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10905 https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=10905 Série “Carnavais de antigamente” III – A Batalha de Flores Andrea Wanderley 2018-02-19T11:00:56+00:00
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Preservação digital
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20.500.12156.1/5442
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Série “Carnavais de antigamente” III – A Batalha de Flores

A Brasiliana Fotográfica traz imagens da Batalha de Flores produzidas por Augusto Malta (1864 – 1957) que foi, de 1903 a 1936, o fotógrafo oficial da prefeitura do Rio de Janeiro. A Batalha de Flores é uma tradição do carnaval de Nice, na França, desde 1876. A festa chegou ao Brasil, em Petrópolis, em 1888. As imagens destacadas são da primeira década do século XX: de 1902; do dia 15 de agosto de 1903, quando aconteceu a primeira Batalha de Flores promovida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos (1836 – 1913), no Campo da Aclamação, atual Campo de Santana (Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1903); do dia 2 de setembro de 1906 (Gazeta de Notícias, 3 de setembro de 1906, terceira coluna, O Paiz, 2 de setembro  e 3 de setembro de 1906) e de 17 de outubro de 1909 (Gazeta de Notícias, 18 de outubro de 1909, penúltima coluna). As fotografias de Malta mostram as carruagens bastante enfeitadas com flores e uma grande quantidade de pessoas participando do evento.   Augusto Malta. Batalha das Flores: carro de Salvador Santos, 1903. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República   Acessando o link para as fotografias da Batalha de Flores do acervo do Museu da República e da Biblioteca Nacional que estão disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.    O início No jornal O Mercantil, foi publicada uma descrição da Batalha de Flores, transcrita do Correio Imperial, jornal redigido pelo príncipe D. Luis Maria de Orléans e Bragança (1878 – 1920), filho da princesa Isabel, e ao final, era sugerido que Petrópolis adotasse a celebração carnavalesca e que se sepultasse  o entrudo com seu cortejo defluxos e selvagerias (O Mercantil, 25 de janeiro de 1888, primeira coluna). A sugestão foi aceita e, no mesmo ano, em 12 de fevereiro de 1888, aconteceu em Petrópolis, sob chuva, a primeira Batalha de Flores de que se tem notícia no Brasil, com a participação da princesa Isabel, promotora da festa, de seu marido, o conde d´Eu  (1842-1922), e de seus filhos. O préstito saiu do Largo de D. Afonso, seguiu pela rua Bourbon, do Imperador, pela ponte da Imperatriz e retornou a seu ponto de partida. A Batalha de Flores substituiu o entrudo, que passou a ser considerado pela população petropolitana  menos digno do seu chic, pouco elegante e perigoso. O ministro da Agricultura, Rodrigo Silva (1833 – 1899), também participou do evento (Gazeta de Notícias, 2 de fevereiro de 1888, primeira coluna e 14 de fevereiro, na penúltima coluna; Cidade do Rio, 15 de fevereiro de 1888).     Gazeta de Notícias, 2 de fevereiro de 1888   No mesmo ano, em viagem pela Europa, Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina assistiram à Batalha de Flores de Nice, na França (Gazeta de Notícias, 13 de fevereiro de 1888, terceira coluna e 9 de março de 1888, quinta coluna). No Rio de Janeiro, a Batalha de Flores batizou, um ano depois, um baile à fantasia no Club dos Democráticos (Jornal do Commercio,  1º de fevereiro de 1889). Nos últimos anos do século XIX e nos primeiros anos do século XX, a Batalha de Flores era realizada na Praça da República fora do período carnavalesco (Gazeta de Notícias, 28 de abril de 1896, quarta coluna, e de 18 de setembro de 1903, quinta coluna).   Em 1903, a primeira Batalha de Flores promovida pela prefeitura do Rio de Janeiro  Na matéria publicada pela Gazeta de Notícias sobre a Batalha de Flores no Rio de Janeiro de 1903, publicada no dia seguinte à realização do cortejo, foram mencionadas festas semelhantes que aconteciam na avenida das Acácias em Paris, consideradas discretas, as de Nice, que se caracterizavam pela suntuosidade, e a ardente alegria das de Palermo, na Argentina. A festa no Rio de Janeiro foi um sucesso: mais de 20 mil entradas foram registradas e por vezes o movimento era tão grande que o desfile era interrompido. Segundo o jornal, foi uma festa com um cunho todo pessoal de refinada beleza e antes de tudo de uma grande alegria, de uma extraordinária simpatia, em que o bom povo fluminense, ávido de prazer e de festas, aclamava a cada passo, batia palmas, gritava entre as rosas desfolhadas e o riso de todos (Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1903). O Jornal do Brasil de 16 de agosto de 1903, saudou o evento como o início de uma era nova.   Ilustração de notícia da realização da primeira Batalha de Flores, no Rio de Janeiro / Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1903   Foi publicado o roteiro que as carruagens deveriam seguir durante a Batalha de Flores de agosto de 1903, no Campo da Aclamação, no Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, 14 de agosto de 1903).   Roteiro para as carruagens no parque / Jornal do Brasil, 14 de agosto de 1903   Na avenida Beira-Mar   Augusto Malta. Batalha das Flores, 17/10/1909. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu da República   Em 1907, na recém inaugurada avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro, e por sugestão da Gazeta de Notícias, a Batalha de Flores passou a ser uma batalha de confetes e acontecia, também, nas segundas-feiras do carnaval (Gazeta de Notícias, 26 de janeiro,  primeira coluna, 11 de fevereiro e 12 de fevereiro de 1907). No cortejo, que representava o carnaval da elite carioca, os foliões fantasiados desfilavam em carruagens ou carros enfeitados e atiravam flores, confetes ou serpentinas uns nos outros. O desfile, ao compareceram o presidente da República, Afonso Pena (1847 – 1909), e vários ministros, foi incentivado pelo prefeito Pereira Passos (1836 – 1913), que modernizava o Rio ao estilo de Paris. As famílias do presidente assim como a dos ministros presentes no evento participaram do desfile. As filhas de Afonso Pena desfilaram usando o automóvel presidencial, fato considerado marcante e ousado e que contribuiu para a divulgação da nova moda do carnaval brasileiro.   Gazeta de Notícias, 12  de fevereiro de 1907   Gazeta de Notícias, 23 de fevereiro de 1909   Acesse aqui todos os artigos da Série Carnavais de antigamente.   Andrea C. T. Wanderley Editora-assistente e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica   Fontes: COSTA, Haroldo. 100 anos de carnaval no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Irmãos Vitale, 2001. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional LIRA NETO. Uma história do samba – as origens. São Paulo:Companhia das Letras, 2017. O Globo, 28 de fevereiro de 2017. Site A Vida Francesa Site do Governo do Brasil     Augusto Malta. Batalha das Flores, c. 1902. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN


Itens do acervo referenciados neste post:

  • 20.500.12156.1/5442 — itens/20.500.12156.1_5442/
  • 20.500.12156.1/5438 — itens/20.500.12156.1_5438/
  • 20.500.12156.1/4221 — itens/20.500.12156.1_4221/