Aquino não precisará ter de lidar com o problema posteriormente, caso seja necessário decretar a liquidação do banco - ou resolução, como é chamada atualmente de forma técnica o processo.

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Se o negócio for autorizado, mas levar a problemas ao BRB, um banco público, haverá questionamentos sobre Renato Gomes, que encaminhou o voto a favor. Se o negócio for negado, mas os problemas do Master se agravarem a ponto de chegar a um caso extremo de liquidação, aí será a área de Aquino, que cuida da fiscalização, que ficará em xeque, por não ter visto o "risco Master" crescer a tempo. Por isso, o encaminhamento do voto é visto como uma "batata quente" entre as diretorias.

Uma das preocupações no mercado financeiro é com o "risco moral" do caso Master. Há o entendimento entre analistas de que o banco teve um crescimento expressivo, num curto espaço de tempo, e baseado em um modelo de negócios extremamente arriscado.

Por um lado, o Master captava recursos oferecendo alta

rentabilidade a quem emprestasse dinheiro ao banco, principalmente por meio de Certificados de Depósito


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investimentos com baixa liquidez, como precatórios (dívidas que os governos são obrigados a pagar por decisões da Justiça), direitos creditórios (uma espécie de pré-precatório, porque ainda não há sentença de pagamento) e ações de empresas em dificuldades.

Leia mais

  • O que vai acontecer com os CDBs do Master caso a

venda ao BRB seja aprovada pelo Banco Central?

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seis partes se operação for aprovada pelo BC; entenda

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'Tamanho compatível', diz CEO do banco estatal

Essa "alavancagem" com garantias do FGC incomodou grandes bancos do País, que são os principais depositantes do fundo. Em caso de calote do Master, por exemplo, é o

FGC que terá de honrar os pagamentos para investimentos de até R$ 250 mil por CPF.

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Se essas operações não gerarem algum tipo de punição, há o temor de que os próprios donos do Master ou mesmo outros banqueiros avaliem que o BC pode estar sendo menos crítico e que movimentações do tipo não só


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Decisão colegiada

No final de março, o BRB fez uma proposta para comprar

um pedaço das ações do Master. Desde então, o caso está

em análise pelo Banco Central, que precisa autorizar ou negar a operação. Em conversa com jornalistas na quintafeira, 28, após uma palestra na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), Renato Gomes afirmou que

ainda não há data para a decisão.

"Não, eu não sou a palavra final. A minha área, ela é responsável, tem o D.O.R.F., Departamento de Organização do Estado Financeiro, e essa área é responsável por analisar esse tipo de transação. Leva-se então um voto à diretoria, e é um tema de deliberação da diretoria colegiada", respondeu Gomes. "Nós estamos trabalhando no tema, mas eu não posso te dar uma data:'

Questionado sobre rumores de uma suposta cisão em debates acerca da solução para o tema, Gomes respondeu que a diretoria da autoridade monetária trabalha de forma harmoniosa.

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"Não posso relatar questões internas do Banco Central, mas eu não enfatizaria esse tema; eu acho que o Banco


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Outros agentes também comentaram que todos estão cientes de que se trata de uma decisão colegiada, ainda que haja mais peso para um ou outro diretor de área, o que tem sido minimizado internamente por haver a avaliação de que será uma determinação conjunta.

Como mostrou o Estadão, o Banco Master pode ser

dividido em pelo menos seis partes, caso o BC aprove a venda. Além da parte para o BRB, o Master teria pedaços

vendidos ao BTG Pactuai, ao grupo J&F, e outros que ficariam a cargo dos antigos sócios do banco, Augusto Lima e Maurício Quadrado.

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Já os ativos sem interesse do mercado permaneceriam com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas com suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC}.

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do Banco Master, por meio de investimentos milionários fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos até mesmo em empresas vinculadas à irmã do dono do banco, Daniel Vorcaro.

De acordo com a CVM, o Master investiu um total de R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica suficiente para dar retorno a esses investimentos. Essa situação, aponta o relatório, "pode comprometer severamente a solidez patrimonial da instituição financeira". O Estadão teve acesso, com exclusividade, a

detalhes da apuração sigilosa da CVM.

Procurado, o Master afirmou que esses investimentos "já foram integralmente quitados, não havendo qualquer exposição"./ Colaborou Daniela Amorim


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