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61 KiB

MendesJr.

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A DV OG A D O Ss

doc. 2

Transcrição literal da oitiva e síntese oficial da PF

Assinado de forma digital por NEULER MENDES GOMES JUNIOR:11131358678 DN:c=BR, o=ICP-Brasil, ou=videoconferencia, ou=42909112000100, ou=Secretaria da Receita Federal do Brasil-RFB, ou=ARONCERT, ou=RFB e-CPF A3,cn=NEULER MENDES GOMES JUNIOR:11131358678 Dados: 2026.07.28 15:02:50 -03'00'

mdc.adv.br


DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Ok, senhores, então vamos dar início à audiência.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

A audiência é gravada, está certo? Eu vou pedir para o senhor Dr. Márcio Sempre se aproximar um pouquinho do microfone para facilitar a captação do áudio.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Está ok. O senhor me escuta bem?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Sim, sim. Mas se o senhor se aproximar um pouco mais-

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

É que eu não sei onde é que está-

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Deixa eu só achar, né?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Oi?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Tá. Aí fica tranquilo.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Está melhor aqui?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Está.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Inquérito Policial número 2026.0058161, Delegado de Polícia Federal Albert Paulo Sérgio Moura, oitiva do senhor Márcio Domingos dos Santos. Senhor Márcio, o senhor está sendo ouvido na condição de investigado. Na condição de investigado, o senhor tem o direito de ficar em silêncio. O senhor não é obrigado a responder ao que for questionado. No entanto, essa oportunidade que o senhor tem de falar é um exercício


do direito de defesa, então é sempre importante que o senhor esclareça os questionamentos que forem feitos aqui. Se for do seu conhecimento, obviamente, e se for do seu interesse fazer esses esclarecimentos. Esse inquérito foi instaurado por requisição do excelentíssimo Ministro André Mendonça para apuração de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor já tem amplo acesso ao inquérito policial. A qualquer tempo em que o senhor quiser protocolar um pedido do inquérito atualizado, seja diretamente, seja por intermédio do seu advogado. O senhor já conhece o canal de pedidos, já tem o contato do escrivão e os e-mails para fazer esses pedidos. Eu vou fazer perguntas para o senhor bem objetivas e aí aguardo também do senhor respostas bem objetivas.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Está ok.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece e tem alguma relação profissional com Daniel Lopes Monteiro?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Sim. Conheço o Daniel. O Daniel Monteiro. A gente tem uma amizade ali de infância e adolescência. Estudamos na mesma escola, até no bairro lá onde a gente morava, né? Então eu conheço o Daniel já há bastante tempo.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Certo. O senhor tem alguma relação societária com ele?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Societária, não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Societária. Os senhores já foram sócios em alguma empresa?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não. Nunca fomos sócios em nenhuma empresa.


DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Já trabalharam juntos em alguma empresa, algum escritório?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Eu trabalhei com o Daniel Monteiro, agora no período aí de início de 2025, fevereiro, março ali, alguma coisa assim, prestando serviços para a empresa dele até o dia 16 de abril de 2026. Eu venho de uma carreira da indústria do alumínio, né, de 30 anos. Acompanho o Daniel Monteiro. A gente tem uma amizade aí de longa data, então acompanhava ele na carreira dele, né, de advogado aí, renomado e tal. E ele me fez uma proposta de prestar um serviço para um escritório pessoal dele. E eu comecei a prestar esse serviço aí mais ou menos em fevereiro, março de 2025. Em abril de 2026, eu acabei me desligando oficialmente da empresa por onde eu trabalhei durante 14 anos, 13 ou 14 anos, e comecei a prestar esse serviço aí para uma das empresas do Daniel Monteiro.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Para qual empresa dele o senhor prestou serviço?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Para a Mytra.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Mytra. Qual foi? Que tipo de serviço o senhor prestou para a empresa?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Então, prestamos serviço de apoio administrativo, técnico, informações cadastrais. O projeto que ele tinha era um projeto de um escritório pessoal, né, de alguns investimentos e cuidar de alguns ativos dele. Eu tinha uma carreira totalmente fora desse mundo, de direito societário ou de mercado financeiro. E aí eu aceitei o convite e migrei para a gente começar esse trabalho.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. A sua formação e o trabalho que o senhor vê para o senhor Daniel é na área jurídica, na área financeira?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não, a minha forma-


DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Qual que é o trabalho especificamente?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

A minha formação é Engenharia de Produção Mecânica, com uma pós-graduação em Gestão Empresarial. Um MBA em Gestão Empresarial. O fato dele ter me chamado, né, eu tinha organizado uma empresa do zero a Alussin, né, começando, uma fábrica de extrusão de alumínio, que é onde eu tinha mais conhecimento, e ele acompanhava e sabia que eu tinha organizado ali a estrutura também dessa empresa e me chamou para organizar esse escritório pessoal dele que ele estava iniciando.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece a Noctua Asset?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

A Noctua Asset foi uma empresa que é uma gestora, né. Ela não chegou a operar efetivamente, né, nunca transitou nada por ela. Mas era uma gestora que eles chamavam lá de gestora cativa. Como é que eu posso explicar de melhor aqui? Deixa eu pensar. Você tem os investimentos daquele escritório pessoal, né, investimentos e sociedades e tal, e normalmente eles colocam isso dentro de uma gestora própria deles, para não ter que pagar uma gestora externa, entendeu? Então a Noctua era uma... acho que a gente assinou a Noctua em outubro, se eu não me engano, outubro ou novembro de 2025, que era uma gestora que ia entrar em operação.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

A ideia era entrar em operação, mas tem todo um trâmite de CVM, de ANBIMA, que eu também desconhecia, para você conseguir colocar uma gestora dessa no ar, né. Então a Noctua nunca chegou a operar. Ela nunca chegou a operar.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Nunca chegou a operar?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não, nunca chegou a operar. A gente teve... primeiro a gente tinha que contratar um... deixa eu ver se o Neuler lembra, que ele conhece. Como é que é o nome do?

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

CGA.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

O CGA, que é um cargo que é a pessoa que vai realmente cuidar dos fundos que transitam por aquilo lá tudo. Então teve uma mudança de regra de entrar em janeiro de 2026, pela ANBIMA, que você precisaria de dois CGAs, um suplente e um oficial, vai, vamos dizer assim. E a gente estava atrás desse pessoal, contratando e tal, a dificuldade estava grande, e a gente não conseguiu colocar a gestora para funcionar nesse período, entendeu? Ela já foi até dado baixa nela, se eu não me engano. Eu assinei até uma dissolução.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Nunca chegou a operar.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Nunca operou.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Nunca chegou a operar.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Nunca operou, nunca transitou um real por ela, nunca passou nenhum fundo por ela, porque ela não tinha, não chegou a ter o registro de que poderia operar, né, pela CVM, ANBIMA, uma regulação bem complexa, bem extensa, um negócio bem difícil.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Ela chegou a ter capital social integralizado?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Eu não sei dizer para o senhor.


ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Doutor, eu posso fazer uma pergunta que complementa sobre esse assunto? Um ponto que é importante ele esclarecer?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Se a senhora pergunta para mim, eu repasso para ele. Fique à vontade.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Tá bom, perfeitamente. Eu ia perguntar só se ele tem relação ou conhecimento do passado anterior à entrada dele na Noctua, que a representação diz que tem uma vinculação com a REAG. Enfim, talvez seja um ponto.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito, perfeito. Vamos para ter uma fluidez na audiência, doutor. Vamos fazer o seguinte: anote todas as perguntas que o senhor vai fazer, no final eu vou abrir e aí o senhor vai fazer cada uma das perguntas.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Perfeitamente. Obrigado.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Que aí tem uma fluidez maior.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Combinado.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Mas aproveitando que o senhor já fez a pergunta, o senhor conhece a REAG Trust, a REAG Asset, e já teve relação com essas empresas diretamente ou por intermédio da Noctua ou de outras empresas?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não. Nunca tive relação nenhuma com a REAG, não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. O senhor conhece Augusto Ferreira Lima?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não conheço.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece Luiz Antônio Lombardi?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Conheço o Luiz Antônio, é amigo nosso também, dessa época de colégio, né, com o Daniel Monteiro. Também conheço o Lombardi, sim.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Ele trabalha com o quê, o senhor Lombardi?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

O senhor Lombardi, ele trabalhava ali com o Daniel, cuidando alguma coisa mais específica de carros ali e tal, que eu lembro disso. Ele era o, não sei se administrador, diretor, não sei como é que pode chamar, dessa empresa Epitome aí, né, que está na petição.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Sim. Perfeito. Dentro do seu trabalho de gestor, nesse tempo que o senhor trabalhou com o senhor Daniel, o senhor trabalhou em algum momento na constituição ou em alterações societárias ou em qualquer questão administrativa referente a essa empresa Epitome?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor chegou a falar com o Dr. Lombardi?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

É, quando eu cheguei-desculpa, doutor, posso falar?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Fique à vontade.


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Ah, tá. Quando eu cheguei, essa estrutura já estava toda desenhada, né. Epitome já existia, era mais um ativo que estava lá do Daniel Monteiro. Para a gente, não tenho... não participei de nada, não assinei nada, não passou um real, nada do tipo por minha mão, assim. Eu não tenho nem conhecimento para fazer qualquer coisa desse tipo eu tinha.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor mantém algum tipo de contato com o senhor Luiz Lombardi regularmente?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Eu mantinha até eu ser intimado, né. Porque aí diz que eu não posso mais ter contato com ele.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor chegou a conversar com o senhor Luiz Lombardi antes da restrição judicial? O senhor chegou a conversar com o senhor Lombardi sobre a questão da Epitome?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não me recordo. Mas era, como eu disse para o senhor, era um ativo do Daniel que estava embaixo de uma estrutura do Daniel. Então, se eu falei com ele alguma coisa sobre a empresa, para mim seria natural alguma coisa corriqueira do dia a dia ali, que é uma empresa que tinha um apartamento ali do Daniel, né.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Certo. O senhor Luiz Lombardi, ele tinha ações de gestão na empresa Epitome? Ele gerenciava a empresa? Ou quem gerenciava a empresa era o Daniel?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Então, até onde eu tenho conhecimento, o gerenciamento ali, não sei se posso chamar isso de gerenciamento, mas o Lombardi pagava contabilidade. Você tem que mandar todo mês um relatório de movimentação da empresa para a contabilidade, para ter os balanços. Essa empresa passa por auditoria. E aí ele cuidava disso, até onde eu sei, tá?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Quem fazia isso, era o Daniel ou era o Lombardi?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Até onde eu sei, era o Lombardi.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Lombardi. Tá.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

As coisas assim, né, corriqueira, né.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Certo.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Essa empresa M QUATTRO Consultoria é do senhor?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Sim. Essa empresa foi.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

É a sua?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Essa empresa foi a empresa que eu constituí para poder prestar serviços para o Daniel Monteiro. Até então, eu sempre trabalhei num regime CLT. Eu iniciei minha carreira em 97 numa empresa do grupo Votorantim, na Companhia Brasileira do Alumínio.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Lá eu fiquei durante 15 anos. Tive uma proposta para essa outra empresa, que era um cliente meu à época até, e eu fui para a Alussin, que era uma extrusão de alumínio, sempre trabalhando num regime CLT. Então, para mim, esse regime PJ foi até uma novidade e uma mudança aí de cenário, até, então.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Que tipo de serviço o senhor prestava para ele por intermédio da M QUATTRO?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Esse serviço de apoio, de organização. Então, a ideia dele era organizar essa estrutura que ele tinha de ativos e de investimentos, né. Era uma estrutura que estava bem desorganizada ali, e a gente começou a dar uma organizada nisso.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. Só para... eu sou da área jurídica, mas não sou da área financeira, nem da área administrativa. Só para ficar mais específico: em que consiste organizar os ativos? Eu queria que o senhor fosse um pouquinho mais detalhado nesse assunto.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Organizar é criar pastas ali, por exemplo. Você tinha uma empresa lá, você tem atas que você precisava ter registradas, o senhor falou aí de integralização de capital. Então a gente fazia esse follow-up ali para ver, ó, integralizou, não integralizou, foi para a JUCESP ou não foi, e organizar isso dentro de pastas para que, se alguém pedisse, você tivesse aquele documento no momento que precisasse, né.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Era muito mais um trabalho documental e burocrático ou o senhor também participava da, digamos, das decisões estratégicas?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Nunca participei.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Da empresa?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Nunca participei de nenhuma decisão estratégica. Sempre uma decisão mais operacional e burocrática. Até porque eu não tinha nem como participar, que eu vinha de um outro mercado, de uma indústria, né, um negócio totalmente diferente, eu não tinha conhecimento para poder participar de nada estratégico naquele momento, durante esse período que eu fiquei lá, pelo menos.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O serviço que o senhor fazia, o senhor faturava por essa empresa?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Pela Mytra. Desculpa, pela M QUATTRO para a Mytra.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Pela M QUATTRO para a Mytra. Ok. Essa empresa Excelsior Capital?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Então, a Excelsior, na realidade, é o mesmo projeto da Noctua, né. A Noctua não conseguiu entrar em operação. Em dado momento, alguém falou que, ó, é mais fácil a gente constituir uma gestora do zero, com uma estrutura menor, organizacional, que vai ser mais rápido ter o registro na CVM e na ANBIMA do que pegar uma gestora que já existia, que trocou e tal. Então foi nisso que a Excelsior foi constituída. Mas ela também não chegou a operar, não chegou nem a ter registro de CVM, ANBIMA, nada. Também não transitou nem um real por ela, nem um fundo, não passou absolutamente nada por ela. Nem por ela e nem pela Noctua.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Certo. Eu vou fazer a mesma pergunta que eu fiz com a Noctua: tem capital social integralizado a Excelsior?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Eu também não sei dizer para o senhor. Eu sei que ela era menor. A estrutura até era menor.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Quem foi que pediu para constituir essas empresas? Foi o senhor Daniel?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Isso vinha lá do Daniel, que era o escritório dele, né. Então é aquilo que eu comentei para o senhor, de uma

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

gestora cativa, né, que eles chamavam, para deixar de pagar o que ele já pagava para o mercado aí. Inicialmente, a ideia era essa.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Qual era o papel de Davi Lopes Monteiro?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

O Davi é irmão do Daniel, né. E o Davi, ele, quando eu cheguei a essa estrutura, ele que também tentava ali administrar, mas ele tinha também uma parte mais com o Daniel ali, de investimentos e tal, ele que controlava as contas, ele que fazia essa parte financeira junto com o Daniel. Muitas vezes a gente usava o Davi até para chegar no Daniel, porque o Daniel era um cara que raramente você conseguia falar com ele, o contato era bem difícil, sempre correndo, muito atarefado com o escritório dele de advocacia, né. Então era isso.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

A sua interlocução, o interlocução mais frequente era com o Davi ou com o Daniel?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Mais com o Davi, um pouco, é. O Daniel era mais esporádico, aquela coisa do cara que está mandando, ó, preciso disso, preciso daquilo, faz isso, faz aquilo, tal.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece o Valério Marega Júnior?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não conheço, nunca tive nenhum contato.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece o João Carlos Falbo Mansur?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não conheço, só de nome e de imprensa ali e tal.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

E às vezes se falava o nome dele lá em alguma coisa no escritório, né, que é o dono da REAG, né.


DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor já fez algum trabalho de consultoria, de assessoria desses que o senhor fazia, que diziam respeito a Carlos Mansur ou à REAG?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não, nenhum. Não, especificamente era para controlar, deixa eu só mexer aqui um pouquinho, para controlar ali essa parte organizacional das estruturas das sociedades do Daniel. Nada fora isso.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Entendi. Especificamente sobre esse apartamento a que o senhor já se referiu, o senhor chegou a tratar de questões documentais referentes a esse apartamento 1702 do empreendimento Poemme-Horto, em Salvador?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Questões documentais? Como assim?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor produziu algum documento, contrato, revisou contrato?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Qualquer tipo de documento?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Bom, segundo consta aqui na documentação, em fevereiro de 2026, a minuta desse... alguns arquivos, os nomes dos arquivos são: Contrato de Compra Epitome 03/01/24, assinado por todos, um outro documento chamado Primeiro Aditivo Poemme, e um terceiro documento chamado PA Primeira Etapa Poemme-Horto, assinados. Esses três arquivos, segundo consta aqui, foram trocados em WhatsApp entre o senhor e o senhor Daniel. Foi o senhor quem encaminhou esses arquivos para o Daniel?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

É, então, até o doutor Neuler, olhando os autos, ele viu que na petição parece que está escrito que ele teria me enviado, mas parece que foi...

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Parece que consta aqui na imagem que o senhor enviou para ele, não é isso?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Isso. Então, pelo que eu me lembro, assim, é uma coisa que ele deve ter me ligado ou mandado alguma mensagem, não sei. Ah, eu preciso dos documentos do apartamento lá da Epitome. E eu fui no arquivo que tinha lá na rede e joguei para ele. Eu imagino que seja isso.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. Essa era a pergunta que eu ia lhe fazer. Onde o senhor pegou esses arquivos para encaminhar para o Daniel?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Provavelmente na rede do escritório, que a gente tinha e nessa organização que estava construindo lá de ter esses documentos certos para poder enviar para quando alguém pedisse ou para algum serviço de auditoria que fosse necessário fazer. Eram documentos que...

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Era (inint.)?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Eram documentos que já estavam lá até, né, antes da minha chegada. E não eram documentos de arquivo que você não pode mexer, né, um arquivo PDF lá que você não consegue nem alterar nada do que está ali, né.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. Então, o senhor não recebeu esses arquivos de ninguém. O senhor obteve na base do acervo?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Se eu recebi... se eu recebi, eu não vou lembrar, doutor. Pode ser que o Luiz Lombardi tenha me passado em algum momento, eu não sei, não vou... não consigo lembrar porque eram vários arquivos que passavam, várias coisas que a gente tentava organizar. Especificamente desse, eu não me recordo.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor se recorda em que contexto ele lhe pediu esses arquivos? Se ele lhe pediu para fazer algum trabalho em cima desses documentos?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Ele não explicava muito o que ele ia fazer com as coisas. Então, de repente ele pedia: "Ah, preciso disso". E a gente acabava fazendo o que ele estava pedindo. O Daniel não era um cara de dar muita satisfação do que ele ia fazer ou como ele ia fazer, ou de pedir opinião de qualquer tipo de coisa. A gente estava lá mais para organizar essa tarefa ali do escritório. Então, nem cabia a mim, né, mesmo tendo amizade com ele, eu sabia que o meu lugar era um lugar de estar prestando serviço, não de questionar ou de perguntar ou de qualquer coisa do tipo.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece o André Pessoa Vitor Campos?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Conheço, conheço. O André, ele é sócio do Daniel lá no escritório Monteiro Rusú. Eu conheci ele ali nesse período em que eu acabei trabalhando, acabei indo no escritório Monteiro Rusú, conheci outros advogados lá também, né, advogados.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor chegou a falar com ele, com o André, sobre esse apartamento?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não. Então, basicamente, a minha participação foi pegar esse arquivo e mandar para o Daniel porque ele pediu. Para mim, é um apartamento que era dele, que ele vai fazer ali, eu não tinha muita... Para mim, foi tudo isso aí, foi uma surpresa muito grande.


DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. Só para esclarecer: esse acervo de documentos que o senhor organizou e que o senhor ao qual o senhor tinha acesso, e nesse acervo estavam documentos da Epitome, incluindo desse apartamento. Esse acervo é num contexto de documentos referentes a empresas e ativos do Daniel Monteiro, correto?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Do Daniel Monteiro, das sociedades dele e de alguns projetos que ele tinha para esse escritório pessoal dele, né. Projetos que também começaram, a gente mudou o escritório, teve várias coisas que foram rolando nesse período. Então, viemos a juntar um escritório menor, teve a mudança de escritório, teve desenvolvimento de site, desenvolvimento de logo das empresas lá, da Mytra, da Noctua. Teve algumas coisas, da Excelsior também chegamos a falar, a desenvolver logo, a desenvolver site, a criar políticas da gestora, enfim, documentações desse tipo.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Todos esses documentos, o seu trabalho dizia respeito aos documentos do acervo de ativos do Daniel Monteiro?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Sim.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor chegou a trabalhar em alguma coisa para o Banco Master ou para Daniel Vorcaro?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Nunca. Nada.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor chegou... o senhor o conhecia?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece essa empresa ou a empresa ou fundo Sebastian?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não, não conheço.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

A questão é de se o senhor conhece e se está dentro desse mosaico aí de entidades que o senhor administrava dos ativos do Daniel.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Pegasus? Pegasus eu ouvi falar lá. Era, acho que dentro da Pegasus, se eu não me engano, tinha um avião.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

A Pegasus era do Daniel Monteiro? Estava nessas empresas que o senhor organizou no acervo dele?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Estava ali numa estrutura, sim. Mas não lembro de nenhum documento, nada muito específico dessa empresa, não.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Tinha um avião associado a essa empresa que o senhor falava?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Isso. Mas que nem voava até, tá?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Tá. Mas que o senhor falava que tinha um avião.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Era um ativo que estava ali embaixo, ó.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Tá, perfeito. Fazia parte do patrimônio da empresa?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Sim. Até onde eu me lembro, sim.


DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

E a Mytra é a empresa que o senhor já falou que era utilizada pelo Daniel Monteiro, correto?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Correto.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece Guilherme Sodré?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não conheço. Nunca tive contato.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Guilherme Sodré Martins?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Também nunca tive contato, não conheço.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O senhor conhece o fundo Hockenheim?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Esse é um fundo que é uma estrutura, até onde a gente sabe lá, que era do Daniel Monteiro, né.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O Hockenheim era do Daniel Monteiro?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Até onde a gente tinha informação ali.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Tá. Estava dentro desse conjunto de informações que o senhor gerenciava e organizava?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Não do fundo, praticamente do fundo, né. Do fundo eu tinha muito pouca informação. Embaixo do fundo tinham esses ativos. E a Epitome era um ativo que estava embaixo desse fundo.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Do Hockenheim?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Isso.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. Quando o senhor começou a organizar esses dados do Daniel, o apartamento já estava vinculado à Epitome?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Sim, senhor.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Desde o início, quando o senhor começou a administrar a Epitome, já tinha esse apartamento?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Sim, toda essa estrutura já estava montada, né. Já estava lá e o ativo já estava lá também quando eu cheguei.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Doutor, fique à vontade.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Obrigado, doutor. Eu quero fazer uma pergunta muito simples, só para a gente ter o termo técnico. Quando você diz escritório pessoal, quando o Daniel fez o convite, qual foi o termo técnico que ele usou, que ele estava construindo?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Deixa eu entender isso. Quando o Daniel o convidou para trabalhar com ele, não é isso?


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Isso. Ele chamava de uma estrutura de family office, né.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Family office.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Family office. Então, quando.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

O que isso significa?

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

É, é um termo mais chique. Mas é escritório pessoal, né, que eu considero isso, né. Mas family office é uma estrutura que cuida dos ativos da pessoa, dos investimentos, tal, esse tipo de coisa, que é o que a gente efetivamente acabava fazendo ali.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Doutor, era isso. No mais, só perguntar, Márcio, se tem mais alguma coisa que você gostaria de dizer ao doutor Albert, que acha importante.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Tá. Posso falar, doutor?

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Fique à vontade.

MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Bom, primeiro eu queria agradecer a oportunidade de esclarecer isso tudo, tá? Para mim, é um... como eu falei, eu venho de 30 anos, tenho 52 anos de idade, nunca imaginei passar por nada parecido com o que eu estou passando nesse período, tá? Está sendo bem difícil e bem complicado, mas tudo bem, vamos lá. Eu queria deixar à disposição aí, eu até conversei com o doutor Neuler antes, o meu sigilo pessoal, meu sigilo fiscal, bancário, tudo o que for possível. Nada eu fiz de errado, nada eu participei de nenhuma negociata, de nenhuma negociação. Não conheço a maioria das pessoas que estão ali nesse envolvimento todo de Banco Master e de Daniel e de Augusto Lima, de todo esse povo aí. Muito menos nenhum agente político aí, nunca tive contato, nada do tipo.


MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS

Estou sendo afetado pelo bloqueio de contas, né. Eu já estou, aí, desde que o Daniel foi preso, eu estou sem receita e estou tendo que viver ali, sabe Deus como. E afetou, inclusive, uma conta pessoal, uma conta conjunta, desculpa, que eu tenho com a minha mãe, que é uma aposentada de 86 anos e que recebe o benefício dela e está bloqueado também. Eu sei que as coisas não são tão rápidas aí, que vai depender de esclarecimento, mas se for possível a reversão aí dessas cautelares, aí, qual é o nome? Que foram colocadas, eu agradeceria bastante.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Doutor, mais alguma observação?

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

Não, só isso. Obrigado, doutor Albert, pela oportunidade.

DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL ALBERT PAULO SÉRGIO MOURA

Perfeito. Eu agradeço. Tenha um bom dia.

ADVOGADO NEULER MENDES JR.

O doutor também. Bom trabalho.


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CGRC/DICOR/PF 2026.0058161

POLÍCIA FEDERAL COORDENAÇÃO DE INQUÉRITOS NOS TRIBUNAIS SUPERIORES - CINQ/CGRC/DICOR/PF

DESPACHO N° 2773983/2026

2026.0058161

Síntese das declarações de ANDRÉ PISSOLITO CAMPOS para consulta textual: Afirma que atualmente não trabalha com o senhor Daniel Lopes Monteiro; que já trabalhou com ele; que foi sócio dele; que foi sócio por quase 10 anos, de 2016 até o dia 28 de fevereiro de 2026; e que a sociedade se deu no escritório Monteiro, Ruzu, Camerão e Beatriz Advogados. Declara que já teve acesso aos documentos do inquérito. Questionado sobre os arquivos denominados "Contrato de compra Epítome 030124 assinado por todos 280725.pdf" e "Primeiro aditivo poem assinado", encaminhados pelo senhor Daniel Monteiro ao declarante via aplicativo de mensagens em fevereiro de 2026, e sobre o contexto desses documentos e o que o senhor Daniel lhe pediu para fazer com eles, responde que o senhor Daniel lhe pediu para fazer um CVC, que seria um compromisso de compra e venda; que não lhe passou os dados: ele só mandou os contratos; que o senhor Daniel Monteiro lhe ligou numa ligação de um minuto; que lhe disse "desculpa pela urgência, pelo short notice", mas que poderia fazer o documento naquele dia; e que o que não tivesse informação - as informações comerciais, nome de partes - poderia deixar em branco, em brackets, que depois ele preencheria; que, segundo o senhor Daniel Monteiro, ele também não tinha essas informações; e que o senhor Daniel pediu exatamente para fazer uma minuta com os dados comerciais em branco. Aduz que não conhecia a empresa Epítome S.A. e nunca tinha ouvido falar dela; que nunca tinha ouvido falar até esse momento; que depois foi a única atuação que teve com a empresa - o contato que teve com a empresa, não com a empresa em si, mas com um documento que o senhor Daniel lhe pediu para fazer relacionado à empresa -; e que nunca mais ouviu falar a respeito. Relata que conhece o senhor Luís Antônio Lombardi; que ele é amigo de infância do Daniel Monteiro; que o conhece pessoalmente, porque ele cuidava da parte de alguns carros do senhor Daniel Monteiro; que ele era diretor jurídico de empresa do Daniel Monteiro, que ele tinha carros e gostava de correr de carros; que o senhor Luís Lombardi era a pessoa que fazia toda essa preparação dos carros do Daniel; e que também no ano anterior teve interação com o senhor Luís Lombardi, que era diretor de uma empresa do Daniel, na qual o senhor Daniel fez a compra de um apartamento para a babá dele; que o senhor Daniel pediu ao declarante para fazer as minutas desses contratos para a compra do apartamento que ele fez para a babá em Barueri; e que o declarante teve contato com o senhor Luís Lombardi porque falou com o corretor e ficou explicando para o senhor Luís Lombardi as coisas que ele tinha que pedir para o corretor e o que tinha que fazer de entrega de chaves e minutas de contrato. Informa que, quanto à percepção que tem do senhor Luís Lombardi, diria que é uma pessoa normal, uma pessoa relativamente simples, mas uma pessoa inteligente, uma pessoa normal. Esclarece que o contrato que o senhor Daniel lhe encaminhou se referia ao empreendimento Poeme Horto, e que esse apartamento era em Salvador; que não tinha conhecimento de o senhor Luís Lombardi ter negócios em Salvador ou ter imóveis em Salvador; que tinha conhecimento, contudo, de que o senhor Daniel Monteiro tinha três apartamentos em Salvador; que o senhor Daniel não lhe explicou nenhum detalhe a respeito da relação do senhor Lombardi com esse imóvel, nem por que ele estava resolvendo alguma coisa, nem lhe deu nenhum detalhe a mais do negócio - nada, absolutamente nada; que o senhor Daniel apenas mandou o documento e pediu uma minuta em brackets; que foi o próprio declarante quem abriu o documento para bater o olho; que, na cautelar que apresentaram, com provas, demonstrou-se que encaminhou esse documento para um grupo de advogados internos do escritório, para que fosse elaborada essa minuta; e que não foi ele quem fez a minuta em si. Acrescenta que, ao abrir o documento e bater o olho, viu ali na qualificação dessa empresa que tinha um nome estranho, e que normalmente o senhor Daniel coloca nomes estranhos nas empresas pessoais dele; que tinha esse conhecimento; e que viu que o diretor dessa empresa era o senhor Luís Lombardi, que normalmente é o diretor das


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empresas pessoais do senhor Daniel Monteiro, como as empresas de carro; e que foi assim como aquela empresa para a qual também fez o documento no ano anterior, na qual o senhor Daniel comprou um apartamento para a babá, que eles chamam de "D." - não sabendo o declarante o nome dela -, sendo que esse apartamento foi em Barueri, São Paulo, e não em Salvador. Narra que, quanto à reunião que o delegado menciona como constante na documentação para tratar do documento logo após o envio, esclarece que essa reunião é a ligação de voz de um minuto a que já se referiu - ligação de voz, não de vídeo; que foi aquilo que comentou: o senhor Daniel lhe ligou; que nessa época o senhor Daniel não costumava andar de muito bom humor, porque estavam separando o escritório; que o declarante já havia dado a notícia de que iria se separar dele; que ele tinha que fazer uma dissolução parcial do escritório; que o declarante e os demais sócios iriam sair do escritório; que então o senhor Daniel não vinha tratando a todos com muito bom humor, mas nesse dia estava até com relativo bom humor; que lhe disse "desculpa pelo short notice, você poderia fazer um documento para mim hoje? É urgente!"; que o declarante respondeu que poderia; que o senhor Daniel disse: "ah, um compromisso de compra e venda, te mandei no WhatsApp as minutas já assinadas, usa isso como base, o que tiver de informação que você não tem, deixa em brackets que eu preencho"; e que, segundo o senhor Daniel, ele também não tinha essas informações. Assevera que em nenhum momento o senhor Daniel falou que esse imóvel teria como destino o senador Jaques Wagner - de jeito nenhum; que não foi passado nada relativo à parte comercial ou à parte envolvida; que o senhor Daniel apenas mandou esses contratos, já assinados, e disse "faz um CVC, me manda em brackets"; que o declarante então encaminhou para um grupo interno de advogados, como era um trabalho muito trivial; que é um trabalho sem intelecto jurídico nenhum, feito com base em uma minuta já pré-estabelecida, que já fizeram várias vezes no escritório, inclusive para questões pessoais, e que o senhor Daniel Monteiro já havia feito várias vezes; que o declarante, na condição de sócio, pensou que, como é natural no escritório de advocacia, não iria fazer um trabalho que não é intelectual, resguardando o direito de fazer aquilo que lhe interessa, que tem intelectualidade, que tem alguma coisa melhor para ser desenvolvida; que então pegou essa solicitação do Daniel - que entendeu ser uma solicitação pessoal dele -, encaminhou num grupo de advogados de direito imobiliário do escritório, perguntando se havia alguém disponível para fazer aquela minuta, pois precisava com urgência ainda naquele dia; que a pessoa fez a minuta; que, na ocasião, a advogada técnica viu que o imóvel estava em construção, viu isso no documento que o Daniel havia mandado e que o declarante reencaminhou para ela; que ela fez uma adequação e um apontamento dizendo ao declarante, ao devolver o documento pronto: "olha, eu não fiz um CVC, que seria compromisso de compra e venda, porque seria inadequado, já que o imóvel está em construção; então, estando em construção, teria que ser cessão de direitos"; e que a advogada fez uma cessão de direitos e encaminhou ao declarante. Declara que o senhor Marco Domingos dos Santos não trabalhou nessa minuta, não trabalhou, e que o declarante não teve nenhum contato com ele referente a essa minuta; que não conhece o senhor Guilherme Henrique Sodré Martins; que conhece o senhor Valério Marega Júnior, que já foi cliente do escritório há uns seis anos, deixou de ser cliente, e cujo relacionamento era com o senhor Daniel Monteiro; que desconhece qualquer relação do senhor Valério Marega Júnior com esse imóvel; que não conhece o senhor Eduardo Mendonça Sodré Martins; que também não conhece; que conhece o senhor Augusto Ferreira Lima; que ele era sócio do Banco Master e era cliente do escritório, trazido pelo senhor Daniel Monteiro, de relacionamento do senhor Daniel Monteiro, que fazia o gerenciamento desse cliente; que o conhece pessoalmente; e que nenhuma dessas pessoas tratou com o declarante diretamente sobre esse imóvel - nunca, jamais. Relata que não foi o declarante quem fez a minuta - a equipe fez, ele repassou; que, no dia seguinte ao envio dos documentos pelo senhor Daniel, o senhor Daniel lhe cobrou a minuta; que a advogada havia feito a minuta e lhe mandado naquele dia, mas o declarante havia esquecido de mandar para o Daniel; que apesar de Daniel ter dito que era urgente, o declarante entendeu que era uma questão pessoal dele e não se atentou; que não mandou para ele naquele dia; que no dia seguinte o Daniel lhe cobrou a minuta, perguntando se conseguiria mandar naquele dia subsequente; que o declarante respondeu "esqueci do principal, fiz aqui, mas esqueci de te mandar"; que então mandou para ele no dia seguinte; que dois dias depois - o que até lhe causou estranheza, porque o Daniel havia dito inicialmente que era urgente - o senhor Daniel veio tirar uma dúvida sobre essa minuta, perguntando por que a construtora tinha que assinar junto o documento que foi feito pela equipe do escritório; que o declarante respondeu: "olha, nesse tipo de contrato, normalmente a construtora exige que ela assine junto como interveniente na cessão dos direitos, até porque ela tem que saber para quem está sendo vendido o apartamento, e também em muitos casos a construtora cobra um valor por essa cessão, é uma forma dela se remunerar; então eu vou confirmar no contrato e te informo a cláusula que deve ter essa exigência"; que disse isso porque não havia lido o contrato


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que o senhor Daniel lhe mandou como um todo, apenas havia batido o olho, visto o diretor Luís Lombardi ali, e encaminhado para o pessoal fazer a minuta; que então selecionou a cláusula do contrato que exigia a intervenção da construtora e mandou para ele; que o Daniel agradeceu; e que nunca mais tiveram nenhuma interação, seja pelo WhatsApp, seja pessoalmente, seja por ligação, qualquer outro modo, relacionada a essa minuta. Informa que só veio a se relembrar desse assunto quando teve a operação policial e ouviu seu nome no jornal, ficando sem entender o que estava acontecendo; e que no dia seguinte teve acesso aos autos e pôde relembrar o nome dessa empresa e resgatar o que estava acontecendo e o que havia sido colocado em seu nome. Aduz que, além do senhor Daniel Monteiro, tratou sobre essa minuta somente com a advogada interna do escritório que a fez, e que tratou com ela pelo WhatsApp; que a única tratativa foi para pedir para ela fazer, verificar se alguém poderia fazer; que ela estava mais ociosa que os outros advogados no grupo e se candidatou para fazer; que fez no dia e lhe devolveu; que essa foi a tratativa que teve com ela; que a advogada lhe explicou que, como o imóvel estava em construção, tinha que ser cessão de direitos e não compromisso de compra e venda; que essa foi a única interação; que depois houve uma interação em que ela perguntou qual seria o débito desse trabalho; e que o declarante respondeu para ela fazer um lançamento interno no escritório, porque acreditava que era uma demanda pessoal do senhor Daniel Monteiro; e que ela fez um lançamento de horas interno no débito do escritório. Assevera que com o senhor Luís Lombardi não chegou a falar nada; que a interação foi só com o senhor Daniel pelo WhatsApp e aquela ligação de um minuto que ele fez; que o senhor Daniel não fez nenhum comentário a esse respeito sobre o porquê estava fazendo aquela cessão de direitos; que, como é um documento muito trivial, para o declarante também não teria problema nenhum, pois é um documento muito comum no dia a dia de direito imobiliário; e que, em sua leitura, como o senhor Daniel tinha imóveis em Salvador, e era uma empresa cujo diretor era o amigo de infância dele, assim como de outras empresas dele, pareceu-lhe absolutamente natural. Acrescenta, como informação que considera relevante registrar em audiência, que não participou de nenhum grupo de WhatsApp relacionado a esse assunto; que não teve contato com nenhuma outra pessoa que não o senhor Daniel relacionado a esse assunto; que não participou de nenhuma conversa relacionada a esse assunto com qualquer outra pessoa que não seja o senhor Daniel Monteiro, que lhe passou esse recorte muito, muito limitado do que era para fazer.

Síntese das declarações de MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS para consulta textual: Afirma que conhece o senhor Daniel Lopes Monteiro; que a amizade entre eles vem da infância e da adolescência, tendo estudado na mesma escola, no mesmo bairro onde moravam; e que conhece o senhor Daniel Monteiro há bastante tempo. Declara que não possui relação societária com o senhor Daniel Monteiro e que nunca foram sócios em nenhuma empresa; que trabalhou com o senhor Daniel Monteiro no período de fevereiro ou março de 2025 até o dia 16 de abril de 2026, prestando serviços para a empresa dele; que vem de uma carreira na indústria do alumínio de 30 anos; que acompanhava o senhor Daniel Monteiro e sua carreira como advogado renomado; que o senhor Daniel Monteiro lhe fez uma proposta de prestar um serviço para um escritório pessoal dele; que começou a prestar esse serviço por volta de fevereiro ou março de 2025; que em abril de 2026 se desligou oficialmente da empresa pela qual trabalhava, onde havia permanecido por 13 ou 14 anos; e que passou a prestar esse serviço para uma das empresas do senhor Daniel Monteiro. Relata que a empresa do senhor Daniel Monteiro para a qual prestou serviços era a Mytra; que o tipo de serviço prestado era de apoio administrativo, técnico e de informações cadastrais; que o projeto que o senhor Daniel Monteiro tinha era o de um escritório pessoal, voltado a alguns investimentos e ao cuidado de alguns ativos dele; que o declarante tinha uma carreira totalmente fora do mundo de direito societário ou de mercado financeiro; e que aceitou o convite e migrou para começar esse trabalho. Aduz que sua formação é engenharia de produção mecânica, com pós-graduação e MBA em gestão empresarial; que havia organizado do zero uma empresa chamada Alucin, uma fábrica de extrusão de alumínio, onde tinha mais conhecimento; que o senhor Daniel Monteiro acompanhava essa experiência e sabia que o declarante havia organizado a estrutura daquela empresa; e que o convidou para organizar o escritório pessoal que estava iniciando. Esclarece que conhece a Noctua Asset; que se trata de uma gestora que não chegou a operar efetivamente, nunca


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tendo transitado nada por ela; que era chamada internamente de "gestora cativa"; que, conforme explicação do declarante, os investimentos de um escritório pessoal - investimentos em sociedades e afins - são normalmente colocados dentro de uma gestora própria para não ter que pagar uma gestora externa; que a Noctua foi constituída, em sua estimativa, em outubro ou novembro de 2025, e era uma gestora que tinha a ideia de entrar em operação, mas que há todo um trâmite junto à CVM e à Anbima que o declarante também desconhecia; que, para colocar uma gestora dessas no ar, a Noctua nunca chegou a operar; que havia a necessidade de contratar um profissional certificado como CGA, que é o cargo responsável por cuidar dos fundos que transitam pela gestora; que houve uma mudança de regra da Anbima, prevista para entrar em vigor em janeiro de 2026, pela qual seriam necessários dois CGAs - um suplente e um titular -; que a dificuldade em contratar esses profissionais foi grande e a gestora não conseguiu entrar em funcionamento nesse período; que ela já foi objeto de baixa, tendo o declarante assinado uma dissolução; e que nunca operou, nunca transitou um real por ela, nunca passou nenhum fundo por ela, porque ela não chegou a ter o registro que permitiria operar junto à CVM; que não sabe dizer ao delegado se a Noctua chegou a ter capital social integralizado. Narra que não teve nenhuma relação com a Reag Trust nem com a Reag Asset, diretamente ou por intermédio da Noctua ou de outras empresas; que não conhece o senhor Augusto Ferreira Lima; que conhece o senhor Luís Antônio Lombardi, que é amigo dele e do senhor Daniel Monteiro desde a época de colégio; que o senhor Lombardi trabalhava com o senhor Daniel Monteiro cuidando de coisas mais específicas relacionadas a carros; que não sabe precisar se era administrador ou diretor da empresa Epítome, conforme consta na petição; que, quanto ao trabalho de gestão durante o período em que trabalhou com o senhor Daniel Monteiro, não atuou em nenhum momento na constituição, em alterações societárias ou em qualquer questão administrativa referente à empresa Epítome; que, quando chegou, toda essa estrutura já estava desenhada; que a Epítome já existia e era mais um ativo que estava lá do senhor Daniel Monteiro; que não participou de nada, não assinou nada e não passou um real por sua mão referente a essa empresa; e que não tinha nem conhecimento para fazer qualquer coisa desse tipo. Assevera que mantinha contato regular com o senhor Luís Lombardi até ser intimado, pois a restrição judicial lhe impede de manter esse contato; que não se recorda de ter conversado com o senhor Lombardi especificamente sobre a questão da Epítome antes da restrição judicial; que, se falou com ele alguma coisa sobre a empresa, para o declarante seria algo natural e corriqueiro do dia a dia, pois era uma empresa que tinha um apartamento do senhor Daniel Monteiro; que, até onde tem conhecimento, a gestão corriqueira da Epítome era realizada pelo senhor Lombardi - sem ter certeza se pode chamar isso de gerenciamento -, o qual pagava a contabilidade, enviava todo mês o relatório de movimentação da empresa à contabilidade para ter os balanços e para que a empresa passasse por auditoria; e que essas eram coisas corriqueiras, tratadas pelo Lombardi, até onde sabe. Declara que a empresa M4 Consultoria é do declarante; que foi a empresa que constituiu para poder prestar serviços ao senhor Daniel Monteiro; que até então sempre havia trabalhado no regime CLT; que iniciou sua carreira em 1997 numa empresa do Grupo Votorantim, na Companhia Brasileira do Alumínio, onde ficou por 15 anos; que recebeu uma proposta de outra empresa, que era cliente seu à época, e foi para a Lucin, empresa de extrusão de alumínio, sempre trabalhando no regime CLT; e que o regime de pessoa jurídica foi até uma novidade e uma mudança de cenário. Relata que o tipo de serviço que prestava para o senhor Daniel Monteiro por intermédio da M4 era esse serviço de apoio e de organização; que a ideia do senhor Daniel Monteiro era organizar a estrutura que ele tinha de ativos e de investimentos, que estava bem desorganizada; e que começaram a dar uma organizada nisso; que organizar consistia em criar pastas, verificar se as atas das empresas estavam registradas, fazer o acompanhamento de integralizações de capital - checando se havia sido realizada e se havia sido encaminhada ao registro competente -, e organizar tudo em pastas para que, se alguém pedisse, o documento estivesse disponível no momento em que fosse necessário; que nunca participou de nenhuma decisão estratégica, sendo sua atuação sempre operacional e burocrática, também porque não tinha como participar, vindo de outro mercado, de uma indústria, e não tinha conhecimento para participar de nada estratégico durante o período em que lá ficou; e que faturava pela M4 para a Mytra.

Aduz que a empresa Excelsior Capital é, na realidade, o mesmo projeto da Noctua; que, como a Noctua não conseguiu entrar em operação, em dado momento alguém sugeriu que seria mais fácil constituir uma gestora do zero com uma estrutura organizacional menor, o que seria mais rápido para obter o registro junto à CVM e à Anbima, do que aproveitar uma gestora que já existia; que foi nesse contexto que a Excelsior Capital foi constituída; que ela também não chegou a operar, não chegou a ter registro junto à CVM ou à Anbima, e que não transitou absolutamente nada por ela - nem um real, nem um fundo -, nem por ela nem pela Noctua; que


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também não sabe dizer se a Excelsior Capital chegou a ter capital social integralizado, sabendo apenas que sua estrutura era menor; e que a iniciativa de constituir essas empresas vinha do senhor Daniel Monteiro, que era o dono do escritório, sendo a ideia inicial a de ter uma gestora cativa para deixar de pagar o que já pagava para o mercado.

Esclarece que o senhor Davi Lopes Monteiro é irmão do senhor Daniel Monteiro; que, quando o declarante chegou à estrutura, era o senhor Davi quem também tentava administrá-la; que o senhor Davi tinha uma atuação junto com o senhor Daniel na parte de investimentos, controlava as contas e fazia essa parte financeira em conjunto com o senhor Daniel Monteiro; que muitas vezes o declarante utilizava o contato com o senhor Davi para chegar ao senhor Daniel Monteiro, porque o senhor Daniel era uma pessoa com quem raramente se conseguia falar, o contato era difícil, sempre muito atarefado com o escritório de advocacia; que a interlocução mais frequente do declarante era com o senhor Davi, sendo o contato com o senhor Daniel mais esporádico - o senhor Daniel interagia mais no sentido de dar ordens e demandas pontuais. Informa que não conhece o senhor Valério Marega Júnior e nunca teve nenhum contato com ele; que conhece o senhor João Carlos Falbo Mansur apenas de nome e de notícias na imprensa, e que às vezes o nome dele era mencionado no escritório em alguma coisa, como sendo o dono da Reag; que não fez nenhum trabalho de consultoria ou assessoria que dissesse respeito ao senhor Mansur ou à Reag; que seu trabalho era especificamente para controlar a parte organizacional das estruturas das sociedades do senhor Daniel Monteiro, nada fora disso. Questionado sobre se chegou a tratar de questões documentais referentes ao apartamento 1702 do empreendimento Poeme Horto, em Salvador - especificamente se produziu algum documento, contrato, ou revisou contrato ou qualquer tipo de documento referente a esse imóvel -, responde que não; que, quanto aos três arquivos mencionados pelo delegado - "Contrato de compra Epítome 030124 assinado por todos", "Primeiro aditivo Poeme" e "BA primeira etapa Poeme assinados" -, os quais, segundo consta na documentação, foram trocados via WhatsApp entre o declarante e o senhor Daniel Monteiro em fevereiro de 2026, e sendo perguntado se foi o declarante que encaminhou esses arquivos ao senhor Daniel Monteiro, o declarante responde que, pelo que se recorda, o senhor Daniel Monteiro deve ter lhe ligado ou enviado alguma mensagem solicitando os documentos do apartamento da Epítome, e que ele foi aos arquivos que havia na rede e os encaminhou ao senhor Daniel Monteiro; que imagina que seja isso; que provavelmente os obteve na rede do escritório que tinham, no contexto da organização que estavam construindo para ter os documentos certos disponíveis para quando alguém pedisse ou para algum serviço de auditoria que fosse necessário; que esses documentos já estavam lá até antes de sua chegada; e que não eram documentos que se pudesse alterar, tratando-se de arquivos PDF. Acrescenta que, se recebeu esses arquivos de alguém, não vai lembrar; que pode ser que o senhor Luís Lombardi os tenha repassado a ele em algum momento, mas não consegue lembrar, pois eram muitos arquivos que passavam e muitas coisas que tentavam organizar; que especificamente sobre esses arquivos não se recorda; que o senhor Daniel Monteiro não explicava muito o que ia fazer com as coisas que pedia - de repente pedia algo e o declarante acabava fazendo o que estava sendo pedido; que o senhor Daniel Monteiro não era uma pessoa de dar muita satisfação sobre o que ia fazer ou como ia fazer, nem de pedir opinião de qualquer tipo de coisa; que o declarante estava lá mais para organizar as tarefas do escritório, e que nem cabia a ele, mesmo tendo amizade com o senhor Daniel, questionar ou perguntar, pois sabia que seu lugar era o de prestar serviço. Narra que conhece o senhor André Pissolito Campos; que ele é sócio do senhor Daniel no escritório Monteiro Rusu; que o conheceu nesse período em que acabou trabalhando e indo ao escritório Monteiro Rusu, tendo também conhecido outros advogados lá; que não chegou a falar com o senhor André Pissolito Campos sobre esse apartamento; que sua participação foi pegar esse arquivo e mandá-lo ao senhor Daniel Monteiro porque ele pediu; que, para o declarante, tratava-se de um apartamento do próprio senhor Daniel Monteiro; e que tudo isso foi uma surpresa muito grande. Assevera que o acervo de documentos que organizava e ao qual tinha acesso continha documentos das sociedades do senhor Daniel Monteiro, de alguns projetos que ele tinha para esse escritório pessoal dele; que os projetos também tiveram início e desenvolvimento durante esse período, incluindo mudança de escritório, desenvolvimento de site e de logotipos das empresas - da Mytra, da Noctua -, desenvolvimento de logo e de site da Excelsior Capital, criação de políticas da gestora e documentações desse tipo; que todo esse trabalho dizia respeito ao acervo de ativos do senhor Daniel Monteiro; que nunca chegou a trabalhar em nada para o Banco Master nem para o senhor Daniel Vorcaro e não o conhecia; que não conhece a empresa ou o fundo Sebastian; que conhece a empresa Pegasus, que, conforme a informação que tinha, dentro da Pegasus havia um avião - mas que esse avião nem


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chegava a voar - e que era um ativo que estava vinculado ao acervo de Daniel Monteiro, fazendo parte do patrimônio da empresa, até onde se recorda; que conhece o fundo Hockenheim, que, até onde tinha informação, era do senhor Daniel Monteiro; que, no que diz respeito ao fundo especificamente, tinha muito pouca informação; que abaixo do fundo havia esses ativos, e que a Epítome era um ativo que estava abaixo desse fundo; que não conhece o senhor Guilherme Sodré Martins e nunca teve contato com ele; que também não conhece o senhor Eduardo Sodré Martins e nunca teve contato com ele. Informa que, quando o senhor Daniel Monteiro o convidou para trabalhar com ele, usou o termo "family office" para designar a estrutura que estava construindo; que "family office", conforme explicação do declarante, é um termo mais refinado para escritório pessoal, tratando-se de uma estrutura que cuida dos ativos da pessoa, dos investimentos e coisas do tipo, que era efetivamente o que acabavam fazendo ali. Aduz que, quando começou a organizar os dados do senhor Daniel Monteiro, o apartamento já estava vinculado à Epítome; que toda essa estrutura já estava montada quando chegou, e que o ativo já estava lá também. Declara que tem 52 anos de idade e que, em 30 anos de carreira, nunca imaginou passar por algo parecido com o que está passando nesse período, que está sendo bem difícil e complicado; que colocou à disposição seu sigilo pessoal, fiscal e bancário, tudo que for possível; que não fez nada de errado, não participou de nenhuma negociação ilícita; que não conhece a maioria das pessoas envolvidas no contexto do Banco Master, do senhor Daniel Monteiro, do senhor Augusto Lima e demais envolvidos, muito menos nenhum agente político, sem ter tido contato de nenhum tipo com eles; que está sendo afetado pelo bloqueio de contas desde que o senhor Daniel Monteiro foi preso, estando sem receita; que o bloqueio afetou inclusive uma conta conjunta que mantém com sua mãe, aposentada de 86 anos de idade que recebe um benefício, estando esse benefício também bloqueado; e que, sendo possível, aguardaria a reversão das medidas cautelares que lhe foram impostas.

Determino:

  1. Realizadas audiências por vídeoconferencia de ANDRÉ PISSOLITO CAMPOS e MÁRCIO DOMINGUES DOS SANTOS, juntem-se aos autos os termos de declarações.
  2. Certifique-se nos autos que os arquivos de vídeo referentes às oitivas acima estão salvos na aba anexos do presente caso no ePol.

Brasília/DF, 16 de Julho de 2026.

Informação do Sistema: Os comandos acima foram encaminhados eletronicamente, para cumprimento, na data e horário da assinatura eletrônica.

Documento eletrônico assinado em 16/07/2026, às 19h05, por ALBERT PAULO SERVIO DE MOURA, Delegado de Polícia Federal, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006.A autenticidade deste documento pode ser conferida no site https://servicos.pf.gov.br/assinatura/, informando o seguinte código verificador:deee4bd9f5773158b138431c139f274096e5b0c6