--- id: 33291 url: "https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=33291" titulo: "Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra" autor: "Andrea Wanderley" data: "2023-07-25T09:52:06+00:00" categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"] handles_referenciados: ["20.500.12156.1/6240", "20.500.12156.1/4489", "20.500.12156.1/5154", "20.500.12156.1/6847"] fetched_at: "2026-09-10T10:15:04.761Z" --- # Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra A Brasiliana Fotográfica celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra com uma seleção de imagens de mulheres produzidas por Alberto Henschel (1827 – 1882), Antônio Lopes Cardoso (18? – ?), Augusto Stahl (1828 – 1877), Carneiro & Gaspar (Joaquim Feliciano Alves Carneiro (18? – 1887) e Gaspar Antonio da Silva Guimarães (18? – 1874) ), Felipe Augusto Fidanza (1844 – 1903), João Goston (18? – ?), Marc Ferrez (1843 – 1923), José Christiano Junior (1832 – 1902) e por fotógrafos ainda não identificados. Foi no encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992, cujo objetivo era propor a união entre essas mulheres e denunciar o machismo e o racismo, que nasceu o Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha, reconhecido pela ONU no mesmo ano. Também durante o encontro foi estabelecida a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas, Afro-caribenhas e da Diáspora.   Augusto Stahl. Mulher negra com manto, c. 1860. Recife, Pernambuco / Acervo IMS   Acessando o link para a seleção de fotografias que foram selecionadas para homenagear o Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.   Alberto Henschel. Mulher negra da Bahia, c. 1869. Salvador, Bahia / Convênio Instituto Moreira Salles – Leibniz-Institut für Länderkunde   No Brasil, cerca de 22 anos depois, em 2 de junho de 2014, a Lei 12.987/2014, estabeleceu o dia 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A partir da figura da matriarca quilombola Tereza de Benguela, a data tem o propósito de dar visibilidade ao papel da mulher negra na história brasileira. Tereza de Benguela viveu no século XVIII e foi escravizada pelo capitão Timóteo Pereira Gomes. Foi casada com José Piolho, que era o chefe do Quilombo Quariterê ou Quilombo do Piolho, na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, até ser assassinado por soldados do Estado. A partir de sua morte, a Rainha Tereza, como era chamada, assumiu a chefia do quilombo, que liderou por cerca de 20 anos, resistindo contra o governo escravocrata. Segundo os anais de Vila Bela da Santíssima Trindade, Tereza: Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais. Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo.   Carneiro & Gaspar. Glicéria da Conceição Ferreira, 1870-1872 / Acervo Arquivo Nacional     O GLOBO, 23 de julho de 2014   Antes de ser homenageada com a criação da data, Tereza de Benguela já havia sido, no carnaval de 1994, tema do enredo Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal. da Escola de Samba Unidos do Viradouro.   Amor, amor, amor… Sou a viola de cocho dolente Vim da Pérsia, no Oriente Para chegar ao Pantanal Pela Mongólia eu passei Atravessei a Europa medieval Nos meus acordes vou contar A saga de Tereza de Benguela Uma rainha africana Escravizada em Vila Bela O ciclo do ouro iniciava No cativeiro, sofrimento e agonia A rebeldia, acendeu a chama da liberdade No Quilombo, o sonho de felicidade Ilê Ayê, Ara Ayê Ilu Ayê Um grito forte ecoou (bis) A esperança, no quariterê O negro abraçou No seio de Mato Grosso, a festança começava Com o parlamento, a rainha negra governava Índios, caboclos e mestiços, numa civilização O sangue latino vem na miscigenação A invasão gananciosa, um ideal aniquilava A rainha enlouqueceu, foi sacrificada Quando a maldição, a opressão exterminou No infinito uma estrela cintilou Vai clarear, oi vai clarear Um Sol dourado de Quimera (bis) A luz de Tereza não apagará E a Viradouro brilhará na nova era   Esta ilustração do século 19 foi adotada por várias organizações do movimento negro para representar Tereza de Benguela   Voltou a ser homenageada por uma escola de samba, a Barroca Zona Sul, de São Paulo, desta vez em 2020, com o enredo Benguela… A Barroca Clama a Ti, Tereza.   Axé, Tereza Divina alteza, meu tambor foi te chamar Sua luz nessa avenida Incorpora a chama, Yabá Da magia irmanada por Odé Não sucumbe a fé, traz a luta de Angola E a corrente arrastou pro sofrimento Um sentimento, valentia quilombola Reluz o ouro que brota em seu chão Desperta ambição, mas há de raiar o dia Do Guaporé, ser voz de preservação Em plena floresta, auê, auê! Resistência na aldeia, Quariterê! Na mata, sou mestiço, guardião O meu grito de guerra é por libertação! O nosso canto não é apenas um lamento A coragem vem da alma de quem ergueu o parlamento Do castigo na senzala à miséria da favela O povo não se cala, ó Tereza de Benguela! Vem plantar a paz por essa terra A emoção que se liberta E a pele negra faz a gente refletir Nossa força, nossa luta De tantas Terezas por aí! No caminho do amanhã, Obatalá! É a luz que vem do céu, clareia! Vem de Benguela o clamor de liberdade Barroca pede tolerância e igualdade!   Uma curiosidade: assim como a ilutração acima foi adotada para representar Tereza de Benguela, a fotografia abaixo, produzida por Alberto Henschel, em torno de 1870, é frequentemente associada a Luiza Mahin (18? – 18?), que viveu no século XIX e foi mãe do poeta, advogado e abolicionista Luís Gama (1831 – 1882), e liderança da Revolta dos Malês, um dos maiores levantes de escravizados promovidos no Brasil, em Salvador, em 1835. Para saber mais sobre essa história, acesse o artigo A mulher negra de turbante, de Alberto Henschel, de autoria de Aline Montenegro Magalhães e Maria do Carmo Rainho, publicada na Brasiliana Fotográfica, em 13 de maio de 2020.   Alberto Henschel. Mulher de turbante, c. 1870. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS   Acesse aqui a pesquisa Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil, realizado pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada em 2 de março de 2023.   Montagem feita por Januário Garcia (1943 – 2021) com fotos de sua autoria para o Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha de 2015     Andrea C. T. Wanderley Editora e pesquisadora do portal Brasiliana Fotográfica Fontes: BANDEIRA, Maria de Lourdes. Território Negro Em Espaço Branco. São Paulo : Brasiliense, 1988. LACERDA, Thays de Campos. Tereza de Benguela: identidade e representatividade negra. Revista de Estudos Acadêmicos de Letras. NUNES, Dimalice. Teresa de Benguela: a heroica rainha do Quilombo Quariterê. Aventura da História, 20 de novembro de 2019. O GLOBO Portal Geledés Site Fiocruz Site ONU Mulheres Site Senado Federal Site Sipad Site Universidade Federal do Recôncavo Baiano --- **Itens do acervo referenciados neste post:** - `20.500.12156.1/6240` — `itens/20.500.12156.1_6240/` - `20.500.12156.1/4489` — `itens/20.500.12156.1_4489/` - `20.500.12156.1/5154` — `itens/20.500.12156.1_5154/` - `20.500.12156.1/6847` — `itens/20.500.12156.1_6847/`