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857ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração do BRB VOTO 008 - ITEM 05 - ORIENTAÇÃO GERAL DE NEGÓCIOS E REVISÃO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO BRB PARA O QUINQUENIO 2025/2029 19 de dezembro de 2024

Senhor Presidente, Demais membros do Conselho de Administração,

No exercício de minhas atribuições como Conselheiro, apresento este voto sobre a proposta de revisão do Planejamento Estratégico para o quinquênio 2025-2029, item 5 da pauta da 857ª Reunião do Conselho de Administração. Este voto reflete minha análise técnica, fundamentada em dados financeiros, pareceres regulatórios, relatórios de agências de rating e boas práticas de governança corporativa.

Ao apresentar minha posição sobre o Planejamento Estratégico Quinquenal 2025-

2029, não posso deixar de destacar aspectos procedimentais e estratégicos que

comprometem a qualidade e a governança desse processo.

Em primeiro lugar, a documentação que subsidia a deliberação foi disponibilizada apenas ao longo do dia 17 de dezembro de 2024, com a reunião agendada para o dia 19 de

dezembro de 2024. Este prazo insuficiente não atende às disposições estatutárias do

BRB, que exigem que materiais de tamanha relevância sejam entregues com pelo menos cinco dias úteis de antecedência. Essa prática prejudica uma análise detalhada e criteriosa, fundamental para decisões que impactam o futuro da instituição.

Além disso, destaco que, conforme meu voto registrado na 855ª Reunião do Conselho

de Administração, em 28 de novembro de 2024, manifestei preocupações específicas

sobre a ausência da presidência do Banco no período crítico de fechamento do planejamento estratégico e orçamentário para 2025. Reforcei, à época, que a liderança do Presidente era essencial para o alinhamento organizacional e para decisões estratégicas urgentes, especialmente considerando o cenário de desafios financeiros enfrentado pela instituição.

A ausência do Presidente durante o período referido impactou negativamente a supervisão do planejamento, além de ter deixado o Banco sem a devida coordenação executiva em um momento decisivo. A consequência dessa ausência reflete-se na fragilidade do material apresentado, que carece de respostas concretas para problemas estruturais previamente apontados por este Conselho e por agências de rating como a Fitch, como a deterioração do CET1, a baixa eficiência operacional e a dependência excessiva de

receitas extraordinárias.

A governança do BRB exige rigor procedimental, planejamento estratégico sólido e liderança efetiva, elementos que foram comprometidos pela sucessão de falhas apontadas. Reitero a necessidade de um comprometimento mais sério com os prazos estatutários e uma atuação mais proativa da alta administração no acompanhamento das demandas do Conselho.

I - Introdução e Contexto


Desde 2022, tenho reiterado preocupações sobre a sustentabilidade financeira e estratégica do banco, expressas em votos anteriores e discutidas amplamente em reuniões passadas, incluindo as 835ª, 841ª e 854ª. Essas preocupações foram corroboradas pela recente análise da agência Fitch Ratings (novembro/2024), que manteve uma perspectiva negativa para o BRB, indicando fragilidades na estrutura de capital e dependência de receitas extraordinárias para sustentação dos resultados.

O Planejamento Estratégico apresentado pela Diretoria para o período 2025-2029 é insuficiente frente aos desafios estruturais e aos apontamentos feitos pelas agências de rating, além de desconsiderar elementos críticos mencionados em meu voto de 19 de novembro de 2024, durante a 854ª Reunião do Conselho de Administração.

II - Análise Crítica da Proposta II.1 Ausência de Diagnóstico Estratégico Adequado

A proposta de Planejamento Estratégico apresentada na Nota Executiva PRESI/SUORG/GEPLA - 2024/002, especialmente em seu item 7.4, descreve que o diagnóstico estratégico resulta de análises de ambiente, cenários, tendências e matriz SWOT, mas não explicita como essas análises foram traduzidas em ações concretas

para enfrentar os desafios mais críticos do BRB, como a dependência de receitas não

recorrentes e o aumento da inadimplência. Conforme mencionado no documento:

"O Diagnóstico Estratégico consiste no resultado de análises do ambiente, como: cenários, tendências e confecção da matriz SWOT. Tais análises servem como direcionamento estratégico para subsidiar a Alta Administração no momento das definições das Diretrizes Estratégicas" (parágrafo 7.4, página 2).

No entanto, a proposta falha em detalhar como o BRB pretende superar a deterioração contínua do Índice CET1 e fortalecer sua rentabilidade recorrente.

Comparação com o Relatório da Fitch

O relatório da Fitch, disponível na página 8 do documento de avaliação de rating mais recente, reforça a crítica de que a dependência de receitas extraordinárias é um fator recorrente.

Este ponto é evidente na declaração: "A contínua venda de ativos, como carteiras de

crédito consignado, gera ganhos pontuais, mas não resolve a baixa eficiência operacional e a ausência de estratégias consistentes para fortalecer a geração de receitas recorrentes."

O planejamento apresentado, ainda que reforce a continuidade das estratégias anteriores, ignora os alertas levantados pela agência de rating e repete falhas de ciclos anteriores, conforme destacado no parágrafo 8.9 da Nota Executiva: "Os objetivos foram dispostos

no Mapa Estratégico, que é a representação gráfica da estratégia, estruturada por meio de um conjunto de objetivos que direcionam o comportamento e o desempenho do Banco, interligados por relação de causa e efeito." (parágrafo 8.9, página 7).


Sem um diagnóstico estratégico robusto, não há garantia de que o Mapa Estratégico irá conter ações efetivas para mitigar os problemas estruturais identificados.

Problemas na Análise de Impacto Orçamentário

A Nota Executiva, em seu item 6.1, afirma que "não há impacto orçamentário

imediato", mas destaca que: "O Planejamento Estratégico norteia a elaboração do Plano de Negócios 2025-2029, sendo que o impacto orçamentário será contemplado quando da apreciação do respectivo documento pelas alçadas competentes." (parágrafo 6.1, página 2).

Essa abordagem fragmentada compromete a visão integrada de gestão e planejamento, especialmente em um contexto em que o índice de Basileia, conforme item 11.1 da Nota Executiva, já demonstra fragilidade: "Quando da elaboração do Plano de Negócios e

Plano de Capital para o quinquênio 2025-2029 será realizada a análise dos impactos de capital." (parágrafo 11.1, página 9).

A ausência de um impacto consolidado neste momento impede uma avaliação estratégica realista e compromete a transparência das deliberações.

Desalinhamento com as Propostas de Rentabilidade

Embora o documento mencione no parágrafo 8.5 iniciativas para fortalecer a eficiência operacional por meio de digitalização e inovação, não há detalhamento sobre os investimentos necessários e seus retornos esperados.

O texto afirma: "Melhoria da eficiência operacional por meio da automatização,

simplificação, modernização e digitalização dos processos; tornar-se mais digital, moderno e ágil e investir em tecnologia e inovação." (parágrafo 8.5, página 5).

Essa afirmação genérica, sem métricas ou metas claras, contrasta com os desafios imediatos apresentados no relatório da Fitch e compromete a credibilidade do planejamento.

Assim, a proposta apresentada na Nota Executiva PRESI/SUORG/GEPLA -

2024/002 carece de um diagnóstico estratégico claro e ações concretas para endereçar os

desafios identificados tanto por este Conselho quanto por instituições externas. A falta de detalhamento compromete a capacidade do Planejamento Estratégico de oferecer soluções sustentáveis para o fortalecimento do BRB no médio e longo prazo.

II.2 Fragilidade na Estratégia de Capitalização:

A proposta de Planejamento Estratégico para o quinquênio 2025-2029 revela uma abordagem insuficiente para enfrentar o cenário crítico da capitalização do BRB. O índice CET1, que atingiu preocupantes 7,34% no primeiro semestre de 2024, está entre os mais baixos do setor bancário brasileiro e apenas 0,34 p.p. acima do limite regulatório mínimo exigido, conforme apresentado no Relatório de Desempenho do 1º Semestre de 2024, página 13.


A dependência do BRB de receitas extraordinárias é amplamente destacada em relatórios anteriores e na avaliação da Fitch, que aponta para uma deterioração estrutural dos índices de capitalização devido à ausência de estratégias sustentáveis. Essa questão foi reiterada no meu voto registrado na 854ª Reunião do Conselho de Administração

(19/11/2024), que destacou o caráter temporário das receitas extraordinárias, como

vendas de ativos, mascarando a fragilidade operacional do banco.

A Nota Executiva PRESI/SUORG/GEPLA - 2024/002 (parágrafo 11.1), embora mencione que a análise dos impactos de capital será realizada posteriormente no Plano de Capital, não apresenta medidas concretas para endereçar a recuperação do índice CET1. Tal lacuna é preocupante, considerando que a deterioração do CET1 compromete a capacidade do BRB de absorver choques econômicos ou financeiros.

Ausência de Medidas Robustas

Apesar de o Planejamento Estratégico se referir à necessidade de fortalecimento da estrutura de capital e liquidez (parágrafo 8.5), não foram detalhadas ações específicas para:

- Revisão de Ativos Ponderados por Risco (RWA): Não há indicações claras de

uma análise detalhada dos RWAs, que poderiam contribuir para a otimização do capital regulatório disponível.

- Redução de Despesas Administrativas: As despesas administrativas

continuam elevadas, com crescimento acima da inflação em exercícios recentes, conforme demonstrado no Relatório de Desempenho de 2024 (página 19), sem propostas significativas de cortes ou renegociações contratuais.

- Aumento da Eficiência Operacional: A proposta menciona a modernização

tecnológica como diretriz estratégica (parágrafo 8.14), mas não apresenta cronogramas ou investimentos alocados para efetivar essa transição.

Comparativo com Práticas de Mercado

O índice CET1 de 7,34% coloca o BRB em uma posição vulnerável em relação aos pares do mercado financeiro. Bancos regionais com perfis semelhantes mantêm, em média, um CET1 superior a 9,5%, como indicado pelo Relatório Anual do Banco Central de

2023, seção Indicadores de Solidez Bancária.

A ausência de medidas estruturais para corrigir essa disparidade evidencia a fragilidade do planejamento apresentado, especialmente em um contexto onde os desafios regulatórios e econômicos se intensificam.

Recomendação

Reitero a necessidade de que o Planejamento Estratégico inclua, de forma clara e específica:

1. Plano de Revisão dos Ativos Ponderados por Risco: Identificar ativos com alto

consumo de capital e avaliar oportunidades para reestruturação.


2. Propostas de Redução de Despesas: Implantar um programa de contenção e

eficiência administrativa, com metas definidas para cortes em despesas não essenciais.

3. Investimentos Alinhados à Modernização Operacional: Garantir que os

projetos de automação e digitalização sejam priorizados no orçamento, com impactos esperados detalhados no curto prazo.

Essas ações são essenciais para assegurar a sustentabilidade do BRB, fortalecer sua posição de capital e restabelecer a confiança de investidores, reguladores e stakeholders.

II.3. Falta de Metas e Indicadores Consistentes

O Planejamento Estratégico 2025-2029 apresenta uma ausência significativa de metas claras e indicadores financeiros e operacionais consistentes, essenciais para o monitoramento e avaliação do desempenho do BRB. Esse ponto é particularmente preocupante, considerando a complexidade do ambiente bancário atual e a necessidade de respostas rápidas e bem fundamentadas para os desafios enfrentados.

A Nota Executiva PRESI/SUORG/GEPLA - 2024/002, em seu parágrafo 8.8, destaca a importância de indicadores estratégicos para visualizar e monitorar o progresso rumo aos objetivos, mas não apresenta de forma detalhada as métricas a serem utilizadas. Além disso, o parágrafo 8.15 menciona que os indicadores e metas podem ser ajustados após a definição das estratégias, mas não especifica prazos ou métodos para esses ajustes.

No entanto, documentos complementares, como o Anexo 1 - Planejamento Estratégico 2025-2029, não fornecem previsões detalhadas de rentabilidade, crescimento da base de clientes ou eficiência operacional, deixando o Conselho de Administração sem ferramentas adequadas para acompanhar e avaliar o desempenho do banco de maneira objetiva.

Consequências da Falta de Indicadores Consistentes

A ausência de metas e indicadores detalhados gera uma série de implicações negativas:

  1. Dificuldade de Monitoramento: Sem metas claras, o Conselho de Administração não consegue realizar o acompanhamento necessário para garantir que os objetivos estratégicos estão sendo alcançados.

2. Avaliação Subjetiva de Resultados: A falta de métricas específicas leva à

subjetividade na avaliação do desempenho, dificultando a identificação de desvios e a implementação de correções tempestivas.

3. Impacto na Tomada de Decisões: Decisões estratégicas ficam comprometidas,

pois os dados apresentados não possuem robustez suficiente para embasar análises fundamentadas.

Abaixo estão exemplos concretos que ilustram a falta de metas e indicadores no planejamento:


1. Rentabilidade: Não há previsão detalhada de evolução do ROE (Retorno sobre

Patrimônio Líquido), um indicador essencial para medir a rentabilidade do banco. Comparativamente, bancos regionais de porte similar projetam metas de ROE de 15% a 18%, conforme o Relatório Anual do Banco Central de 2023, enquanto o BRB não apresenta uma meta comparável.

2. Crescimento da Base de Clientes: Embora o Planejamento Estratégico

mencione o objetivo de expandir a base de clientes, não há números específicos ou metas temporais, como crescimento anual em porcentagem ou número absoluto de clientes a serem atingidos.

3. Eficiência Operacional: O planejamento não apresenta metas relacionadas ao

índice de eficiência, uma métrica que reflete a relação entre despesas operacionais e receitas operacionais. Em 2024, o índice do BRB foi de 63% (Relatório de

Desempenho do 1º Semestre de 2024, página 15), acima da média do mercado,

mas o planejamento não propõe metas claras para sua redução.

Comparativo com Boas Práticas de Mercado

Boas práticas de planejamento estratégico incluem metas específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais (SMART). Bancos de porte semelhante ao BRB geralmente incluem:

- Metas Financeiras: ROE, crescimento de receitas, e redução de despesas

administrativas.

- Metas Operacionais: Expansão da base de clientes, tempo médio de

atendimento, e aumento de eficiência em processos digitais.

- Indicadores de Sustentabilidade: Percentual de ativos alocados em projetos

ESG.

O Planejamento Estratégico 2025-2029 do BRB não inclui tais parâmetros, comprometendo sua robustez e competitividade.

Assim, recomendo que o planejamento seja revisado para incluir metas e indicadores consistentes, com detalhamento técnico das métricas, tais como:

1. Indicadores Financeiros:

Meta de ROE progressivo (por exemplo, aumento de 2% ao ano até 2029). Redução do índice de eficiência para abaixo de 50% até 2027.

  1. Indicadores Operacionais: Crescimento anual da base de clientes em 10%. Aumento da digitalização dos serviços, com meta de 80% dos atendimentos realizados digitalmente até 2026.
  2. Indicadores de Qualidade e Sustentabilidade: NPS (Net Promoter Score) acima de 70 até 2028. Alocação de pelo menos 15% do portfólio em ativos ESG até 2029.

Com metas claras e indicadores robustos, o Conselho poderá exercer adequadamente seu papel de supervisão estratégica, garantindo o alinhamento do banco com seus objetivos de longo prazo.

II.4. Desalinhamento com as Diretrizes de Governança e Compliance: A proposta

desconsidera a necessidade de retomada da prática de divulgação de guidance, uma ferramenta essencial para aumentar a transparência e alinhamento com investidores e stakeholders. Além disso, não apresenta soluções para mitigar as críticas feitas pela Fitch quanto à governança e à transparência da gestão.

II.5. Ausência de Resposta ao Cenário Macroeconômico

O Planejamento Estratégico 2025-2029 do BRB não aborda adequadamente os desafios impostos pelo cenário macroeconômico atual, marcado por um aumento significativo da inadimplência e pela alta proporção de créditos classificados como de risco elevado (D- H). Essa omissão reflete uma fragilidade no planejamento, especialmente na gestão de riscos de crédito e na implementação de controles internos robustos.

Diagnóstico da Situação Atual

Conforme relatado no Relatório de Desempenho do 1º Semestre de 2024 (página 8), a inadimplência do BRB alcançou 2,7%, um aumento considerável em comparação aos períodos anteriores. Além disso, uma parcela preocupante da carteira de crédito está classificada nos níveis de risco D-H, que, segundo a Resolução CMN 4.557/2017, demandam maiores provisões e impactam negativamente o índice de capitalização (CET1).

O parágrafo 9.1 da Nota Executiva PRESI/SUORG/GEPLA - 2024/002 reconhece que a ausência de uma estratégia formalmente delineada pode acarretar dispersão de esforços, perda de mercado e continuidade de ações estruturantes. No entanto, o documento falha

em apresentar medidas concretas para mitigar os riscos relacionados à qualidade
da carteira de crédito.

Consequências da Omissão

A falta de uma estratégia clara para enfrentar os riscos de crédito e o cenário macroeconômico tem implicações graves:

1. Aumento do Custo de Crédito: Com a deterioração da qualidade da carteira, o

banco precisará alocar mais recursos para provisões, impactando diretamente sua lucratividade.

2. Impacto na Solidez Financeira: A alta proporção de créditos de risco reduz a

confiança dos investidores e regulações mais rígidas podem exigir capital adicional, pressionando o índice CET1, que já está em um nível crítico de 7,34%.

3. Perda de Competitividade: A ausência de medidas de reforço nos controles

internos e revisão da modelagem de crédito compromete a capacidade do banco de competir em um mercado cada vez mais dinâmico e desafiador.


Exemplos de Fragilidades Identificadas

1. Gestão de Riscos: O Planejamento Estratégico não apresenta estratégias para

lidar com o aumento da inadimplência, como a implementação de sistemas mais eficientes de análise de crédito ou políticas para renegociação de dívidas.

2. Provisões e Controle de Perdas: Embora o parágrafo 11.1 da Nota

Executiva mencione que o impacto no índice de Basileia será analisado no Plano de Negócios, não há menção a um plano para reforçar as provisões ou melhorar os processos de recuperação de crédito.

3. Revisão de Modelagem de Crédito: Não há referências a ajustes nos modelos de

análise de risco para refletir o cenário econômico atual, como a inflação persistente, que impacta diretamente a capacidade de pagamento dos clientes.

A ausência de uma resposta clara e detalhada ao cenário macroeconômico no Planejamento Estratégico 2025-2029 é uma lacuna preocupante que deve ser corrigida. O banco precisa urgentemente adotar medidas para enfrentar o aumento da inadimplência e a deterioração da qualidade de sua carteira de crédito. Sem uma estratégia robusta, o BRB corre o risco de comprometer sua solidez financeira e competitividade no mercado.

III - Propostas e Recomendações

1. Revisão Completa do Planejamento: Recomendo que a Diretoria seja instada a

revisar integralmente o planejamento estratégico, incorporando:

- Diagnóstico aprofundado: Análise detalhada dos desafios estruturais

enfrentados pelo banco, incluindo a deterioração do índice CET1, aumento da inadimplência e baixa rentabilidade recorrente.

- Metas e indicadores consistentes: Definição de metas claras e

indicadores financeiros e operacionais robustos para monitoramento e avaliação de desempenho, com destaque para rentabilidade, eficiência e expansão sustentável da base de clientes.

- Estratégias de capitalização: Adoção de medidas concretas para

aumentar o índice CET1, fortalecendo a estrutura de capital por meio de revisão de ativos ponderados por risco, redução de despesas administrativas e maior eficiência operacional.

- Soluções para sustentabilidade financeira: Estratégias para reduzir a

dependência de receitas extraordinárias, priorizando o aumento de resultados recorrentes e a implementação de iniciativas de eficiência.

2. Engajamento do Controlador: Solicito que o Conselho convoque formalmente

o Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do banco, para discutir e assegurar o suporte institucional necessário ao fortalecimento da posição de capital da instituição. Esse diálogo deve focar em garantir a estabilidade do BRB, com medidas concretas para assegurar sua resiliência e competitividade no longo prazo.


3. Adoção de Medidas Imediatas de Eficiência Operacional: Recomendo a

implementação urgente de ações de contenção de despesas e aumento de eficiência, incluindo:

  • Suspensão imediata de gastos não essenciais, como despesas de marketing sem comprovação de retorno econômico direto, aberturas de agencias, etc.

  • Prioridade a investimentos em tecnologia e modernização de processos, com foco na automação e na melhoria da eficiência operacional.

  • Reavaliação de contratos e despesas administrativas para maximizar a eficiência no uso de recursos.

4. Implementação de Planos de Contingência: Sugiro que a Diretoria elabore

planos de contingência detalhados, considerando cenários adversos como:

  • Crises de liquidez ou volatilidade nos mercados financeiros.

  • Mudanças regulatórias que possam impactar diretamente a estrutura de capital e operações do banco.

  • Oscilações na economia local e nacional, que afetem a inadimplência ou a capacidade de captação.

5. Manifestação Contrária à Aprovação e Pedido de Retirada de Pauta: Declaro

que meu voto será contrário à aprovação da proposta caso ela não seja retirada de pauta para revisões e melhorias. Tal decisão baseia-se na ausência de elementos essenciais no planejamento estratégico, que comprometem a sustentabilidade e governança da instituição.

6. Solicitação de Registro em Ata e Comunicações Institucionais: Solicito que

este voto seja registrado integralmente na ata da 857ª Reunião do Conselho de Administração. Ademais, requer-se que a decisão e as análises aqui expostas sejam formalmente comunicadas:

  • À Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF), como representante do banco nas assembleias de acionistas, para que acompanhe e apoie as medidas necessárias à sua estabilidade.

  • Ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), como órgão responsável pelo julgamento das contas do banco, para que tome ciência da situação e contribua com recomendações de boa governança.

Essas ações reforçam o compromisso deste Conselho com a transparência, a governança responsável e a sustentabilidade do Banco de Brasília.

Romes Gonçalves Ribeiro Conselheiro de Administração