--- id: 31002 url: "https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=31002" titulo: "Santuário de Cristo Redentor e outras fotos do Morro da Favela, atual Morro da Providência" autor: "Andrea Wanderley" data: "2025-11-04T10:07:18+00:00" categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"] handles_referenciados: ["20.500.12156.1/3153", "20.500.12156.1/12765", "20.500.12156.1/4566", "20.500.12156.1/9359"] fetched_at: "2026-09-10T10:13:24.697Z" --- # Santuário de Cristo Redentor e outras fotos do Morro da Favela, atual Morro da Providência Com a publicação de uma fotografia de autoria de Augusto Malta (1864 – 1957) do Santuário de Cristo Redentor no Morro da Favela, atual Morro da Providência, e de vistas deste mesmo morro produzidas também por Malta, por Jorge Kfuri (1893 – 1965) e pela Escola de Aviação Militar, celebramos o Dia da Favela, comemorado hoje, 4 de novembro, porque foi nesta data que, em 1900, o termo apareceu pela primeira vez em um documento público, quando o delegado da 10º Circunscrição e chefe da Polícia do Rio de Janeiro, Enéas Galvão, se referiu ao Morro da Providência, no bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, como favela. As imagens pertencem à Fundação Biblioteca Nacional e ao Instituto Moreira Salles, as instituições fundadoras da Brasiliana Fotográfica; ao Museu Aeroespacial e à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, instituições parceiras do portal.   Augusto Malta. [Santuário de Cristo Redentor (ainda existente) no Morro da Favela, atual Morro da Providência], s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FBN “…Todavia, a favela é também lugar de cultura e força simbólica positiva. Nela o povo negro construiu suas raízes junto com a história do Rio de Janeiro. A cultura do samba, do funk, da culinária afro, da moda, do passinho e tantas outras representações marcantes que são produto simbólico da favela no Brasil e no mundo. Neste sentido, faz-se premente nosso estado se alinhar a ações oficiais de homenagem, mobilização e conscientização por tudo que a favela tem a dizer e a mostrar”….Tal referência se inscreve na iniciativa de tomar a favela e seus habitantes em uma conotação positiva: não mais como um território estigmatizado, mas sim como um lugar de sociabilidades e produção de uma herança cultural”… Trechos do Projeto de Lei 2019/2023 que adicionou ao Calendário Oficial do Estado do Rio de Janeiro o Dia Estadual da Favela   Em 2006, Celso Athayde (1963-), fundador da Central Única das Favelas (CUFA), teve a ideia de instituir o dia 4 de novembro como o Dia da Favela, projeto que foi oficializado pela Lei Municipal nº 4.383, de 28 de junho de 2006, no Rio de Janeiro. Desde o referido ano, a CUFA realiza ações no sentido de ressignificação do conceito de favela, tirando a potência desses territórios da invisibilidade. Outro estados também realizam atividades para visibilizar as favelas como fontes de criatividade, força e resiliência.   Celso Athayde   “Quando, em 2006, propus a criação deste dia, não pensei em celebrar a carência, nem as faltas que só quem vive nas favelas conhece de verdade. Minha ideia foi estabelecer uma data para que, todos os anos, pudéssemos olhar para as necessidades como oportunidades de avançar e mostrar à sociedade e ao poder público que as favelas são formadas por pessoas. Pessoas que consomem, criam, empreendem e realizam”, relembra Celso Athayde, CEO da Favela Holding e fundador da CUFA.   Escola de Aviação Militar. Vista Aérea do Morro da Providência – Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1938. Rio de Janeiro, RJ / Acervo Museu Aeroespacial   No estado do Rio de Janeiro, o Dia da Favela é lei, desde 2019. Na capital paulista, a data havia entrado para o calendário oficial, alguns anos antes, em 2015.   Jorge Kfuri, O Bairro do Santo Cristo e o Morro da Providência, s/d. Rio de Janeiro, RJ / Acervo DPHDM   O Morro da Providência, no Rio de Janeiro, começou a ser ocupado no fim do século XIX, numa região já desvalorizada, perto de um cemitério, do porto e da linha férrea. A área já contava com diversos cortiços, que cresciam devido às leis que libertaram os filhos de escravizados e, depois, os próprios escravizados. Além disso, soldados egressos da Guerra de Canudos (1896-1897) não receberam o pagamento esperado pela vitória e começaram construir moradias no local, dando origem ao “Morro da Favela” – primeiro nome da comunidade, atribuído a um morro da região de Canudos, na Bahia, onde crescia uma planta chamada faveleira.   Augusto Malta. Morro da Providência, c. 1920. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS   Segundo o Censo Demográfico 2022: Favelas e Comunidades Urbanas: Resultados do universo, divulgado, em 8 de novembro de 2024, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma das instituições parceiras da Brasiliana Fotográfica, existiam, em 2022, no Brasil, 12.348 favelas e comunidades urbanas, onde viviam 16.390.815 pessoas, o que equivalia a 8,1% da população do país, tudo isso distribuído em 656 municípios. O Estado de São Paulo apresentava 3.123 favelas e comunidades urbanas, sendo a Unidade da Federação com o maior número desses recortes territoriais no Brasil, representando 25,3% do total. O Rio de Janeiro foi o segundo Estado no ranking, com 1.724 favelas e comunidades urbanas em seu território, significando 14,0% do total.   Andrea C.T. Wanderley Editora e pesquisadora da Brasiliana Fotográfica   Fontes: Agência Brasil Agência IBGE Arquivo Nacional Censo Demográfico 2022 : favelas e comunidades urbanas : resultados do universo / IBGE Exame Extra, 4 de novembro de 2022 Site Câmara Municipal do Rio de Janeiro Site CNN Brasil Site Dia da Favela Site ExpoFavela Site Observatório de Favelas --- **Itens do acervo referenciados neste post:** - `20.500.12156.1/3153` — `itens/20.500.12156.1_3153/` - `20.500.12156.1/12765` — `itens/20.500.12156.1_12765/` - `20.500.12156.1/4566` — `itens/20.500.12156.1_4566/` - `20.500.12156.1/9359` — `itens/20.500.12156.1_9359/`