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20537 https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=20537 Curso de Aplicação no Instituto Oswaldo Cruz Andrea Wanderley 2020-10-08T07:49:25+00:00
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Curso de Aplicação no Instituto Oswaldo Cruz

Ricardo Augusto dos Santos, pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz, uma das parceiras da Brasiliana Fotográfica, é o autor do artigo “Curso de Aplicação no Instituto Oswaldo Cruz”, que contribuiu para consolidar  os estudos da bacteriologia, da microbiologia e da parasitologia, tendo sido a semente da Pós-graduação na instituição. A primeira turma de ensino formal teve início somente em 1908, ano em que o Instituto Soroterápico Federal recebeu o nome de Oswaldo Cruz. Fizeram parte de seu quadro de professores grandes cientistas, dentre eles Adolpho Lutz (1855 – 1940) e Alcides Godoy (1880 – 1950).   Turma do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1933. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz   Curso de Aplicação no Instituto Oswaldo Cruz  Ricardo Augusto dos Santos*   Turma de 1911 do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1911. Manguinhos, Rio de Janeiro / Casa de Oswaldo Cruz   A formação de profissionais para a ciência está presente em Manguinhos desde a criação do Instituto Soroterápico Federal. Fundado em maio de 1900 com o objetivo de produzir soros e vacinas para combater a peste bubônica, o Instituto começou a desenvolver atividades educativas. No início, as tarefas de pesquisa e ensino eram realizadas em conjunto. Ainda não havia uma estrutura com funções específicas. Para consolidar a instituição, os primeiros cientistas se preocuparam com a formação de pessoal treinado nas técnicas recentemente (final do século XIX) desenvolvidas. De fato, as ações do Instituto combinariam ensino, investigação em laboratórios e produção de medicamentos. Posteriormente, a pesquisa aliada à prática docente se tornaria uma tradição na história da Fundação Oswaldo Cruz.   Acessando o link para as fotografias do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.   Muito cedo, estudantes de medicina frequentavam o Instituto Soroterápico em busca de orientação para suas teses. O trabalho de conclusão era indispensável para a conquista do diploma em medicina. Era um mundo novo e modernos temas de pesquisa atraíam os formandos. Na época, poucas instituições médicas no Brasil possuíam competência no campo da medicina experimental.   Alunos do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1911. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz   Em meio às obras de construção dos primeiros prédios da nova instituição, era habitual a presença de alunos da Faculdade de Medicina convivendo com os pesquisadores na outrora Fazenda de Manguinhos. Nos primórdios do Soroterápico, mestres e alunos apresentavam seus trabalhos que eram discutidos. A partir de 1903, ainda de maneira caseira, aulas começaram a serem oferecidas aos estudantes. Contudo, a primeira turma de ensino formal teve início somente em 1908, ano em que o Instituto recebeu o nome de Oswaldo Cruz. O Curso de Aplicação de Manguinhos contribuiu para consolidar a bacteriologia, a microbiologia e a parasitologia. Podemos afirmar que foi a semente da Pós-graduação na Fiocruz. Chamado domesticamente de Curso de Aplicação ou Escola de Manguinhos, em seu corpo docente, se destacavam nomes de cientistas, como Adolpho Lutz, Alcides Godoy, Henrique da Rocha Lima e Henrique de Beaurepaire Aragão, que haviam adquirido experiência e conhecimentos na Europa, em institutos onde se praticava a ciência mais avançada. O ensino no Curso de Aplicação era rigoroso. Em seus primórdios, eram admitidos médicos e estudantes de medicina. Depois, seriam aceitos farmacêuticos e veterinários. O curso era gratuito e os alunos responsabilizavam-se pela compra do material utilizado. Para se inscrever, os candidatos solicitavam autorização ao diretor do Instituto Oswaldo Cruz. Muitas vezes, os alunos trabalhavam voluntariamente como pesquisadores nos laboratórios e, posteriormente, poderiam ser absorvidos, entrando no quadro de funcionários contratados.   Alunos do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1913. Manguihos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz   Com a ampliação progressiva do desenho institucional, através da diversificação dos departamentos, laboratórios de pesquisa do IOC e disciplinas do Curso de Aplicação, um número crescente de alunos chegava em Manguinhos pretendendo a desejada entrada no Castelo da Ciência. O título destacava seu aspecto empírico e prático. Oficialmente, esse nome – Curso de Aplicação – surgiria apenas em 1919, mas era assim chamado desde a sua fundação. Era realizado anualmente e, logo, fortaleceu-se como escola de aperfeiçoamento em medicina experimental.   Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1912. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz   Olympio da Fonseca Filho, diretor do Instituto Oswaldo Cruz entre 1949 e 1953, ao tentar entrar em 1912, não conseguiu vaga, adiando seu ingresso para o ano seguinte. Desde os primeiros anos houve uma procura intensa. Entre sua abertura e a década de 1930, quinhentos candidatos se inscreveram, mas somente 275 conseguiram matricular-se. O programa era muito rígido. As disciplinas duravam quatorze meses, não se admitindo mais de dez faltas. Muitos estudantes que entravam não alcançavam a frequência e o rendimento necessários para a conclusão. Com o término do período, a publicação do texto como produção científica do Instituto Oswaldo Cruz proporcionava a ampliação da atuação do pesquisador. Após o curso, era possível a contratação provisória para os quadros do Instituto Oswaldo Cruz através das verbas obtidas com vendas das vacinas e medicamentos. Posteriormente, de acordo com alterações no corpo permanente de funcionários (aposentadoria ou morte de pesquisador) o aprendiz de cientista poderia sonhar com a nomeação para um cargo vitalício. O Curso de Aplicação significava a porta de entrada para o universo da pesquisa. Apesar de envolver relações próximas, a disputa por espaços baseava-se em critérios técnicos e científicos que aliavam o desempenho no Curso com o estágio nos laboratórios, lugar para amadurecimento das pesquisas.   J. Pinto. Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1931. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz   *Ricardo Augusto dos Santos é Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz   J. Pinto. Presença feminina no Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz, 1930. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz     Indicações de Leitura:   AZEVEDO, Nara & FERREIRA, Luiz Otávio. Os dilemas de uma tradição científica: ensino superior, ciência e saúde pública no Instituto Oswaldo Cruz, 1908-1953. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 2012, vol.19, n.2. REIS, Renata. A “grande família” do Instituto Oswaldo Cruz: a contribuição dos trabalhadores auxiliares dos cientistas no início do século XX. Tese (doutorado)-Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2018.   Henrique Aragão e alunos do Curso de Aplicação, 1938. Manguinhos, Rio de Janeiro / Acervo Casa de Oswaldo Cruz


Itens do acervo referenciados neste post:

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