--- id: 26838 url: "https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=26838" titulo: "O Cemitério de Pistoia e a memória dos combatentes da FEB" autor: "Andrea Wanderley" data: "2022-02-18T08:49:41+00:00" categorias: ["Análise de documento", "Biografia", "Cronologia", "Curadoria", "Efemérides", "Convidados", "Preservação digital", "Sem categoria"] handles_referenciados: ["20.500.12156.1/10379", "20.500.12156.1/10384", "20.500.12156.1/10383", "20.500.12156.1/10387", "20.500.12156.1/10377", "20.500.12156.1/10391", "20.500.12156.1/10399", "20.500.12156.1/10403"] fetched_at: "2026-09-10T10:09:33.623Z" --- # O Cemitério de Pistoia e a memória dos combatentes da FEB A Brasiliana Fotográfica publica o artigo O Cemitério de Pistoia e a memória dos combatentes da FEB com imagens da Coleção Lafayette Brasiliano, do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, uma das instituições parceiras do portal. Essa coleção é formada por 41 fotografias produzidas, em sua maioria, pelo fotógrafo Horácio Coelho. Além de imagens do cemitério e de cerimônias de sepultamento, há imagens de militares da FEB, entre eles seu comandante, marechal Mascarenhas de Morais, e os proprietários do terreno cedido para a construção do cemitério, Dr. Landini e sua esposa. A autora do artigo é a historiadora Maria de Fátima Morado, que inicia seu texto com uma bela e comovente poesia de Cecilia Meirelles.   Horácio Coelho. Cemitério de Pistoia. Pistoia, Itália, 1945 / Acervo Museu da República   O Cemitério de Pistoia e a memória dos combatentes da FEB Maria de Fátima Morado*   Eles vieram felizes, como para grande jogos atléticos: com um largo sorriso no rosto, com forte esperança no peito, - porque eram jovens e eram belos.   Marte, porém, soprava fogo por estes campos e estes ares. E agora estão na calma terra,sob estas cruzes e estas flores, cercados por montanhas suaves.   São como um grupo de meninos num dormitório sossegado, com lençóis de nuvens imensas, e um longo sono sem suspiros, de profundíssimo cansaço   Cecília Meireles(1901 – 1964)   Horácio Coelho. Cemitério de Pistoia, 1945. Pistoia, Itália / Acervo Museu da República   O Cemitério Militar Brasileiro foi instalado na cidade italiana de Pistoia, em 02 de dezembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Nele foram sepultados os corpos dos integrantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), onde permaneceram até 05 de outubro de 1960, quando seus restos mortais foram transladados para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, localizado no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Em junho de 1965, em substituição ao cemitério, foi erguido no local o Monumento Votivo Militar Brasileiro (MVMB) como homenagem aos expedicionários brasileiros que morreram durante a guerra.   Horácio Coelho. Cemitério de Pistoia, 1945. Pistoia, Itália / Acervo Museu da República   A construção do cemitério foi pensada para agilizar os procedimentos necessários para o transporte, identificação, liberação e ritos fúnebres dos corpos dos soldados brasileiros. Até então, os sepultamentos eram realizados no cemitério de Traquinia e no cemitério militar dos Estados Unidos, em Vada. O deslocamento dos corpos dos postos de coleta para esses cemitérios mudavam de acordo com os novos locais de frentes de batalha. Dessa forma, as distâncias poderiam variar entre 200 km a 360 km o que acarretava o aumento do tempo para a mobilização de soldados dedicados à essa missão. Além disso, a burocracia realizada pela administração do cemitério americano causava atrasos para a liberação da documentação e notificação aos familiares.   Horácio Coelho. Cemitério de Pistoia, 1945. Pistoia, Itália / Acervo Museu da República   Acessando o link para as fotografias do Cemitério de Pistóia do acervo do Museu da República disponíveis na Brasiliana Fotográfica, o leitor poderá magnificar as imagens e verificar todos os dados referentes a elas.   Horácio Coelho. Cemitério de Pistoia, 1945. Pistoia, Itália / ACervo Museu da Repúbica   Todo o trâmite para o resgate dos corpos, identificação, sepultamento e homenagem era realizado pelo Pelotão de Sepultamento da FEB, criado em 04 de julho de 1944, pouco após a ida do 1º Escalão da Força Expedicionária Brasileira para a Europa, em 2 de julho de 1944. Em agosto, o Pelotão partiu do Rio de Janeiro, capital federal nessa época, sob o comando do primeiro-tenente Lafayette Brasiliano, que mais tarde foi responsável pela organização do Cemitério de Pistoia.   Horácio Coelho. Cerimônia de sepultamento. Pistoia, Itália / Acervo Museu da República   Lafayette Vargas Moreira Brasiliano nasceu em 25 de junho de 1913, filho do general do Exército João Moreira de Oliveira Braziliano e de Alcinda Vargas Moreira Braziliano. Lafayette Brasiliano concluiu o Colégio Militar em 1931 e integrou a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Após o final da Guerra, já no posto de capitão, foi nomeado instrutor de ensino militar, em 1946, participando da organização do curso de Intendência. Foi ajudante-de-ordens do presidente Getulio Vargas entre 1951 e 1954, passando para a reserva em 1957. Faleceu em 8 de novembro de 1976, na cidade do Rio de Janeiro. A Coleção Lafayette Brasiliano, do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República, foi doada em 1999. Essa coleção é formada por 41 fotografias produzidas, em sua maioria, pelo fotógrafo Horácio Coelho. As imagens apresentam a estrutura do cemitério, detalhes das sepulturas e registram cerimônias de sepultamento. Nas fotos da coleção também estão presentes os militares da FEB, entre eles seu comandante, marechal Mascarenhas de Morais, e os proprietários do terreno cedido para a construção do cemitério, Dr. Landini e sua esposa.   Horácio Coelho. Força Expedicionária Brasileira no Cemitério Militar Brasileiro, com a presença do marechal Mascarenhas de Morais, 1945. Pistoia, Itália / Acervo Museu da República.     Horácio Coelho. Proprietários do terreno do cemitério durante cerimônia: Dr. Landini e esposa., 1945. Pistoia, Itália / Acervo Museu da República   *Maria de Fátima Morado é Historiadora do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República   Fontes: ADITÂNCIA DO EXÉRCITO JUNTO À EMBAIXADA DO BRASIL NA ITÁLIA. Monumento Votivo Militar Brasileiro (MVMB) “Honra e Glória”. Brasília. FARIA. Durland Puppin de. O Pelotão de Sepultamento da FEB. Revista Agulhas Negras, Resende, ano 3, n. 3, jan./dez. 2019. FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Força Expedicionária Brasileira (FEB). Rio de Janeiro, 2020. MEIRELES, Cecilia. Pistoia – Cemitério Militar Brasileiro. Rio de Janeiro: Global, 1955. PIOVEZAN, Adriane. Os mortos na memória dos vivos: o Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia (1945-1960). In: Anais do XVII Encontro Estadual de História da ANPUH-SC. Joinville, 2018. --- **Itens do acervo referenciados neste post:** - `20.500.12156.1/10379` — `itens/20.500.12156.1_10379/` - `20.500.12156.1/10384` — `itens/20.500.12156.1_10384/` - `20.500.12156.1/10383` — `itens/20.500.12156.1_10383/` - `20.500.12156.1/10387` — `itens/20.500.12156.1_10387/` - `20.500.12156.1/10377` — `itens/20.500.12156.1_10377/` - `20.500.12156.1/10391` — `itens/20.500.12156.1_10391/` - `20.500.12156.1/10399` — `itens/20.500.12156.1_10399/` - `20.500.12156.1/10403` — `itens/20.500.12156.1_10403/`