# NOBRADE — o que a norma pede e como este acervo a cumpre Fonte: CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (Brasil). *NOBRADE: Norma brasileira de descrição arquivística*. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2006. 124 p. Este arquivo resume a norma (seções 1–4) e registra as decisões de aplicação tomadas para a cópia digital da Brasiliana Fotográfica (seção 5). A implementação está em `pipeline/nobrade/` e a saída em `descricao/`. ```bash cd pipeline python3 -m nobrade # descricao/: unidades, autoridades, revisão, pendências, EAD 3, EAC-CPF, AtoM python3 -m nobrade.mural # leva código, data, série e suporte para web/atlas/atlas-map.json ``` --- ## 1. O que é a NOBRADE - Adaptação brasileira da **ISAD(G)** (descrição) e da **ISAAR(CPF)** (registros de autoridade: entidades coletivas, pessoas e famílias), feita pela Câmara Técnica de Normalização da Descrição Arquivística do CONARQ (criada em 2001). - Pensada para documentos em fase permanente, aplicável a **qualquer suporte ou gênero** — fotografia inclusive. - **Não impõe formato** de entrada nem de saída. Exige só que os **elementos obrigatórios** estejam presentes. Para intercâmbio recomenda um formato comum, citando o **EAD** (Encoded Archival Description) — nota 13. - Acrescenta à ISAD(G) dois elementos: **6.1 Notas sobre conservação** e **8.1 Pontos de acesso e indexação de assuntos**. - Fundo e coleção equivalem-se para efeito da norma. *Coleção* = "conjunto de documentos com características comuns, reunidos intencionalmente"; *colecionador* = quem a formou. ## 2. Princípios (herdados da ISAD(G)) 1. **Do geral para o particular** — representar o contexto e a estrutura hierárquica do fundo e das suas partes. 2. **Informação relevante para o nível** — cada nível descreve o que é seu. 3. **Relação entre descrições** — explicitar a posição de cada unidade na hierarquia. 4. **Não repetição** — o que vale para o nível de cima não se repete embaixo. ### Níveis de descrição | Nível | Unidade | |---|---| | 0 | acervo da entidade custodiadora | | 0,5 | acervo da subunidade custodiadora | | 1 | fundo ou coleção | | 2 | seção | | 2,5 | subseção | | 3 | série | | 3,5 | subsérie | | 4 | dossiê ou processo | | 5 | item documental | Nem todos os níveis precisam existir, mas **o nível 5 exige o nível 4**: um item documental só é descrito dentro de um dossiê. Um dossiê pode ter um único documento — "item" é um nível, não um documento. ## 3. Os 28 elementos, em 8 áreas Em **negrito**, os 7 obrigatórios. | Área | Elementos | |---|---| | 1 Identificação | **1.1 Código de referência** · **1.2 Título** · **1.3 Data(s)** · **1.4 Nível de descrição** · **1.5 Dimensão e suporte** | | 2 Contextualização | **2.1 Nome(s) do(s) produtor(es)** · 2.2 História administrativa/Biografia · 2.3 História arquivística · 2.4 Procedência | | 3 Conteúdo e estrutura | 3.1 Âmbito e conteúdo · 3.2 Avaliação, eliminação e temporalidade · 3.3 Incorporações · 3.4 Sistema de arranjo | | 4 Condições de acesso e uso | **4.1 Condições de acesso** (obrigatório só nos níveis 0 e 1) · 4.2 Condições de reprodução · 4.3 Idioma · 4.4 Características físicas e requisitos técnicos · 4.5 Instrumentos de pesquisa | | 5 Fontes relacionadas | 5.1 Existência e localização dos originais · 5.2 Existência e localização de cópias · 5.3 Unidades de descrição relacionadas · 5.4 Nota sobre publicação | | 6 Notas | 6.1 Notas sobre conservação · 6.2 Notas gerais | | 7 Controle da descrição | 7.1 Nota do arquivista · 7.2 Regras ou convenções · 7.3 Data(s) da(s) descrição(ões) | | 8 Pontos de acesso | 8.1 Pontos de acesso e indexação de assuntos | ## 4. Regras que mais pesam neste acervo ### 1.1 Código de referência - Três partes: **código do país (`BR`, ISO 3166)** + **código da entidade custodiadora** + **código da unidade de descrição**. - O código da entidade é **solicitado ao CONARQ** (proc. 1.1.1). - A parte da unidade é convencionada pela entidade. Ela pode ter subpartes por nível (1.1.2.1) ou reaproveitar uma notação existente (1.1.2.2). Se o código não expuser os níveis, o elemento 1.4 tem de listar os títulos de todos os níveis superiores (1.1.4). - Exemplos da norma: `BR MN`, `BR CPDOC JG`, `BR AN Q6.LEG.COR,TEL`. - Na prática (código CODEARQ), o código da entidade leva a UF colada à sigla, e as partes da unidade vão separadas por ponto. Exemplo do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro: `BR RJAGCRJ.SOP.NL.AVE.03.01` = país · UF+entidade · fundo (Secretaria de Obras Públicas) · série (Negrão de Lima) · subsérie (Avenidas) · dossiê 03 · item 01, a imagem em si. ### 1.2 Título - Registrar o título original. Na falta dele, atribuir um título formado a partir da própria unidade. **Título atribuído vai entre colchetes.** ### 1.3 Data(s) - Obrigatória a **data de produção** (data crônica). Opcionais: data de acumulação, data-assunto e **data tópica** (local de produção, útil nos níveis 4 e 5). - Data crônica: ano obrigatório, algarismos arábicos, **data atribuída entre colchetes, dúvida com `?`** (`[1860?]`). Só século ou década: completar com traço (`[18--]`, `[186-]`). Período provável: datas-limite (`1950-1975`). - **Toda unidade recebe data de produção, mesmo aproximada** (1.3.3.2). - A data tal como aparece no documento vai para 6.2. Para indexação e intercâmbio, saída em **ISO 8601** (1.3.2.7). ### 1.5 Dimensão e suporte - Por **gênero documental** (bibliográfico, cartográfico, eletrônico, filmográfico, **iconográfico**, micrográfico, sonoro, textual, tridimensional). Fora os textuais, quantificar **por espécie**. - Espécies do gênero iconográfico: caricatura, cartaz, cartão-postal, charge, cópia por contato, desenho, diapositivo, **fotografia**, gravura, ilustração, **negativo fotográfico**, pintura. - Registro normalizado para permitir **somatórios** nos níveis superiores. Exemplo da norma: `fotografia 1 item p&b`. ### 2.1 Produtor - Forma normalizada do nome (ISAAR(CPF)). Nas coleções, o produtor é o **colecionador**. Afirma o princípio da proveniência. ### 2.3 História arquivística e 2.4 Procedência - 2.3: natureza da acumulação, transferências de custódia, **intervenções técnicas, dispersões e sinistros**. - 2.4: origem imediata, forma e data de aquisição. Se desconhecida, "dado não disponível". ### 4.1–4.3 Acesso, reprodução, idioma - 4.1: dizer se há restrição, com base legal e prazo. - 4.2: restrições de reprodução e **a quem pedir autorização**. - 4.3: idiomas em ISO 639. Idioma que não seja o português é sempre registrado. ### 5.1 e 5.2 Originais e cópias - 5.1: onde está o original e os números de controle, mesmo que ele esteja em **outra entidade**. - 5.2: cópias existentes, com a referência de controle, ou o nome, a cidade e o site de outra entidade que as tenha. ### 8.1 Pontos de acesso - Indexação controlada de **nomes, eventos, áreas geográficas, períodos e assuntos**, com fontes validadoras (ex.: Biblioteca Nacional, Library of Congress). As regras seguidas vão em 7.2. - Nomes de pessoas em forma autorizada ISAAR(CPF), com **remissivas para as variantes**. --- ## 5. Aplicação a este acervo ### 5.1 O que é esta coleção Esta é uma **coleção de cópias digitais**, reunida intencionalmente em 2026 a partir da Brasiliana Fotográfica. Os originais continuam nas 16 instituições de origem. Por isso: - a entidade custodiadora **das cópias** é quem mantém o bucket `s3://brasiliana`; - o produtor do nível 1 é o **colecionador** (a mesma entidade); - cada dossiê aponta o original em **5.1**: instituição, handle do DSpace, código Sophia e objdigital; - não descrevemos o acervo alheio: descrevemos a nossa cópia e dizemos onde está o original. ### 5.2 Hierarquia adotada | Nível | Unidade | Origem | Código | |---|---|---|---| | 0 | Acervo da entidade | — | `BR RJXYZ` | | 1 | Coleção Brasiliana Fotográfica (cópia digital) | — | `BR RJXYZ.BF` | | 2 | Seção = instituição de origem | `community` | `BR RJXYZ.BF.IMS` | | 3 | Série = coleção/fundo de origem | `dc.source` normalizado | `BR RJXYZ.BF.IMS.GF` | | 4 | Dossiê = item do DSpace (handle) | `handle` | `BR RJXYZ.BF.IMS.GF.12345` | | 5 | Item documental = cada imagem do dossiê | ledger do bucket | `BR RJXYZ.BF.IMS.GF.12345.01` | - `RJXYZ` é **provisório** até o CONARQ atribuir um código. A troca é uma constante em `pipeline/nobrade/config.py`. - **Toda imagem é um item de nível 5**, mesmo quando o dossiê tem só uma (`.01`), como no AGCRJ. Os 115 dossiês com várias imagens têm `.01`–`.06`. - O código do dossiê termina no número do handle (proc. 1.1.2.2), então sobrevive a reclassificações de série sem perder a ligação com a origem. - Itens sem série identificável ficam na série `AV` ("Avulsos") da sua seção. Notações de caixa e de negativo em `dc.source` (`CX 14`, `NV 2056`) não viram série: vão para 5.1 como notação na origem. - O IHGB é a única instituição que publica o próprio código NOBRADE (`BR RJIHGB 064IG 0278`, em `dc.identifier`). Ele fica em 5.1 como código na origem. ### 5.3 De onde vem cada elemento | Elemento | Nível 4 (dossiê) | Níveis 1–3 | |---|---|---| | 1.2 Título | `dc.title` | nome da coleção, instituição ou série | | 1.3 Data | `dc.date` normalizado + ISO 8601. `dc.coverage` → data tópica | datas-limite dos filhos | | 1.5 Dimensão | `dc.type` → espécie + suporte; cor e medidas que AN e AGCRJ põem em `dc.description`. Cópia digital: arquivos e bytes | soma por espécie | | 2.1 Produtor | `dc.contributor` (fotógrafo), forma autorizada | colecionador / instituição | | 2.3 Hist. arquivística | `dc.date.accessioned` (entrada no DSpace), data da coleta | relato da coleta (nível 1) | | 2.4 Procedência | Brasiliana Fotográfica, handle, data da coleta | idem, agregado | | 3.1 Âmbito e conteúdo | `dc.description` | resumo gerado (quantidades, datas, fotógrafos) | | 4.1 Acesso | herdado do nível 1 | texto fixo no nível 1 | | 4.2 Reprodução | `dc.rights` → categoria + texto original | — | | 4.3 Idioma | `dc.language` (ISO 639-2) | — | | 4.4 Requisitos técnicos | formato, resolução | — | | 5.1 Originais | instituição + handle + Sophia | instituição | | 5.2 Cópias | preservação, legado objdigital, miniaturas no S3 | — | | 5.3 Relacionadas | `dc.relation`, `dc.relation.ispartof` | — | | 5.4 Publicação | posts do blog que citam o handle | — | | 6.1 Conservação | falha de bitstream na origem (HTTP 500) | — | | 6.2 Notas | data e direitos como vieram da origem | — | | 7.x Controle | fonte, regras (NOBRADE/ISAD(G)), data de geração | idem | | 8.1 Pontos de acesso | assuntos (pt), lugares, nomes, período | — | ### 5.4 Saídas - `descricao/unidades.jsonl`: uma linha por unidade de descrição, com os campos nomeados pelo número do elemento. - `descricao/autoridades.jsonl`: registros ISAAR(CPF) de fotógrafos e colecionadores. - `descricao/ead/brasiliana.xml`: EAD 3 do acervo inteiro. - `descricao/eac/`: um EAC-CPF por autoridade. - `descricao/pendencias.md`: relatório do validador dos obrigatórios. - `descricao/revisao/*.tsv`: tabelas dos normalizadores para revisão manual. - `pipeline/nobrade/ajustes/series.tsv` (colunas `instituicao`, `dc_source`, `titulo`): correção manual de série, que prevalece sobre a regra na próxima geração. - `descricao/atom.csv`: importação no AtoM (modelo ISAD). Versionados no git: textos, revisão, autoridades e pendências. `unidades.jsonl`, `ead/`, `eac/` e `atom.csv` são regenerados e vão para o bucket. ### 5.5 Decisões de normalização - **Datas:** 190 padrões distintos na origem. Saem na forma da norma (`[ca. 1905]`, `[193-?]`, `8/2/1890-18/4/1890`) e em ISO 8601-2/EDTF (`1905~`, `193X?`, `1890-02-08/1890-04-18`). `circa` fica como `ca.`, convenção do AACR2, que a norma cita. Os 167 carimbos de registro do DSpace gravados em `dc.date` não são tratados como data de produção. Os dossiês sem data recebem uma data atribuída (proc. 1.3.3.2), `[A-B?]`, a partir do período de atividade do autor, ou senão das datas-limite da série, ou senão das da instituição. A base da atribuição fica anotada. - **Título ausente:** atribuído entre colchetes a partir da descrição ou dos assuntos (proc. 1.2). - **Espécie ausente:** presumida fotografia, com nota. O repositório inteiro é fotográfico. - **Autoridades:** grafias unidas por chave sem acento e por inversão ("Marc Ferrez" → "Ferrez, Marc"). A forma autorizada é a variante com datas mais completas; as outras viram remissivas (8.1.4). Anônimos não viram autoridade. - **Assuntos:** as traduções inglesas que o DSpace da BN repete ficam separadas (`assuntos_eng`). Os assuntos seguem o vocabulário da origem, sem controle adicional. - **Direitos:** quatro categorias: domínio público, uso cultural liberado, requer autorização do detentor, e consultar o detentor. O texto da origem fica em 6.2. - **Valores corrompidos na origem** (fragmentos de XML ou hash no lugar do texto): desconsiderados e anotados em 6.2. ### 5.6 Pendências fora do código - [ ] Pedir ao CONARQ o código da entidade custodiadora (proc. 1.1.1) e substituir `RJXYZ`, além de definir o nome da entidade (`ENTIDADE_NOME`). - [ ] Revisar `descricao/revisao/series.tsv` e `datas.tsv` (valores que o normalizador não resolveu). - [ ] Revisar os textos dos níveis 2 e 3 em `descricao/textos/`. Os das seções são rascunhos. - [ ] Revisar as 813 datas atribuídas pelo arquivista (`revisao/datas.tsv`).